InícioDestaquePrimeiras impressões | ‘Chespirito: Sem Querer Querendo’ traz caracterizações impressionantes

Primeiras impressões | ‘Chespirito: Sem Querer Querendo’ traz caracterizações impressionantes


O Max já está lançando os episódios de Chespirito: Sem Querer Querendo, a primeira série sobre a vida de Roberto Bolaños e suas criações, como a turma do Chaves e o Chapolin Colorado. A produção estreou no dia 5 de junho e os novos episódios estão sendo lançados no streaming toda quinta-feira. Até o momento, a série já tem dois capítulos disponíveis. Serão oito, no total.

Produzida em parceria com Roberto Gómez Fernández, filho de Bolaños e presidente do Grupo Chespirito, a série aborda aspectos da vida pessoal do ator, diretor e roteirista mexicano, mas encanta mesmo quando entra nos bastidores das principais produções que entraram nos corações de diferentes gerações de fãs. Mas não é só nesse quesito que a série fascina.

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Por ter sido criada e escrita por Roberto Gómez, a série traz um clima nostálgico sensacional, não apenas por contar a história de seu pai, mas principalmente por remontar a sua infância, uma época mais feliz e que geralmente remonta a essa sensação de pureza quando se chega à vida adulta. E como Roberto cresceu em meio aos bastidores das principais produções televisivas de sua época, é possível notar o grande carinho com que ele retrata os estúdios, sua casa de infância, o lar da família de seu pai e os atores que davam vida a ícones como o Quico, Seu Madruga e a Chiquinha, por exemplo.

A escolha por contar a série de forma não linear também é muito curiosa, porque permite mesclar momentos da infância e da juventude de Chespirito com as épocas de ouro das séries do pai na TV. O primeiro episódio, por exemplo, é extremamente acertado porque conta as origens de Bolaños de uma forma romântica, mesclando sua história de amor com o início na TV, contrastando com as pressões das filmagens do icônico especial de Acapulco, que é considerado por muitos fãs como os melhores episódios da série.

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E nesses momentos da juventude de Bolaños acontece um trabalho de ambientação realmente lindo. O público se sente no México das décadas de 1940 e 1950, com a chegada da televisão, as exigências de habilidade com datilografia para vagas de emprego, os figurinos mais elegantes e os carros da época. É tudo feito com muito carinho para tornar aquelas passagens críveis. Em uma dessas viagens ao passado, inclusive, acontece um dos mais belos momentos de toda a série, em que Roberto Gómez interpreta o próprio avô em uma memória na qual ele reconhece o talento de Bolaños para as artes ainda na infância. É realmente muito emocionante.

E o trabalho absurdo de caracterização dos personagens é realmente impressionante. Apesar de não estar tão parecido nas fotos de divulgação e ser consideravelmente mais alto que Bolaños, Pablo Cruz interpreta o Chespirito com maestria. Principalmente nos momentos em que Roberto está mais ‘casual’, a semelhança chega a assustar. Mas nada comparado a Juan Lecanda, que interpreta Carlos Villagrán, o Quico. Ele encarnou todos os trejeitos do ator, sejam eles físicos ou vocais. Na verdade, na série, seu personagem se chama Marcos Barragán. Da mesma forma, a atriz e viúva de Bolaños, Florinda Meza, que se consagrou como a Dona Florinda, foi retratada na série como Margarita Ruíz. Essas alterações aconteceram porque nenhum dos atores autorizou o uso de seus nomes. Villagrán teve uma grande rixa com Bolaños ainda em vida, enquanto Florinda foi um caso extraconjugal de Roberto, que largou sua antiga esposa para casar-se com ela durante as gravações do programa.

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Na vida real, Florinda não apoiou a produção da série por afirmar que ela não retrata a história com fidelidade, mas aí é uma questão de guerras narrativas. No entanto, a própria produção já abre o capítulo inicial afirmando ser uma dramatização apenas inspirada pela vida real. E essas liberdades criativas dão esse ar mágico a essa produção que chega ao streaming com um grande potencial.

Se mantiver esse ritmo, Chespirito: Sem Querer Querendo pode se tornar uma grande produção voltada para o público latino-americano, mas que, assim como as produções de Bolaños, vai acabar sendo abraçada mais pelo público brasileiro.

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Os novos episódios de Chespirito: Sem Querer Querendo estreiam no Max toda quinta-feira.
Pedro Sobreirohttps://cinepop.com.br/
Jornalista apaixonado por entretenimento, com passagens por sites, revistas e emissoras como repórter, crítico e produtor.
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