A A24 é lar de algumas das produções mais aclamadas do cenário cinematográfico, tendo voltado sua atenção para obras independentes de diretores estreantes ou não tão conhecidos no circuito fílmico. E um dos carros-chefes do estúdio é, sem sombra de dúvida, o terror: desde sua concepção, nomes como Robert Eggers, Ari Aster, Ti West e Danny e Michael Philippou causaram grande impacto ao apresentar novas formas de explorar esse gênero tão saturado no mercado, entregando arrepiantes rendições como ‘A Bruxa’ e ‘Faça Ela Voltar’, apenas a encargo de exemplificação.
À medida que abre mais espaço a realizadores que procuram a oportunidade certa para brilharem, o estúdio caminha para mais um aguardado lançamento: ‘Backrooms – Um Não-Lugar’, que marca o vindouro debute de Kane Parsons após ascender a uma popularidade com a websérie de mesmo nome, que trouxe os conceitos dos espaços liminares sob uma ótica de horror e ficção científica. A trama original acompanha um cineasta que vai parar em outra dimensão e vaga por um escritório inquietantemente amarelo, vazio e labiríntico, que pode ou não abrigar seres sobrenaturais.
Contando com Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve, o longa-metragem que chega às telonas nacionais no próximo dia 28 de maio é uma expansão dessa insana e enervante mitologia e acompanha um homem frustrado com a própria vida que encontra esses corredores e salas infinitos em sua loja de móveis, desaparecendo na imensidão ensandecida de uma realidade paralela e compelindo sua terapeuta a procurá-lo para trazê-lo de volta. E, funcionando como uma exploração mais exagerada e contundente do que Parsons nos apresentou alguns anos atrás, o resultado é muito além do esperado e integra a nata das produções da A24 com uma originalidade inquietante.
Parsons fez história ao se tornar o diretor mais jovem a firmar contrato com o estúdio – e mostra que não veio para brincar. Utilizando-se de inúmeras referências estilísticas e construindo um filme de monstros inesperado e recheado de peculiaridades, o jovem cineasta aposta na experiência sinestésica e garante que seus dois personagens principais sejam explorados o máximo que puderem. Nesse quesito, Ejiofor faz um ótimo trabalho, mas é Reinsve que, recém-saída de mais uma indicação ao Oscar, rouba os holofotes com uma rendição visceral e, ao mesmo tempo, imbuída de letargia.
A ideia de ‘Backrooms’ não é entregar tudo mastigado ao público e, por essa razão, é bem provável que divida os espectadores, principalmente conforme a história se encerra. Porém, é esse elemento que torna o projeto tão diferente dos outros, apostando num bizarro jogo de gato-e-rato psicológico que nos deixa instigados desde os primeiros minutos.
A crítica completa será lançada em 27 de maio.




