Primeiras Impressões | ‘La Casa de Papel’ – 3ª temporada: Surpreendentemente melhor

Primeiras Impressões | ‘La Casa de Papel’ – 3ª temporada: Surpreendentemente melhor



Em meio a tantas fronteiras territoriais que distanciam culturas e tradições, talvez fosse impensável um fenômeno dessa natureza. Ainda que a tecnologia e a internet tenham proporcionado um universo de conexões infindáveis – nos levando aos caminhos mais escusos às séries de TV e filmes de qualquer parte do mundo, cogitar que uma produção espanhola fosse se tornar um dos grandes fenômenos POP da atualidade era um tanto impensável. Mas foi justamente esse estrondoso sucesso de La Casa de Papel que fez de sua segunda e – até então – última temporada, apenas um hiato, um respiro para um novo fôlego, para uma nova e turbulenta missão criminosa. E se redimindo com muita leveza e facilidade de um final piegas e previsível, a série original da Netflix retorna vigorosa e radiante, com uma narrativa que mal se apresenta, partindo rapidamente para uma eclosão de originalidade em seus três primeiros episódios.

Honestamente, havia uma certa descrença. Com uma segunda temporada crescente e pulsante, que termina em frangalhos em virtude de um encerramento de arco tão desconstrutivo, havia uma certa reticência quanto ao que a terceira parte de La Casa de Papel poderia oferecer. Ainda que o apelo popular ao fim do ano anterior tenha sido majoritariamente positivo, em se tratando de autenticidade e ritmo narrativo, é evidente que o caminho sentimental fora o escolhido, tornando-a uma promessa mal cumprida. Mas como uma produção que não esqueceu de sua genuína essência, a série espanhola de Álex Pina recupera seu fôlego, entregando uma nova história que não apenas é plausível, como é capaz de fazer a audiência salivar em seu tumultuado início. 

Com apenas três episódios assistidos é, obviamente, difícil ponderar sobre o quão boa a terceira temporada da série realmente será até o seu final. Mas, vindo de alguém cheia de ressalvas, é surpreendente o quão latente a produção – eventualmente – conseguiu se manter, entregando uma trama que caminha em ritmo ágil, não é prolixa e sabe usar seu tempo de tela com sabedoria, entregando aquilo que fez o público se apaixonar profundamente, a ponto de fazer dela um fenômeno mundial. Com cenas de ação táticas e explosões teatrais incríveis, La Casa de Papel retorna robusta, hipnotiza com sua direção tão bem executada e se revela como uma odisseia do crime organizado, trazendo seu carismático elenco de volta sedento por viver essa intrigante vida bandida.

Apresentando uma fotografia que inicialmente passeia pelas cores de cenários paradisíacos e pelas ruas que emanam a cultura local de lugares como a Tailândia e a Argentina, a parte três de La Casa de Papel é primorosa em sua qualidade fílmica, feita com cuidado, sabendo explorar todos os artifícios da narrativa para sua construção estética. Aqui, as luzes vermelhas de alerta, a beleza de cartões postais como o Caribe e a intensidade da vida noturna de grandes capitais se transformam em arquétipos de design de produção, se tornando uma espécie de extensão da história, à medida que também traçam a direção de fotografia, que capricha em seus takes e sabe explorar com maestria as luzes artificiais, bem como a claridade natural de um dia de verão.

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Intenso e pragmático, o seu começo parece servir como uma bela amostra do que a série tem para nos oferecer ao longo de seus capítulos restantes. Não poupando os nossos olhos (e nem os dos personagens!) das explosões e da pancadaria, La Casa de Papel não perde tempo, mostra seu grandioso potencial em primeira instância e já anuncia mais uma leva de episódios repletos de reviravoltas, confusões internas e um Professor cada vez mais tenso. Realista ao ponto de tratar nossos protagonistas como criminosos entusiastas, a nova temporada é franca em dizer que agora não há mais espaço para amadorismos nesta nova missão. Que o resto da série siga assim também, amém. 

 



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