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Primeiras Impressões | The Family Stallone – Reality com Família do Astro de ‘Rocky’ Mostra Que Brucutus Também Amam….


Sylvester Stallone é um nome que não precisa ser explicado. Lenda do cinema e dos filmes de ação, o ator construiu um legado imbatível em cerca de 50 anos de carreira, o que o elevou a um dos postos referência no gênero, independentemente de a pessoa gostar de filmes de ação ou não. Acontece que boa parte dessa aura de lenda foi construída a partir de um estereótipo de masculinidade encabeçados e difundidos durante os anos 80 e 90 que trazia Stallone como modelo do homem másculo, brucutu, livre de emoções e incapaz de chorar, como vemos em ‘Rambo’. Agora, aos 76 anos, o ator vem tentando se reinventar na mídia e tem sido bem sucedido em suas apostas, sendo a última delas o próprio reality show inspirado em sua família, que estreou semana passada na Paramount+ com o nome ‘The Family Stallone’.

Na trama conhecemos personagens interessantes para além do biografado: sua terceira e atual esposa Jennifer Flavin, com quem está casado há 25 anos, e antes disso, ficara por dez anos conhecendo-a num relacionamento à distância; e suas três filhas, Sophia Rose, Sistine Rose e Scarlet Rose, frutos deste último relacionamento; por serem mulheres, a série mostra a ironia da vida do ator em viver numa casa rodeada pelo sexo feminino. Também conhecemos um pouco melhor o irmão, Frank, musicista de sucesso regional, e que de uma forma muito estranha, possui um verdadeiro altar ao irmão Sylvester dentro de sua própria casa, incluindo uma cama usada e doada por Sly a ele, onde uma das filhas teria sido feita, e um busto do abdome de Sylvester no meio da sala. Eu heim.



Dividido em episódios curtinhos com menos de 30 minutos de duração, a trama principal da primeira temporada de ‘The Family Stallone’ são duas: a dificuldade que as filhas têm de fazer o pai Stallone entender que elas já são adultas é se envolvem amorosamente com rapazes e que nessas relações ela precisa da aprovação do pai, e em contrapartida, a dificuldade que os pais vão ter com a saída de casa da primeira filha, que vai morar na faculdade.

Conteudisticamente, a série entretém pra caramba. O grande diferencial de ‘The Family Stallone’ com outros realities, como ‘The Kardashians’, é que as personagens aqui são divertidas e fazem um contrabalanço muito interessante com relação ao pai, esse cara sisudo e que o tempo todo, quando o assunto é meninos, fecha a cara e entra no modo Rambo. É claro que a futilidade está lá, afinal, estamos falando da classe rica de Los Angeles, então, todo mundo dirige carrão e não tem preocupações profundas, mas isso se torna irrelevante porque os personagens são interessantes – ainda que, por suas vezes, pratiquem manias criticáveis e comuns nos EUA, como as jovens de menos de 20 anos fumar charutos e praticar tiro ao alvo como uma atividade desportiva.

Tecnicamente, a série traz algumas esquisitices: por exemplo, a maquiagem das três filhas e de Jennifer, em tons estranhamente amarelados com um blush sobreposto que literalmente fica visível na televisão; a mesma maquiagem funciona perfeitamente para Sylvester, o que dá a entender que a equipe de maquiagem pensou apenas no biografado e esqueceu de considerar o tom de pele e o gênero na hora de maquiar as mulheres da série. Também o ângulo dos depoimentos é meio esquisito – com frequência os depoentes são filmados de baixo para cima, mostrando as pernas no canto da tela esquerda e deixando um espaço enorme branco para o lado direito, o que acaba alongando as três jovens que já são altas e magras, prevalecendo o fundo branco em vez de focar na pessoa que está falando.

A série terá episódios semanais e logo no primeiro temos a participação de ninguém menos que Al Pacino. Se você conseguir assistir sem se incomodar com esses pontos, ‘The Family Stallone’ é um passatempo divertido, que traz um lado mais carismático e suavizado de Sylvester Stallone.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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