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Primeiras Impressões | Um Amor no Paraíso – Novo Kdrama da Netflix Debate Longevidade e Etarismo no Amor


Quando duas pessoas se casam, uma das frases mais comuns ouvidas no momento da cerimônia é “até que a morte os separe”. Embora muitos esqueçam o verdadeiro significado dessas palavras, a intenção de uma frase como essas é que o casal ficará juntos por toda a vida, superando todas as dificuldades e adversidades, e somente com a morte de um ou de ambos os indivíduos, aí sim o casal por fim de separaria – na eternidade. Mas e se também lá as pessoas pudessem e quisessem ficar juntas? Esse é o pontapé inicial de ‘Um Amor no Paraíso’, novo dorama da Netflix que chegou recentemente à plataforma e tem feito muito sucesso dentre os assinantes.

Desde o dia que conhecera seu futuro marido, Lee Hae-sook (Kim Hye-ja) só teve olhos para ele, mas toda a sua promissora vida de recém-casada ruiu quando Go Nak-joon (Son Suk-ku) sofreu um acidente e ficou paraplégico. A partir desse dia Lee Hae-sook passou a cuidar de Nak-joon em todas as suas necessidades, enquanto ele, acamado, tentava manter o clima leve. Com o passar dos anos, as contas chegando e ambos envelhecendo, Hae-sook tentando sempre amenizar tudo para o marido, e, antes de falecer, Go Nak-joon diz à esposa que em todos esses anos ela nunca estivera tão linda. Triste demais com a viuvez, Hae-sook passa seu conhecimento para Lee Young-ae (Lee Jung-eun), uma jovem a quem criara. Quando Lee Hae-sook morre, ela se surpreende ao chegar no paraíso, pois lhe perguntam qual aparência gostaria de ter no post mortem. Lembrando-se do que seu marido lhe dissera, Lee decide manter sua fisionomia de uma mulher de 80 anos, porém, quando finalmente reencontra o marido, ele voltou a ser um jovem de vinte e poucos anos.



Dividida em doze episódios (cujos dois últimos serão disponibilizados no próximo final de semana), e com cada parte girando em torno de setenta minutos, ‘Um Amor no Paraíso’ entrega todos os elementos típicos (e desejados) num dorama de qualidade. Tem amor, tem humor, tem drama, tem reflexão, tem personagens complexos com uma camada externa que esconde todas as suas dores, tem pitadas da cultura da Coreia do Sul para deliciar os dorameiros brasileiros.

Dirigido por Suk-Yoon Kim, a minissérie sul-coreana vai desfiando seu enredo aos poucos, misturando bastante humor para não pesar o clima. Apesar dessa estratégia, em nenhum momento ela se passa como bobeirol, ao contrário: quando a gente menos espera entra um tema pesado, que é tratado com a devida deferência e seriedade, e, quando vemos, já estamos chorando horrores. No segundo episódio, por exemplo, que é o primeiro no paraíso e a protagonista está entendendo a dimensão de sua nova situação e não está sabendo lidar com o que está acontecendo, há momentos de partir o coração, e a gente se compadece não só de Lee Hae-sook, mas também de algumas almas que ela conhece por lá. Nem por isso o episódio se demora nessas situações, ao contrário: lhes confere o tempo necessário para que o espectador possa absorver toda a emoção que está dentro de si e termina o episódio mais leve, com uma situação boba que nos faz sorrir.

Com muita sensibilidade, ‘Um Amor no Paraíso’ tece uma história para debater dois temas muito importantes para a gente refletir: a longevidade e o etarismo, especificamente no âmbito do amor. A idade importa quando amamos? O amor dura para sempre, mesmo sendo nós, humanos, e, portanto, envelhecemos? Questões a se pensar enquanto gradativamente o espectador vai se apaixonando pela história fofa e criativa desse dorama que tem tudo para se tornar um dos favoritos de muitos dorameiros no Brasil.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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