Santos Dumont foi um aeronauta, esportista e inventor brasileiro. Foi quem projetou, construiu e voou os primeiros balões motorizados a gasolina. A ele é atribuído a invenção do primeiro protótipo de avião, em 1906, embora os norte-americanos confiram a invenção aos irmãos Wright. Mas, verdade seja dita: embora Santos Dumont empreste seu nome a um dos principais aeroportos brasileiros e seja um dos cidadãos mais notórios desta pátria, nós, brasileiros, pouco sabemos sobre sua história. Portanto, a série ‘Santos Dumont’, que estreou dia 10 de novembro na HBO, antes de tudo vem dar a devida importância à trajetória deste que, além de brasileiro, foi um dos mais importantes inventores do mundo.

Santos Dumont’ é uma produção ambiciosa, ambientada no Brasil e na França, com filmagem em Petrópolis e outras locações e possui até mesmo cenas em stop motion (como a do vagão desgovernado, no 1º episódio). Além disso, é falada em quatro línguas – português, espanhol, francês e inglês –, com requinte de figurino e de cenário, impecavelmente construídos para ajudar a ambientar o fim do século XIX. Um deslumbre! O mesmo, porém, não pode ser falado da iluminação, que, semelhante ao longa ‘Kardec’, possui cenas extremamente escuras, em que até mesmo o rosto de certos personagens fica difícil de distinguir, além do som, abafado, que por vezes pareceu ser captado de muito longe.


No papel principal, o pequeno Alberto (Guilherme Garcia) transmite a curiosidade e a inocência de uma criança estudada e com recursos, cheia de ideias; já mais velho, o protagonismo é levado pelo ator João Pedro Zappa, que, ao menos no primeiro episódio, apresentou um Santos Dumont afetado, tímido, preocupado com a estética e, basicamente, um filhinho de papai inteligente com dinheiro suficiente para bancar as próprias extravagâncias científicas. Difícil saber se esse retrato vai agradar aos brasileiros.

Construída em seis episódios de uma hora de duração, o roteiro de Pedro Motta Gueiros e Gabriel Mariani Flaksman propõe intercalar momentos da infância do pequeno rapaz arteiro em Ribeirão Preto, em 1884, e a juventude prodigiosa em Paris, em 1898, de modo a correlacionar as invencionices de criança às inovações adultas.

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Embora este seja um recurso bastante utilizado em produções (especialmente aquelas com pouco espaço para se expandir), a técnica acaba por afastar o espectador, que não consegue acompanhar o crescimento e a evolução do personagem principal e, portanto, não constrói uma ligação afetiva com ele. É claro que o público quer ver Santos Dumont criando o avião – pois é esta a parte da sua história que permeia o imaginário popular – porém, talvez se o espectador pudesse se aproximar do seu universo de forma linear e crescente, então talvez a gente terminasse de assistir o episódio com uma sensação de quero mais.


Aguardemos os próximos episódios.

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