A 19ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte foi um SUCESSO, com 80 mil acessos nas plataformas online e 2,2 milhões de visualizações nas redes sociais, com público de mais de 60 países.
Foram 101 filmes de 13 países em uma programação que incluiu atividades formativas, debates e sessões comentadas, provando que o evento é um importante centro do cinema latino-americano.
Em entrevista EXCLUSIVA ao CinePOP, Raquel Hallak – diretora da Universo Produção e coordenadora geral da Mostra CineBH e do Brasil CineMundi – revelou que gostaria de trazer Ricardo Darin para o 20º CineBH.
Ricardo Darín consolidou-se na televisão argentina, estreando no cinema com ‘Nove Rainhas‘ (2000) e alcançando fama internacional com filmes como ‘O Segredo dos Seus Olhos‘ (2009), vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Confira e siga o CinePOP no Youtube:
O prêmio de melhor filme da Mostra Território foi para “Quemadura China”, produção do Uruguai dirigida por Verónica Perrotta. Pela justificativa do júri oficial, a obra “ousa encarar de frente a fragilidade, lembrando-nos de que os corpos guardam memória e de que, mesmo na perda, pulsa a ternura”. A decisão destacou ainda “a beleza nascida do imperfeito, a ousadia estética e a entrega absoluta de seus intérpretes” e ressaltou a maneira como o filme entrelaça “o íntimo com o coletivo, o grotesco com o lírico, o teatral com o cinematográfico, num gesto de radical originalidade”.
Na categoria Melhor Presença, na qual o júri pode escolher livremente, foi escolhido o elenco de “Chicharras”, do México, dirigido por Luna Marán. A justificativa apontou que a obra retrata “atos de resistência dentro do território que percorre” e que experimenta “possibilidade de reinventar seus processos criativos e romper com as hierarquias individuais do cinema”. Foi apontada a consciência coletiva da produção: “Fazer filmes é um processo conjunto capaz de retratar a complexidade e o encanto de uma comunidade”.
O júri deu ainda um destaque à montagem de “Huaquero”, do Peru, dirigido por Juan Carlos Donoso Gómez. Foi enfatizado o caráter político e a densidade histórica do filme, que constitui “uma arqueologia de terras ainda habitadas por mistérios a serem revelados; uma síntese de oito anos que nos lembra que a verdadeira escrita do cinema está na articulação de suas imagens e sons”. A decisão destacou a capacidade do filme de “tornar visível o invisível, como na alquimia da prata, onde os halos ocultos na emulsão se revelam e se transformam em matéria perceptível”.
CineBH 2025 | Uma ótima sessão de curtas e dois longas-metragens que dialogam sobre a vida e a morte
O Prêmio Abraccine, dado por críticos de cinema, foi para “Punku”, também do Peru, dirigido por Juan Daniel Fernández Molero e descrito como “uma refinada arquitetura do (in)consciente, entre memória, sonho, mito e realidade”. O júri ressaltou a força do feminino na condução da narrativa, que revela “um território íntimo e múltiplo, em que corpos e paisagens se transformam em matéria poética e perturbadora”. A Abraccine ainda conferiu uma menção honrosa a “Chicharras”, reconhecendo a vitalidade do filme “ao nos envolver em uma comunidade viva e autônoma, que, mesmo diante das caravelas perenes do colonialismo, afirma-se como um corpo político coletivo e insubmisso, uma verdadeira inspiração”.

