Primeiras Impressões | Steve Carell navega por conflitos intergeracionais na comédia ‘Rooster’, da HBO


O texto a seguir discorre sobre o primeiro episódio da série.

Os conflitos intergeracionais sempre foram alvo de apreço pela indústria do audiovisual, já tendo aparecendo de diversas maneiras através de incontáveis gêneros artísticos e narrativos – e transformando-se em um arquétipo que constantemente revoluciona a si próprio, mas que não perde a atemporalidade. Apenas nos últimos anos, tivemos a elogiada animação ‘Red – Crescer é uma Fera’, que se apropriou dos elementos culturais dos anos 2000 para uma história entre mãe e filha; a subestimada tragicomédia ‘Álbum de Família’, estrelada por Meryl Streep e Julia Roberts; e a divertida fantasia ‘Sexta-Feira Muito Louca’, com Jamie Lee Curtis e Lindsay Lohan.

Agora, a HBO resolve nos apresentar a mais uma produção centrada nesse tema: ‘Rooster’. A comédia, estrelada por Steve Carell, é centrada em um popular autor chamado Greg Russo, que é chamado para palestrar na universidade em que a filha Katie (Charly Clive), com quem tem um relacionamento complicado, trabalha. Enfrentando um forte encontro ideológico de gerações e percebendo que está numa corda-bamba que a qualquer momento pode romper, Greg é arrastado para um escândalo passional envolvendo Katie e o agora ex-marido Archie (Phil Dunster), que a deixou por causa de uma aluna, Sunny (Lauren Tsai).

A partir daí, o protagonista se vê em uma jornada de amadurecimento tardia em que é forçado a confrontar o passado, o presente e o prospecto de um futuro que será ditado por uma nova geração que definitivamente desconhece, visto que até mesmo sua abordagem para com a filha escorrega aqui e ali. E, nos infundido em um profundo estudo de personagens que começa a explorar seu potencial completo logo de cara, a nova série de uma das emissoras mais bem-sucedidas da atualidade é prática e funcional em sua completude, reduzindo o escopo cênico para dar atenção máxima a complexos e falhos personagens.

Carell tem uma expressiva carreira tanto no cinema quanto na televisão – e, no circuito seriado, migrou do drama para o suspense para a comédia com títulos recentes como ‘The Morning Show’, ‘O Paciente’ e ‘As Quatro Estações’. Agora, ele permanece com seu apreço imortal pela comédia ao eternizar Greg Russo com uma identidade que apenas ele poderia nos fornecer, transformando-o em um anti-herói confuso e descompensado que, frustrado com o rumo que sua vida tem tomado há algumas décadas, parece ter sido arremessado a uma sucessão de tropeços e impulsões que lhe dão profundidade e dialogismo o suficiente para nos envolver com seu carisma peculiar.

O projeto é encabeçado por Bill Lawrence, um veterano do gênero responsável por trazer à vida obras como ‘Scrubs’ e ‘Cougar Town’ – e, aqui, aliando-se a Matt Tarses, encontra o que podemos encarar como um de suas melhores incursões. É claro que alguns deslizes ocorrem aqui e ali, mas precisamos nos lembrar de que este é apenas o primeiro episódio e, dessa forma, o trabalho da dupla de nos apresentar à narrativa principal encontra formidável terreno para ser cultivado. E, à medida que ramificações são criadas, o fio condutor permanece no conflito explosivo entre a Geração Z, os millenials e os baby boomers, que se espalham em situações hilárias e, ao mesmo tempo, centradas em uma verossimilhança assustadora que finca a série em um ácido comentário sobre o hoje.

O tom da série pode soar despojado demais para parte do público, mas cumpre com o objetivo de enfatizar as dinâmicas entre os protagonistas e coadjuvantes. Mais do que isso, ajuda a trazer um dinamismo que, em tantas outros produções similares, às vezes está ausente – e a explosiva química do elenco, que ainda inclui Danielle Deadwyler como a contundente professora Dylan Shepard, ajuda a manter o ótimo ritmo da narrativa. Todavia, não se enganem com a leveza estética que se desenrola em breves trinta minutos, pois Lawrence e Tarses sabem como dosar a despreocupação com um ótimo e emocionante drama que deve ser esquadrinhado nas próximas semanas.

Apesar dos convencionalismos e de algumas escolhas óbvias que aparecem no episódio piloto, ‘Rooster’ é uma boa adição ao extenso e expansivo catálogo da HBO, reunindo ótimos atores e atrizes que têm momento de sobra para brilhar – com destaque à magnética e certeira presença de Carell em um de seus papéis mais honestos e bem estruturados.

Lembrando que o próximo episódio vai ao ar no dia 15 de março.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.