Um dos maiores ícones da infância brasileira está prestes a ganhar nova vida nos palcos. A boneca Susi, lançada pela Estrela em 1966 e que marcou gerações, retorna agora como protagonista de ‘Susi, o Musical’, idealizado e escrito por Mara Carvalho (‘Gala Dal’”), com músicas de Thiago Gimenes (‘Tom Jobim, o Musical’) e concepção e direção de Ulysses Cruz (‘Iron – O Homem da Máscara de Ferro’). Apresentado pelo Ministério da Cultura e com patrocínio do Itaú, o espetáculo une memória afetiva, crítica social, fantasia e canções inéditas. Produzido pela Ulysses Cruz Arte & Entretenimento, o musical estreia no dia 21 de fevereiro, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, com ingressos disponíveis pelo site da Sympla e na bilheteria local.
Na pele da Susi Original estará a cantora e atriz PRISCILLA, artista que iniciou sua trajetória ainda na infância, consolidou uma carreira sólida na música pop brasileira e vem ampliando sua atuação nos palcos e no audiovisual, destacando-se pela versatilidade vocal e cênica. O papel será alternado com a atriz Clara Verdier. Já a personagem Bárbara, rival simbólica que representa padrões importados e conflitos contemporâneos, será interpretada por Bruna Guerin. Representando outras versões e desdobramentos da boneca, estarão em cena Ariane Souza (Susi Safari), Luana Tanaka (Susi Fotógrafa), Daniela Dejesus (Susi Jogadora) e Beatriz Algranti (Susi Aeromoça/Swing). Entre os bonecos, o elenco conta ainda com Paulinho Ocanha (Kevin), Rodrigo Moraes (Falcon) e Leandro Melo (Beto). Já o pequeno Victor, filho da personagem Olga — vivida por Mara Carvalho — e protagonista infantil da narrativa, será alternado por Nico Takaki e Arthur Habert.

O musical acompanha a trajetória de Victor, um menino de imaginação fértil, hipnotizado pelo cotidiano limitante das telas que o impedem de enxergar o mundo como ele realmente é. Mergulhado em um sonho — ou seria um pesadelo? — Victor embarca em uma jornada fantástica na qual se defronta com seus medos e descobre novas perspectivas ao lado de Susi e de um grupo de personagens marcantes. Entre amigos e antagonistas, ele atravessa um verdadeiro rito de passagem, aprendendo a lidar com as transformações e contradições da infância rumo à adolescência.
Entre músicas, humor e emoção, o espetáculo aborda temas universais e contemporâneos, como identidade, autoestima, consumismo, feminismo, redes sociais, globalização e pertencimento, enquanto Victor descobre sua vocação e encontra um caminho de reconexão com sua própria história. A Susi, por sua vez, luta para reafirmar sua relevância diante das novas gerações, multiplicando-se em cena em diferentes versões — representando diversas profissões e etnias — que refletem a pluralidade da mulher brasileira e evidenciam sua resistência cultural frente ao brilho importado da concorrente internacional.
A ideia de transformar a boneca Susi em um musical surgiu de uma conversa entre Mara Carvalho e Ulysses Cruz, ainda em 2023, quando ambos comentavam sobre o impacto do filme ‘Barbie’, de Greta Gerwig. Foi então que Mara lançou a provocação: “por que não fazemos um musical sobre a Susi?”. A partir daí, nasceu o projeto que vem sendo desenvolvido desde então.

O diretor Ulysses Cruz destaca que o desejo de dar vida à montagem vem da vontade de explorar a ousadia artística e resgatar memórias afetivas da infância. Inspirado pelo impacto cultural da boneca e pela própria experiência com os brinquedos da Estrela, ele buscou construir uma narrativa inovadora, divertida e reflexiva. “Quero fazer um musical artístico, ousado, que vá além do óbvio. teatro musical é terreno fértil para muitos assuntos. Susi está nos dando a oportunidade de falar sobre temas que não são usuais dentro dessa linguagem. Susi é para divertir e refletir ao mesmo tempo”.
A autora e idealizadora Mara Carvalho também vê em Susi a oportunidade de dialogar com questões contemporâneas, como autoconhecimento, amor-próprio e padrões de consumo. Ao lado de Ulysses, ela construiu um enredo que combina humor, emoção e crítica social, além de resgatar um ícone da infância brasileira que foi substituído por referências estrangeiras. “Quis falar de um produto que é nosso e foi substituído. Susi é memória, identidade e também crítica ao país que cria e apaga seus próprios filhos. Espero que o musical emocione, resgate lembranças e traga questionamentos”, explica Mara, reforçando a intenção de criar algo humano e verdadeiro, capaz de tocar o público de forma profunda.
Com diálogos afiados, projeções visuais e um desfile final apoteótico, ‘Susi, o Musical’ alterna entre o universo real do quarto de Victor e o mundo simbólico das bonecas, promovendo reflexões sobre memória, individualidade e pertencimento, ao mesmo tempo em que explora o impacto da cultura de massa e a influência das novas gerações digitais.

A trilha sonora, assinada pelo diretor musical Thiago Gimenes, é parte essencial da dramaturgia: a instrumentação e a orquestração evidenciam de forma clara a identidade de cada personagem e o ritmo da narrativa. Entre eletrônico e acústico, rock, pop, MPB, rap, trap e sonoridades dos anos 1970, a música acompanha a trajetória de Susi e Victor, funcionando como extensão do texto e revelando o subtexto da história. “A identidade de cada personagem ganha voz própria, transitando por estilos diversos. A ideia é fundir o eletrônico e o acústico, o antigo e o novo, criando uma narrativa sonora múltipla e integrada. A música faz a narrativa avançar, alternando entre momentos delicados e grandiosos para contar a história da Susi e sua trajetória atemporal”, explica Gimenes, reforçando o caráter inovador da proposta e a imersão que o público terá no musical.
Além de Susi e sua rival, o musical apresenta personagens icônicos como Beto e Falcon, em situações que equilibram humor e crítica. Propondo uma experiência lúdica e emocional, que mistura passado e presente, diversão e reflexão, o musical convida o público a revisitar memórias e refletir sobre o futuro, questionando padrões impostos e reafirmando a autenticidade como valor essencial.
A montagem, que conta com o licenciamento da Estrela, reúne um time de diferentes criadores: Thiago Gimenes, responsável pelas músicas originais; Mara Carvalho e Thiago Gimenes, que assinam as letras; Rubens Oliveira, nas coreografias e direção de movimento; Verônica Valle, no cenário; Caia Guimarães e Deborah Casares nos figurinos; Alisson Rodrigues, no visagismo; Aline Santini, no desenho de luz; Gabriel D’Angelo associado com Fernando Wada, no desenho de som; Vanessa Veiga, na direção de elenco; Thiago de Los Reyes, na direção executiva; Andresa Gavioli, na produção executiva e Mauro Pucca na produção técnica.



