Durante o painel “FAST na Corrida da Monetização: O Conteúdo Localizado Sai na Frente?“, realizado no Rio2C, um dos grandes destaques foi a fala de Felipe Gagliardi, gerente sênior de desenvolvimento de negócios da Samsung TV Plus América Latina. Ao lado de representantes da LG Channels e da Kivi, Gagliardi apresentou os caminhos que o modelo FAST (Free Ad-Supported Streaming TV) está traçando no Brasil, com foco no público apaixonado por conteúdo sob demanda — especialmente cinema e séries de TV.
A plataforma Samsung TV Plus, nativa nas smart TVs da marca, já oferece uma programação extensa de canais gratuitos com anúncios — e a curadoria de conteúdos para fãs de cultura pop é um trunfo da operação no país. “A vertical de filmes é muito importante para a gente”, afirmou Felipe, destacando também o sucesso da vertical infantil. “O segredo está no mix: ter conteúdo novo, gravado, ao vivo… tudo se complementa. Cada gênero se comporta de um jeito diferente”.
Entre os canais disponíveis para o público brasileiro estão NetMovies, Clube Filmes, Runtime Ação, Cine Prime, Cine Estrelas, Quintal TV, Woohoo, Fuel TV, além de um focado em trailers, listas e bastidores de filmes e séries — reforçando o apelo ao público geek e cinéfilo.
Ao vivo também é estrela — mas não é tudo

A programação ao vivo tem espaço garantido na estratégia da Samsung TV Plus, mas Gagliardi enfatizou que seu valor está no equilíbrio. “Eventos ao vivo, como esportes e premiações, geram picos de audiência. Mas para manter o engajamento constante e monetizar, é preciso que o usuário fique mais tempo na plataforma”, explicou.
Segundo ele, a lógica é similar à da televisão tradicional: quanto mais tempo assistindo, maior a exposição à publicidade — que é, afinal, o motor do FAST. “Se a pessoa vê só quatro ou cinco minutos e sai, isso não monetiza. A publicidade programática depende da quantidade de usuários expostos e do tempo de consumo”.
Memória afetiva, IPs e conteúdo sob medida

Felipe destacou ainda um movimento curioso que vem ganhando força no setor: a transformação de IPs (propriedades intelectuais) em canais dedicados. “A BunnyJai, por exemplo, criou um canal só com o Mr. Bean — e ainda usa as duas versões, o live-action e a animação”, citou. Segundo ele, isso mostra como os canais FAST têm um potencial enorme para explorar nostalgia e formatos alternativos de curadoria. “É uma forma de redescobrir conteúdos que pareciam já ter esgotado suas janelas de distribuição”.
Além disso, ele vê no FAST uma porta aberta para criadores independentes e produtores locais, que antes esbarravam em barreiras de custo ou acesso à TV tradicional. “Agora há um caminho mais acessível, inclusive para canais ao vivo criados exclusivamente para FAST. Isso democratiza a criação e oferece uma experiência de canal linear com outro tipo de liberdade”, disse.
Desafios e oportunidades na monetização

Apesar do entusiasmo com o potencial do formato, Felipe foi direto ao falar sobre os desafios, especialmente na América Latina. O principal entrave? A diferença de percepção e valor de mercado em comparação com países como os Estados Unidos.
“Lá, a publicidade no FAST é tratada como publicidade de TV — é considerada ‘core TV’. Aqui ainda é vista como mídia digital barata, quase no mesmo nível de um vídeo num joguinho”, criticou. “O mesmo conteúdo que vendo nos EUA por um CPM (custo por mil impressões) de 35 dólares, aqui não querem pagar mais que 5”.
A consequência direta disso é a necessidade de curadoria precisa: “A gente precisa ser certeiro no tipo de conteúdo que coloca. A era das playlists aleatórias vai acabar. As plataformas vão exigir curadorias mais rigorosas para justificar o valor do inventário publicitário”, alertou.
O futuro é híbrido — e o público sai ganhando

Apesar dos obstáculos, Gagliardi enxerga um futuro promissor para o FAST — e um leque de oportunidades para fãs de cultura pop. Com mais canais temáticos, nostalgia de sobra e uma interface simples, o Samsung TV Plus quer ocupar o tempo de quem quer descobrir algo novo… ou revisitar um clássico.
“Não é sobre substituir o que já existe. É mais uma possibilidade. Onde parecia que o conteúdo tinha esgotado suas opções de distribuição, surge um novo caminho”, concluiu.
