Os filmes de super-heróis têm a missão de nos levar a universos épicos, cheios de ação e emoção — mas às vezes, acabam nos presenteando com momentos tão desastrosos que viram verdadeiras fontes de vergonha alheia. Aqueles instantes em que a grandiosidade pretendida se esconde atrás de escolhas absurdas ou atuações questionáveis, nos fazendo rir quando queríamos sentir empolgação.
É justamente nessa mistura de amor e frustração que esses “fails” se tornam parte do charme cult das franquias. Porque, sejamos honestos, nada une mais os fãs do que lembrar juntos daqueles segundos em que o herói virou meme e a seriedade foi para o espaço — tudo isso enquanto a gente continua torcendo para o próximo capítulo. Pensando nisso, resolvemos reunir as 10 piores cenas contidas em um filme de super-herói. Confira.
“Fogo no parquinho” (Demolidor, 2003)

A “célebre” cena do duelo no parquinho entre Matt Murdock (Ben Affleck) e Elektra (Jennifer Garner) em ‘Demolidor‘ (2003) é tão sutil quanto um soco de Zack Snyder em câmera lenta. Dois adultos (um deles, cego) trocando acrobacias em brinquedos infantis, diante de uma plateia de crianças que claramente acharam tudo normal. Ficou parecendo mais um encontro do Power Couple com o Xou da Xuxa. É o único momento na história do cinema em que uma gangorra virou cenário para um flerte à base de artes marciais. Fora que destoa completamente do teor mais sombrio do resto do filme.
…é “fantástico” (Quarteto Fantástico, 2015)

Poderíamos citar qualquer cena de ‘Quarteto Fantástico’ (2015), um dos filmes mais flopados da história do cinema. Mas a cena final é bem propícia e fecha tudo com chave de b*sta. A cena final tenta entregar um momento épico, mas tropeça feia na obviedade. Na cena em questão, O Coisa, à vontade em sua nudez rochosa — porque aparentemente cueca é supérflua quando se é feito de pedregulho — solta um “isso é fantástico”, e Miles Teller, no melhor estilo “roteiro de quinta série”, tem um estalo: “Espere, eu tive uma ide… — “corta para os créditos”. Nunca antes o cinema viu um nome de equipe surgir com menos esforço e mais constrangimento.
“Kal-El, não!” (Liga da Justiça, 2017)

A imortal frase “Kal-El, não!”, dita por Gal Gadot em ‘Liga da Justiça‘ (2017), tem a intensidade emocional de um GPS avisando “recalculando rota”. Entoada com a paixão de quem lê bula de remédio, virou meme instantâneo — uma relíquia da era Snyder que sintetiza o talento dramático da atriz com a sutileza de uma aula de teatro dada por Tommy Wiseau. Gal Gadot é carismática, sem dúvida, mas quando o assunto é atuação, muitos ainda acham que seu superpoder é passar por cenas dramáticas com a mesma expressão de quem acredita estar arrasando ao cantar “Imagine”.
Martha! (Batman vs Superman, 2016)

Ah, o momento “Martha” de ‘Batman vs Superman‘ (2016) — aquele plot twist que tentou ser profundo, mas caiu no abismo do ridículo colocando um ponto final, antes mesmo do começo, na era Zack Snyder. No auge da porradaria entre dois heróis traumatizados e carrancudos, Batman decide que talvez não precise mais esmagar o Superman ao descobrir que… suas mães têm o mesmo nome?! É como se a guerra acabasse porque os dois gostavam de lasanha. Foi a tentativa mais ambiciosa da história de resolver um conflito com um grito de “amizade instantânea” patrocinado por telenovelas mexicanas.
O último suspiro (O Cavaleiro das Trevas Ressurge, 2012)

A trilogia de Christopher Nolan para o ‘Cavaleiro das Trevas‘ é praticamente irretocável. Praticamente. A morte de Talia al Ghul, vivida por Marion Cotillard em ‘O Cavaleiro das Trevas Ressurge‘ (2012), é o tipo de cena que faz até vilão de novela acreditar em canastrice. Após um discurso dramático no banco de um caminhão, ela solta um último suspiro que parece menos natural que os esquetes de Roberto Bolaños para ‘Chaves‘ — e então, desliga-se com a rapidez de quem foi vencida por dose cavalar de Rivotril. É um momento tão involuntariamente cômico que fez até fãs de Nolan duvidarem se aquilo era ensaio ou se a câmera só seguiu gravando por educação.
Bat-Cartão de Crédito (Batman & Robin, 1997)

Tão memorável hoje quanto em sua estreia nas telonas, o bat-cartão de crédito em ‘Batman & Robin‘ (1997), segue deixando os espectadores perplexos. Um momento que fez o mundo inteiro perguntar se Gotham também tinha programa de milhas. Em meio a uma disputa por um encontro com Hera Venenosa (Uma Thurman), Batman (George Clooney) saca seu “BatCard” com a desenvoltura de quem vai parcelar uma Batmoto em 12 vezes sem juros. A cereja no bolo? A validade eterna (trocadilho com “Batman Forever”, do filme anterior). Sim, o Cavaleiro das Trevas tem um cartão sem vencimento, porque o ridículo, nesse filme, também é infinito.
Bar do jazz (Homem-Aranha 3, 2007)

Este é o momento em que Peter Parker (Tobey Maguire), tomado pelo simbionte e por um surto de autoconfiança cringe, decide que virar um emo dançarino é a melhor forma de mostrar que está “mudado”. Com um penteado de vilão de novela turca e passos de quem assistiu a ‘Os Embalados de Sábado à Noite‘ demais, ele invade um clube de jazz, humilha Mary Jane (Kirsten Dunst) no palco e nos presenteia com uma aula de vergonha alheia. É a única cena em que um super-herói derrota sua própria dignidade — sem precisar de vilão nenhum.
Um estranho ruído (Kraven, 2024)

Em ‘Kraven – O Caçador‘ (2024), o momento em que o personagem de Alessandro Nivola reage à morte de seus capangas com um grunhido indecifrável — algo entre um mugido existencial e um soluço de rinoceronte — é pura poesia involuntária. A cena tenta evocar fúria e dor, mas o resultado lembra mais a esquisitice presente em algum filme alternativo de arte. É um instante tão bizarro que deveria ser estudado em escolas de atuação como exemplo de quando emoção e direção correm em sentidos opostos na savana da lógica.
X-Women (Fênix Negra, 2019)

De tudo que há errado em ‘Fênix Negra‘, o último filme de ‘X-Men‘ na Fox, uma cena se sobressai por tentar ser espertinha demais para o próprio bem – o que muitos podem ver com tentativa frustrada em “lacrar”. É algo que todo mundo já pensou, mas só esse filme teve a coragem de enunciar. Há um momento em que Mística, vivida por uma visivelmente entediada Jennifer Lawrence, solta a frase “Deveriam trocar o nome da equipe para X-Women, já que as mulheres vivem salvando os homens por aqui”. A intenção era empoderar, mas o efeito foi de reunião de RH com pauta de LinkedIn. Lançada no meio de um roteiro morno como sopa de vó, a fala soa menos como um grito de justiça e mais como alguém querendo ir embora do set antes das 17h. Se o feminismo tivesse um botão de “forçar relevância”, seria esse diálogo.
Basquete “requebra” (Mulher-Gato, 2004)


Deixamos o melhor para o final. Ou o pior. ‘Mulher-Gato‘, com Halle Berry, assim como outros itens da lista, possui uma infinidade de cenas ruins a serem escolhidas (que resultam no filme todo). Mas dentre tantas situações desgracentas, escolhemos a infame cena de basquete. A cena é uma coreografia de flerte tão constrangedora que faz comerciais de desodorante parecerem Shakespeare. Com cortes frenéticos, piruetas aleatórias e closes desconfortáveis, o jogo parece ter sido dirigido por alguém que só ouviu falar de basquete através do remake de ‘Homens Brancos não sabem Enterrar‘ (que aposto que você nem sabia que existia). É como se um videoclipe dos anos 2000 tivesse feito um filho com um comercial da Nike e depois se arrependido. Nunca o esporte sofreu tanto — e isso inclui o time do Vasco em 2013.
