Em 2003, a Walt Disney Studios lançava um inesperado projeto que marcaria época e que seria relembrado até os dias de hoje: ‘Sexta-Feira Muito Louca’. Funcionando como um remake do clássico estrelado por Jodie Foster, o longa-metragem de Mark Waters se afastou da atmosfera mais melancólica e sóbria da obra anterior e apostou fichas em uma divertida e comovente narrativa centrada em Anna (Lindsay Lohan) e Tess Coleman (Jamie Lee Curtis), mãe e filha que se veem no centro de um embate contínuo – até trocarem de corpo e enxergarem o mundo um sob a perspectiva da outra.
Tal qual foi nossa surpresa quando, em meados de 2023, a Casa Mouse anunciou uma sequência que viria a ganhar o título de ‘Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda’. O longa traz boa parte do elenco original de volta, incluindo Lohan e Curtis, e abre espaço para subtramas inéditas e atores e atrizes que trazem ainda mais brilho às telonas – e o resultado é simplesmente apaixonante, mantendo-se no mesmo nível do capítulo anterior, por mais que aposte em um enredo bastante semelhante.
Aqui, a diretora Nisha Ganatra (‘A Batida Perfeita’), que assume as rédeas do projeto, mostra ter amor e apreço significativos pela obra eternizada por Waters mais de duas décadas atrás, mas imprime sua própria identidade ao nos conduzir por uma jornada envolvente e muito hilária. É claro que não há muito do que fugir considerando os tropos do gênero explorado, e o roteiro assinado por Jordan Weiss expande esse universo ao aumentar os embates geracionais – sem se valer de ambições desmedidas e sem sequer tangenciar um problemático pedantismo cinematográfico.
Lohan e Curtis retornam de maneira gloriosa em seus respectivos papéis, mantendo-se fiéis aos laços concretizados no primeiro filme e mergulhando em uma realidade totalmente diferente e que inclui as jovens Harper (Julia Butters) e Lily (Sophia Hammons), aumentando o número de peripécias incríveis pelas quais o quarteto passa. E, para além da inegável e aplaudível química do elenco protagonista, temos a presença certeira de nomes como Chad Michael Murray, Manny Jacinto, Maitreyi Ramakrishnan e outros, cada um fazendo um ótimo trabalho em cena.
Escapar da nostalgia é uma tarefa complicada, mas Ganatra abraça o saudosismo de maneira honrosa e não como força-motriz, garantindo que qualquer pessoa – seja estreante nessa hilária “comédia de erros”, seja um fã inveterado que mal podia esperar por uma vindoura sequência – se divirta do começo ao fim.
Lembrando que o filme chega aos cinemas nacionais no dia 7 de julho.

