Primeiras Impressões | O Mundo Sombrio de Sabrina: Uma releitura obscura e madura para os amantes do terror

Primeiras Impressões | O Mundo Sombrio de Sabrina: Uma releitura obscura e madura para os amantes do terror

Nota:

Sabrina, Aprendiz de Feiticeira foi um clássico capaz de se imortalizar entre os fãs que cresceram nos anos 90 e 2000, ao som das inúmeras séries do catálogo da Nickelodeon. E 22 anos após sua estreia, a amada bruxa retorna para as TVs, em uma releitura que se esquiva da versão original estrelada por Melissa Joan Hart, entregando uma perspectiva mais sombria, obscura e madura. O Mundo Sombrio de Sabrina ignora o cômico e peculiar passado e faz das histórias em quadrinhos homônima sua bússola norteadora para o que promete ser uma sucessão de boas aventuras adolescentes sinistras, que é menos teen do que você esperaria.

O investimento da Netflix em séries originais é surpreendente e se solidifica a cada nova estreia. Com qualidade fílmica, escolha certeira do elenco e um roteiro bem desenvolvido, as produções que recebem sua assinatura cativam por unir – com maestria – o POP com o substancial, inerente ao gênero cult. E em O Mundo Sombrio, vemos essa bela combinação, em uma trama bem amarrada e enxuta – pelo menos em seus primeiros episódios, que une os aspectos de uma produção coming of age, abordando a transição da adolescência de uma jovem garota com sangue bruxo, cercada pelos temores e sagacidade do submundo do ocultismo e pelas durezas da vida real de uma adolescente que vive seu primeiro amor.

E pela perspectiva da talentosa Kiernan Shipka, Sabrina ganha uma versão mais delicada e sensível. Construindo um equilíbrio excepcional entre a inocência da idade e a destreza de alguém que é perspicaz, a jovem atriz que – genuinamente – iniciou sua carreira em uma das melhores séries existentes, Mad Men, prova seu valor, a partir de uma caracterização grandiosa de um clássico bem conhecido pelos fãs noventistas. Assumindo a identidade de uma figura que, teoricamente, tem o “melhor” de dois mundos completamente adversos, ela imprime a insegurança conflituosa de fazer uma única escolha para o resto de sua vida, pressão que confundiria qualquer um, seja adolescente ou não.



Com a maturidade de também perceber o contexto social que nos cerca, O Mundo Sombrio de Sabrina é contemporânea ao seu tempo, fazendo da representatividade e dos diálogos sobre assédio sexual, misoginia e machismo um dos nortes para o desenrolar de seus episódios. Construindo personagens que são reflexos destes tempos modernos em que vivemos, as discussões que permeiam as rodas de conversas, talk shows, telejornais e núcleos familiares são exploradas no roteiro, desde à consolidação da trama, passando pela linguagem corporal de cada qual e por seus próprios posicionamentos. Emponderada e decidida, Sabrina vai além de um simples rostinho bonito e cria ao redor de suas macabras aventuras desdobramentos sócio culturais importantes para os dias atuais.

Com uma trama bem trabalhada em seu início, a série original da Netflix não é maçante, tão pouco prolixa. Mostrando a que veio logo na primeira meia hora de seu episódio inaugural, O Mundo Sombrio não tem medo do gore, seguindo o próprio mote da personagem título, “quanto mais sangue, melhor”. Com características cults que se apresentam em um trilha sonora bem oldschool, no clássico A Noite dos Mortos-Vivos e em conversas quase maduras demais sobre a essência do cinema de horror, a produção ainda conta com uma estética underground. Ao fazer pouco uso da luz natural, o sol parece não brilhar na pequena cidade de Greendale, principalmente com uma direção que manipula as sombras, em uma paleta de tons escuros. O design de produção segue o mesmo direcionamento, flertando com o arcaico e o barroco.

Ainda é muito cedo dizer quanto a todos os demais episódios não vistos, mas para início de conversa, O Mundo Sombrio de Sabrina cativa de primeira, faz um contraste realista de como o “Senhor das Trevas” (leia-se Diabo) opera e ludibria, à medida que constrói um terror consistente. Prendendo a audiência com uma morte inesperada logo em seu primeiro capítulo, a tensão não perde tempo em aparecer e começa a estabelecer o que parece ser mais uma excelente promessa do catálogo de originais Netflix.





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