Rambo, Rocobop e os filmes Inusitados dos 80s que Viraram Desenho

Rambo, Rocobop e os filmes Inusitados dos 80s que Viraram Desenho



Ah, os anos 1980. Só quem viveu sabe. A época em que o politicamente correto era arremessado de forma violenta pela janela, viu o lançamento de alguns dos filmes mais cultuados da história. Muito se deve pelo fato de que foi em tal década que o cinema entretenimento foi consolidado.

Muitos destes filmes, embora não fossem recomendados para todos os públicos e para os menores de idade, fizeram um enorme sucesso com a criançada e os jovens na era das videolocadoras – esta foi a década da consolidação do mercado de home vídeo também, com alguns filmes inclusive fazendo mais sucesso e sendo redescobertos nas prateleiras após terem passado em branco nas salas de cinema.

Assim, os produtores e donos dos direitos autorais viram a oportunidade de licenciar sua marca e ganhar mais algumas malas de dinheiro, comercializando seu produto para as crianças, na forma de bonecos, lancheiras e todo tipo de merchandising. Ah sim, é claro, muitos deles viraram desenhos animados para os pimpolhos.  O curioso é que alguns eram filmes extremamente violentos, lascivos e impróprios para as crianças. O CinePOP resolveu relembrar alguns dos filmes mais inusitados a ganhar versões animadas para a TV. Vem conhecer e como sempre, não deixe e comentar.

Rambo: A Força da Liberdade

Em vias de estrear seu quinto filme nos cinemas, o personagem Rambo já foi um desenho animado nos anos 1980. Rambo não tem nada a ver com crianças, é um filme violento e sanguinário, que fala sobre um veterano da guerra do Vietnã voltando para casa e não encontrando mais lugar no país que foi defender, começando assim sua própria guerra particular com a polícia.

Mas o sucesso mesmo veio a partir de sua continuação, Rambo II – A Missão (1985), que além de transformar Sylvester Stallone num astro absoluto, foi um dos maiores sucessos do ano (e da década) e viraria até mesmo garoto propaganda pro governo Ronald Reagan. Rambo 2, apesar do grafismo, caiu tanto no gosto da criançada que no ano seguinte de seu lançamento emplacava um desenho animado – este muito mais amigável aos pequenos – mostrando o brucutu ao lado de uma equipe combatendo terroristas pelo mundo. E é claro que ganhou uma linha de bonecos também. O programa durou apenas uma temporada, mas com 65 episódios exibidos ao longo de 1986.

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Robocop: A Série Animada

O filme Robocop – O Policial do Futuro (1987), de Paul Verhoeven é pura visceralidade, e deixou muitas crianças daquela geração sem dormir. Logo quando o policia Alex Murphy (Peter Weller) é abatido, o filme faz questão de enfatizar de maneira muito gráfica a cena, e no sadismo dos criminosos – num momento extremamente sórdido. E daí seguiam piadas com prostitutas, drogas, desonestidade empresarial, falta de escrúpulos, mortes explícitas, muito sangue, pessoas derretidas por ácido e por aí vai. É claro que a criançada daquela geração consumiu feito água.

E foi no ano seguinte deste épico subversivo da ultraviolência (e grande mensagem social – que ainda não envelheceu) que era lançado o cartoon do policial meio homem, meio máquina. Afinal, era muita tentação ter um personagem tão legal sem que as crianças pudessem se relacionar. E o desenho veio antes mesmo das continuações, que chegaram em 1990 (com uma sequência ainda caprichando no teor impróprio, como a criação de uma nova droga e uma criança comandando o crime organizado) e 1993 (esta terceira parte sim, já remodelada para uma censura bem mais baixa). O desenho durou apenas uma temporada, com 12 episódios, em 1988.

Loucademia de Polícia

Muitos associam a franquia aos últimos capítulos, cada vez mais mergulhados no besteirol e no nonsense de seus esquetes, e por que não, cada vez mais sem graça. Mas se voltarmos ao Loucademia de Polícia original, lá de 1984, encontraremos uma típica comédia lasciva da década de 1980, com direito a muita sacanagem, nudez e até mesmo piadas com sexo oral e prostitutas, repetida duas vezes ao longo do filme. Temos também um sujeito que se veste de mulher para poder passar a noite no alojamento feminino e um bar homossexual de sadomasoquismo – quem poderia esquecer do Blue Oyster.

Aos poucos os filmes foram ficando mais infantilizados ao longo de seus exemplares na década de 1980 (a franquia lançava praticamente um filme por ano). Mas foi depois do quarto filme (1987), com a saída de Steve Guttenberg, o Mahoney, que tudo iria por água abaixo nos próximos três exemplares. Foi nesta época também que os envolvidos lançaram uma série animada, em 1988, ainda utilizando o personagem de Guttenberg – o mais memorável da franquia. O desenho durou duas temporadas de 64 episódios, de 1988 a 1989.

Os Fantasmas se Divertem

Nos anos 1980, filmes que misturavam elementos de terror com comédia ficaram famosos. Mas não eram como os terrir de hoje em dia, que não metem medo em ninguém, e possuíam cenas verdadeiramente intensas – que se tiradas de contexto passariam perfeitamente como pertencendo a uma obra do gênero mais assustador de todos. Filmes como As Bruxas de Eastwick (1987) – que fala sobre a vinda do diabo à Terra -, Meus Vizinhos São um Terror (1989) – que mostra um grupo de moradores dos subúrbios descobrindo que seus vizinhos são psicopatas assassinos – e este Os Fantasmas se Divertem (Beetlejuice, 1988), primeiro filme de sucesso de Tim Burton.

No filme, um casal morre e volta como fantasmas, presos para sempre em sua casa, precisando se ajustar à nova realidade. Os desencarnados ganham muitas dicas “profissionais” de assessores do outro lado, e dá-lhe criaturas grotescas. Mas nenhuma se compara ao espírito mais canalha do além vida, Beetlejuice, interpretado por Michael Keaton. A assombração só pensa em sexo (inclusive numa cena indo passar a noite num prostíbulo) e em como vir parar no nosso mundo de vez, para isso tentando se casar com uma jovem deprimida (Winona Ryder). Na série animada, temos a improvável amizade entre Lydia (Ryder) e o morto-vivo Beetlejuice “se metendo em altas confusões”. O programa durou 4 temporadas, com 94 episódios, de 1989 a 1991.

Os Caça-Fantasmas

Este é um item similar ao de cima. Os Caça-Fantasmas também foi um filme que misturava tais elementos com maestria. Na verdade, ele foi o precursor de tal “subgênero” e foi graças ao seu sucesso em 1984, que diversas outras produções (como todas as citadas acima) resolveram surfar em tal onda. O filme tem algumas cenas dignas de filmes de terror, como a transformação de Dana (Sigourney Weaver) em seu apartamento.

Mas o longa protagonizado pelo cínico e debochado Bill Murray e companhia fez tanto sucesso que gerou uma desenho animado dois anos depois, antes mesmo da continuação do filme (lançada em 1989). De todos da lista, este foi o desenho mais bem sucedido. O cartoon fez um tremendo sucesso e durou nada menos que sete temporadas de 140 episódios, de 1986 a 1991. Mas a animação teve um problema de direitos autorais, pois no mesmo ano era lançado o desenho Os Fantasmas (Ghostbusters), baseado na série de TV homônima em live action de 1975, sobre uma dupla de investigadores paranormais e seu gorila. Tanto a série com atores reais quanto a animação morreram na praia com apenas uma temporada cada. O fato fez com que Os Caça-Fantasmas ficasse conhecido como The Real Ghostbusters em sua versão animada.

Karatê Kid

O filme original de 1984 falava sobre bullying. Sobre como um jovem de origem humilde sofria nas mãos de valentões do colégio após se mudar para uma nova cidade. Sua solução é começar aprender karatê para poder se defender. E quem o ensina é um mestre diferente, o faz-tudo de seu condomínio, o japonês Sr. Miyagi. O filme fez um baita sucesso e gerou duas continuações, em 1986 e 1989.

Novamente em voga devido à série do Youtube, Cobra Kai, a franquia Karatê Kid ganhava sua versão animada em 1989, no mesmo ano em que o último exemplar chegava aos cinemas. Assim, Daniel San e Sr. Miyagi viviam histórias ainda mais incríveis do que no cinema e, é claro, apaixonavam todas as crianças, virando inclusive bonecos.

O Garoto do Futuro

A série Teen Wolf, do canal Warner, fez muito sucesso com os adolescentes, com seus conflitos “Crepusculescos”. Mas o que muitos talvez não saibam é que tal série juvenil é baseada num filme dos anos 1980, intitulado O Garoto do Futuro (1985). Capitalizando em cima do sucesso de Michael J. Fox, esta é uma história de lobisomem diferente, na qual a “maldição” herdada de sua família transforma um jovem retraído em um cara descolado e muito habilidoso – além de muito mais peludo. O próprio título em português, aparentemente sem qualquer sentido, foi só para criar ligação com o mega sucesso De Volta para o Futuro, também estrelado por Fox.

O filme teve inclusive uma descarada continuação em 1987, estrelada por Jason Bateman. Antes disso, no entanto, virava desenho animado num programa exibido por duas temporadas de 21 episódios, entre 1986 e 1988.

O Vingador Tóxico

Aqui o nível de WTF atinge a nota máxima. Filme trash que virou cult, O Vingador Tóxico (1984) é um terror muito violento, mas que ganha contornos cômicos devido à sua trama louca, além é claro de sua produção pobre. Um nerd que vive sendo humilhado cai num tonel de produtos químicos no último bullying que sofre, ficando extremamente deformado. Com o tempo, ele fica também musculoso, super habilidoso e forte, uma espécie de Sloth dos Goonies ainda mais feio.

O sujeito decide usar sua nova condição para combater o crime, além de se dar bem com as mulheres (acredite) e se vingar de seus algozes. O filme rendeu algumas continuações, uma pior que a outra, e surpreendentemente um desenho intitulado Toxic Crusaders, que mostrava o “herói” ao lado de outros amigos mutantes combatendo o mal. O programa chegou de forma tardia em 1991 e durou apenas uma temporada de 13 episódios.

Tomates Assassinos

Outra produção trash que virou cult e inexplicavelmente gerou uma animação para a TV. Ainda pior e mais nonsense que O Vingador Tóxico, O Ataque dos Tomates Assassinos (1978) é baseado num curta de mesmo nome, de 1976, do próprio John De Bello, que comandou o longa. A história se resume em tomates gigantes que atacam e matam pessoas rolando até elas. Uma continuação foi produzida em 1988, mas foi só a partir do terceiro filme que os tomates começaram a ganhar bocas, rostos e personalidades.

A animação com a mesma premissa, e já trazendo os tomates com faces e vozes, foi lançada em 1990 e durou duas temporadas de 21 episódios até 1991.

Bill & Ted

Keanu Reeves e Alex Winter estão a toda gravando a volta de seus queridos personagens descerebrados 29 anos depois de sua última aparição nas telonas. Os jovens fanáticos por música, que viajam no tempo em uma cabine telefônica, agora serão homens de meia idade. Resta saber se sua inteligência mudou. Bill & Ted: Encare a Música será lançado em 2020.

Voltando aos anos 80, Bill & Ted apareciam pela primeira vez em 1989, com Uma Aventura Fantástica, e retornavam, com direito a uma brincadeira com a morte, em 1991 com Dois Loucos no Tempo. Entre os dois primeiros filmes era lançado o desenho As Aventuras de Bill & Ted, aproveitando o status cult do original. Apesar do programa ter durado apenas duas temporadas de 21 episódios, de 1990 a 1991, os próprios Reeves e Winter emprestaram suas vozes aos personagens na animação.

Highlander

Highlander é um filme de 1986 sobre guerreiros imortais vivendo desde a época da Escócia antiga, que precisam se digladiar, decapitando uns aos outros, a fim de restar apenas um. O filme se tornou um sucesso cult, conquistando muitos fãs após seu lançamento em vídeo. O sucesso fez gerar uma continuação em 1991, com uma história que não tinha nada a ver com o original. Foi lançada ainda uma terceira parte, mais desnecessária que a anterior, em 1993.

Foi após esta trilogia involuntária que o desenho animado estreou, em 1994. Assim como a parte dois, a animação se passa no futuro. O programa durou duas temporadas de 40 episódios, entre 1994 e 1996.

De Volta para o Futuro

Por falar em Michael J. Fox, seu filme de maior sucesso também gerou uma estranha animação. De Volta para o Futuro (1985) é um dos filmes mais amados dos anos 80 e da história do cinema em si. O filme fez uma brincadeira em sua última cena e não havia verdadeiramente planejado uma sequência. Tanto que ela demorou a sair – quatro anos para ser mais exato, lançado de forma quase simultânea, num intervalo de um ano, com a terceira parte e encerramento da trilogia.

O que aconteceu foi que o filme ganhou ainda mais popularidade com as sequências, fazendo a trama sobre viagem no tempo em um DeLorean voltar à tona. Assim, decidindo continuar a história, mesmo que em outra mídia, os realizadores optaram por transformar as aventuras de Marty McFly e Doc Brown em um desenho animado. O seriado estreou um ano depois do terceiro filme, em 1991, e durou duas temporadas de 26 episódios até 1993.

Droids e Ewoks

A franquia Star Wars jamais irá parar de fazer dinheiro. Hoje, em toda e qualquer mídia que você possa imaginar, Star Wars já esteve lá lucrando. De vídeo games, passando por HQs e livros, até bonecos e desenhos animados de todos os tipos. Além, é claro, de sua casa principal, os cinemas – a franquia lança no fim do ano A Ascensão Skywalker, encerramento da nova trilogia.

Nos anos 80, as coisas eram diferentes. Star Wars existia apenas nos cinemas, e quando as vídeo locadoras surgiram, os fãs puderam assistir novamente sua querida trilogia inúmeras vezes. Bem, isso se não contarmos com o malfadado especial de natal, um tiro no pé envolvendo a marca. Assim, antes de Star Wars ressurgir no imaginário popular em 1999 com A Ameaça Fantasma, duas séries animadas trataram de manter seu na boca do povo.

A primeira foi Droids, desenho que tinha como protagonistas os adorados robozinhos C3PO e R2D2. No mesmo ano era lançado o desenho Ewoks, que trazia como personagens os ursinhos igualmente adorados e odiados vistos em O Retorno de Jedi (1983). Na época, no entanto, sua aceitação foi boa o suficiente para gerar dois filmes solo para as criaturinhas peludas: Caravana da Coragem (1984) e A Batalha de Endor (1985), além de sua própria animação. Os dois programas animados duraram apenas duas temporadas cada.



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