A franquia ‘Alien’ é, sem sombra de dúvidas, uma das mais icônicas da história do cinema. Arquitetada por Ridley Scott em 1979, o filme de terror tornou-se um sucesso sem precedentes dentro do gênero e auxiliou produções similares a serem respeitadas e prestigiadas dentro da sétima arte – além de apresentar um escopo que ainda não havia sido explorado. Afinal, como bem lembramos, a tagline oficial do longa-metragem (“no espaço, ninguém pode te ouvir”) rendeu inúmeras releituras e homenagens nas décadas subsequentes – além de ter dado vida a sequências e pré-sequências que, no geral, conquistaram o público e a crítica.
Após ‘Alien: Romulus’, o mais recente capítulo da franquia cinematográfica, a Walt Disney Studios (detentora dos direitos intelectuais da saga) percebeu que poderia expandir ainda mais o universo. Não é surpresa que, agora, somos convidados a uma nova história que se passa no nosso amado planeta – e que, como podíamos imaginar, é açoitado pela presença não apenas dos mortais xenomorfos, mas de outras criaturas espaciais que transformarão a Terra em um palco regado a sangue e a mortes.
Mantendo os spoilers longe dos nossos leitores, posso dizer que o primeiro episódio de ‘Alien: Earth’ se comporta como um piloto deveria – apresentando, de maneira não convencional, os personagens principais e coadjuvantes que irão povoar a história. Munido de uma paixão inexplicável pelo clássico conto ‘Peter Pan’, o produtor e showrunner Noah Hawley abraça as investidas anteriores para construir um enredo único e que mantém-se fiel ao estilo explorado pelo realizador em títulos como ‘Fargo’ e ‘Legion’. Em outras palavras, Hawley destitui, ao menos por enquanto, as incursões do terror e do suspense para explorar um futuro quase distópico movido por um crescente drama que irá se transmutar em uma angustiante jornada pela sobrevivência.
Diferente das investidas predecessoras, a personagem principal emerge em Wendy (Sydney Chandler), a primeira híbrida da história (ou seja, uma pessoa que teve sua consciência humana transferida para um corpo sintético), que serve como recruta e assecla do magnata Boy Kavalier (Samuel Blenkin), fundador e CEO da Prodigy Corporation. E, logo de cara, percebemos que ela ainda nutre de um amor incomparável pelo irmão, CJ (Alex Lawther), que é chamado para investigar uma nave que cai na Terra. CJ acha que a irmã está morta, mas Wendy faz questão de protegê-lo. E, acompanhados de nomes Timothy Olyphant, Essie Davis e outros, o elenco faz um sólido trabalho ao ofuscar os pontuais deslizes com ótimas atuações e um inegável comprometimento.
O escopo épico eternizado pelos filmes é mantido em partes por Hawley, que prefere construir uma narrativa mais “humanizada”, por assim dizer. E, enquanto se apossa das rédeas tanto da direção quanto do roteiro, algumas escolhas não funcionam como deveriam: aqui, refiro-me a aspectos técnicos que incluem um uso incessante de cross-fades datados e que não fazem muito sentido dentro do espectro arquitetado, criando alguns obstáculos rítmicos pelo caminho. Felizmente, o episódio progride em um crescendo notável e que termina com um ótimo gancho.
Lembrando que ‘Alien: Earth’ estreia no dia 12 de agosto no Disney+.
