Reflexo dos nossos medos: Por que os filmes de terror mexem tanto com a gente?

Ampliando cada vez mais os paralelos entre a realidade e a ficção ao longo do tempo, através de chocantes acontecimentos que são potencializados por elementos cinematográficos que prendem a atenção, os filmes de terror conquistam, a cada geração, novos integrantes para sua contemplação.

Desde o curta-metragem de apenas três minutinhos, A Mansão do Diabo, dirigido por Georges Méliès no final do século XIX – considerado por muitos o primeiro filme de terror da história -, esse gênero imersivo nos conflitos emocionais, vem evoluindo seu alcance narrativo. Transitando pelos monstros da década de 1930, pelo slasher e o sobrenatural – entre outras fases marcantes -, consolidou-se como uma ferramenta de reflexão que quebra o real por meio dos medos coletivos.

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Cena do filme: 'A Mansão do Diabo'
Cena do filme: ‘A Mansão do Diabo’

Em busca de respostas sobre por que os filmes de terror mexem tanto com a gente, começamos uma pequena investigação através de quatro aspectos observados quando refletimos, de uma maneira geral, sobre esse gênero.

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Medo Real e o Medo da Ficção

É difícil a correlação entre o medo real e medo da ficção, sobretudo como essa ligação faz com que uns amem e outros odeiem obras desse gênero. A cada obra que está catalogada como terror – ou seus subgêneros – nos preparamos para um chocar inserido numa resposta emocional igualzinha temos em nossa realidade quando nos vemos em perigo. E quando a trama se aproxima de alguma história que reconhecemos na vida real, a linha tênue entre a ficção e a realidade ganha outras proporções: enquanto algumas pessoas embarcam no caminho de refletir sobre, outras tornam-se reféns das percepções das próprias vulnerabilidades.

Cena do filme: 'Cuckoo'
Cena do filme: ‘Cuckoo’

 

Reflexo dos nossos medos?

Será então que toda a aflição que sentimos nos labirintos que se metem a maioria dos personagens inseridos nesse gênero, de alguma forma, retrata nossos próprios medos e angústias? Essa é uma pergunta pertinente, que envolve o complexo campo das emoções – no qual não vamos entrar muito a fundo, já que somos cinéfilos, não cientistas. Se na nossa vida real vemos algo fora do lugar que causa algum arrepio, esse mesmo sentimento se coloca à disposição diante de um filme repleto de tensão, permitindo assim uma obra apresentar reflexos dos nossos medos – alguns deles bem profundos. Concordam?

Cena do filme: 'Presente Maldito'
Cena do filme: ‘Presente Maldito’

O medo como reflexo social

É óbvia a constatação que, ao longo do tempo, os filmes de terror acompanham movimentos do cotidiano. A cada década, muda-se tanto em vários campos, mas existe a razão humana e nossos questionamentos que seguem vivos. Conforme envelhecemos, nossos medos se ampliam, mas também encontramos ferramentas para combatê-los. As boas obras desse gênero conseguem estabelecer uma forte ligação com a atualidade, com o que se vive em sociedade, onde a sugestão através do medo vira de fácil correlação ao o que é visto no lado de cá da telona.

O medo como entretenimento

Como convidar essas sugestões, que nos tiram da zona de conforto, para um diálogo com nossos medos reais? Talvez essa seja a primeira pergunta que roteiristas se façam antes das primeiras linhas de uma história. A linguagem cinematográfica é infinita: pode-se se chegar em um mesmo desfecho através de inúmeros caminhos. Seja pelo psicológico, pela violência que choca, até mesmo pela maneira como é mostrada a caminhada de personagens que sobrevivem até o fim, essa poder de manipulação na ação de contar uma história pode atrair ou distanciar. Mas tenha certeza: convencem melhor produções que conseguem extrair provocações através das metáforas da vida.

Com a chegada de Pânico 7 aos cinemas neste começo de 2026, reacendem-se novos olhares sobre como esse gênero cinematográfico – no qual essa obra se destaca por manter-se viva no imaginário cinéfilo após três décadas – atravessa nossa mente de forma fascinante, nos fazendo topar a confrontar medos e, quem sabe, até refletir sobre nossas próprias experiências.

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Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.