RED: websérie nacional com finesse à la Olivier Assayas

RED: websérie nacional com finesse à la Olivier Assayas


E cá estou, há oito anos escrevendo críticas de séries e filmes (muito mais séries que filmes no currículo rs), e me rendo agora ao formato que vem crescendo cada vez mais, especialmente, no mercado nacional: as webséries. Portanto, para começar minha inserção neste novo meio, não poderia ter escolhido produção melhor do que RED, criada por Germana Belo e Viv Schiller, e dirigida por Fernando Belo.

A série, veiculada através da plataforma vimeo, conta a história de duas atrizes, Mel (Luciana Bollina) e Liz (Ana Paula Lima), que contracenam durante as gravações de um filme e levam o relacionamento para a vida real. A produção conta com um público internacional sólido, e possui indicações a prêmios nacionais e internacionais, tendo vencido o NYC Web Festival, de Melhor Websérie de Língua Estrangeira, e o Rio WebFest de Melhor Atriz Dramática para Bollina.

Nos últimos três dias me propus a conferir os 26 episódios que configuram as três primeiras temporadas de RED que, por sinal, se encontra na quarta, ainda em andamento, e tive uma surpresa positiva com os elementos apresentados. A primeira e segunda etapa da websérie é um embarque por um roteiro cheio de finesse, metalinguagem e entrelinhas, o que só enriquece a narrativa que não precisa de diálogos constantes como base. A trama está ali vivendo por troca de olhares, sorrisos de canto, falas cruzadas e sentidos para além da superfície.



Como a primeira produção nacional, neste formato, com temática LGBTQ+ feminina, Belo e Schiller trabalham de forma singular o relacionamento das protagonistas na história, sem a busca por uma necessidade de afirmação constante da sexualidade. O espectador acompanha a vida, dramaticidade e cotidiano dessas personagens, como qualquer outra situação na qual existem seres humanos no meio. A direção de Fernando Belo tem o mesmo toque delicado da escrita, inclusive, é uma delícia ver os planos detalhes minuciosamente realizados. A propósito, o destaque da montagem se encontra neste quesito e nas jogadas de foco e desfoque.

A terceira temporada já vem mais carregada no drama e dá chance para Bollina brilhar na pele de Mel. A atuação da brasileira é um espetáculo à parte e talvez uma das melhores coisas desta terceira parte da produção. A química dela com Lima é um personagem particular, fazendo o telespectador acreditar na trama apresentada. Além disso, o contraste entre ambas (Mel e Liz) é evidente ao longo dos 26 episódios. Com personalidades distintas, maneiras de enxergar o mundo diferenciadas e até meios de convívio, por muitas vezes, opostos, as duas se encontram na metade do caminho, buscando o equilíbrio.

É necessário destacar a trilha sonora de RED que se encaixa perfeitamente com todos os elementos e cenas. Para quem já leu meus textos sabe o quanto esta parte de uma produção é importante para mim, portanto, já estou aguardando o camarada que encontrará a mesma no spotify e me enviará o link para que possa ouvir em um looping eterno. Prepare-se para ficar viciado nas músicas escolhidas para compor os variados momentos da websérie.

As três temporadas ganham pela história, pelas atrizes, pelos detalhes e sutileza. O maior defeito da produção está na captura de som, contudo, é perceptível a melhora da primeira para a terceira etapa. Mas no geral, é praticamente impossível não se apaixonar e desejar cada vez mais episódios sobre a história de Mel e Liz. Estou ansiosa para começar a quarta temporada que, por sinal, já está no sexto episódio.





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