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Rough and Rowdy Ways | As MELHORES músicas do aclamado álbum de Bob Dylan, que faz 5 anos


Bob Dylan está na indústria fonográfica há nada menos que sessenta anos e, ao longo de uma carreira permeada por hinos sobre direitos civis e movimentos antibélicos, o cantor, compositor e produtor se envolveu em diversas áreas artísticas, unindo-as em um único fio que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Literatura por ter “criado novas expressões poéticas através da grande tradição musical norte-americana”.

Em 2020, quase uma década depois de ter lançado seu último compilado de originais – e apenas três depois de reissues e compilados de clássicas produções -, Dylan roubou os holofotes com o anúncio de Rough and Rowdy Ways, marcando a estreia de seu 39º álbum. Ao longo de dez faixas, que contêm contribuições dos lendários musicistas Fiona Apple (tendo divulgado ela mesma ‘Fetch the Bolt Cutters’ no mesmo ano) e Blake Mills, o cantor e compositor cria mais uma amálgama com os estilos conhecidos de sua discografia, misturando desde o mais simples country-rock até as inflexões saudosistas do R&B em uma criação que tem vida própria.

Para celebrar o aniversário de cinco anos desse irretocável álbum, preparamos uma breve matéria elencando suas cinco melhores canções.



Confira abaixo as nossas escolhas:

5. “I COUNTAIN MULTITUDES”

Com o início de uma nova década e a certeza de que precisava se reintroduzir a uma nova geração, nada mais justo que Dylan tenha criado uma analítica e autocrítica declamação intimista que alcança uma estância homérica. Em “I Contain Multitudes”, o previsível título, na verdade, é uma dica propositalmente errônea do que podemos esperar; afinal ele é “um homem de várias contradições, um homem de vários humores”, com cada faceta refletida em delineações que não seguem qualquer padrão e que transformam a música em um extenso poema épico.

4. “I’VE MADE UP MY MIND TO GIVE MYSELF TO YOU”

Dylan é uma figura anacrônica – no melhor sentido do adjetivo. Desde que despontou em 1962 com seu début homônimo, ousou desafiar o elitismo das esferas do entretenimento e abusou de sua prolífica e incansável mente para mostrar que as artes não eram excludentes entre si. Em “I’ve Made Up My Mind to Give Myself to You”, seus vocais roucos são certeiros em optar por uma rendição romântica que nos arremessa de volta para as performances de Elvis Presley nos anos 1940 e 1950 – manifestando suas referências e de que forma ele as enlaça em um dinâmico quadro proprioceptivo.

3. “MY OWN VERSION OF YOU”

É incrível o modo como Dylan mostra sua paixão pela música – não é surpresa que ele desenvolve a invejável e imaginativa habilidade de construir cenários, abstratos ou concretos, em que cada nota é dotada de uma cor, e cada acorde conta uma história diferente. Em “My Own Version of You”, canção na qual faz um breve meneio a Paul Cauthen, a escolha de colocar o blues e a sutileza dos sintetizadores em segundo plano convida os ouvintes a uma mística road-trip sem destino certo.

2. “GOODBYE JIMMY REED”

Em “Goodbye Jimmy Reed”, o artista nos convida para uma revisitação concisa ao início de sua carreira – e talvez para sua terra natal de Duluth, no Minnesota; afinal, a faixa já começa com a descrição precisa de uma pequena cidade do interior onde a religião impera e a bíblia é a constituição, e temos desde a presença retumbante da bateria até o momentâneo grito da gaita.

1. “FALSE PROPHET”

Cultivando uma arquitetura sonora que desvia dos padrões a que estamos acostumados (o que não é surpreendente, considerando que ele sempre foi um ícone da florescente contracultura estadunidense) e que rende-se a um escapismo sinestésico e imagético que corrobora sua perspectiva única para a música, Dylan constrói inúmeros clássicos instantâneos e algumas de suas melhores canções em Rough and Rowdy Ways. Uma delas é “False Prophet”, que cria um flerte malicioso e blasfemo com a mitologia católica e uma aproximação com a tragédia greco-romana – tudo isso transformado em um belíssimo e impactante country-folk que é dono de seu próprio borbulhante mundo.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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