O ator Taron Egerton, que interpreta o ex-presidiário Nate em ‘She Rides Shotgun’, falou recentemente sobre o desafio de viver um personagem tão intenso e brutal no novo thriller policial sombrio da Lionsgate.
Em entrevista à Variety, Egerton refletiu sobre a complexidade emocional do papel:
“Na verdade, eu gosto do fato de que ele se odeia”, disse. “Ele tem esse perfil de herói relutante, torturado, mas jamais se veria assim. Ele só consegue refletir sobre seus próprios erros. É alguém que anda pelo mundo com a sensação de que não pertence a ele, e, muito menos, de que merece ser pai. Essa inaptidão emocional me interessa muito. É algo profundamente humano carregar uma voz interna dizendo que você estragou tudo”.
Egerton, indicado ao Oscar por ‘Rocketman’, revelou que o papel o atraiu justamente por representar uma mudança de tom em sua carreira:
“Achei que era um papel muito diferente, uma chance de fazer algo mais cru do que tudo que já fiz”, contou. “Fiquei profundamente tocado pela relação central entre pai e filha. Mas filmes como esse são difíceis de fazer. Difíceis de colocar no mundo hoje em dia, o que torna o processo ainda mais recompensador do ponto de vista criativo”.
Além de protagonizar, Egerton também atua como produtor do longa:
“Todo mundo está em busca de apostas seguras. Um filme à moda antiga como este não é uma delas… Nunca tivemos tempo suficiente para rodar, nem dinheiro suficiente para fazer acontecer. Concluímos em 25 dias, o que considero um milagre. Foram muitos sacrifícios para tirar esse projeto do papel”, destacou.
A transformação física do ator para viver Nate também impressiona: Egerton abandonou o visual de galã, raspou a cabeça, cobriu-se de tatuagens e ganhou muita massa muscular.
“Raspar a cabeça foi surpreendentemente libertador”, diz ele.
Sobre o preparo físico, o ator reflete: “É muito difícil transformar seu corpo para um papel e depois voltar ao normal. Acho que isso é banalizado em Hollywood e até glorificado como prova de comprometimento do ator, mas, pessoalmente, acho um processo complicado e pouco saudável”.
“O corpo de Nate reflete alguém que passou cinco anos comendo comida de prisão. É forte, robusto, mas não definido. Ele não é vaidoso, é um corpo funcional, feito para sobreviver atrás das grades”, acrescentou.
Egerton ainda conta que quase transformou uma tatuagem cenográfica em permanente: “Tinha umas pimentas desenhadas atrás da minha orelha e cheguei a agendar uma sessão para tatuá-las de verdade. Era o último dia de filmagem. Eu quase fiz. Uma loucura. Minha mãe estava visitando o set no Novo México naquele fim de semana e me fez desistir”.

Estrelado por Taron Egerton e com direção de Nick Rowland (Calm With Horses), o longa é baseado no romance homônimo de Jordan Harper, vencedor do Edgar Award.
Na trama, Egerton vive Nate, um ex-presidiário recém-libertado que se vê obrigado a proteger sua filha de 11 anos, Polly (interpretada pela promissora Ana Sophia Heger), de uma conspiração violenta liderada por um xerife corrupto e uma gangue brutal. Com poucos recursos e sem aliados confiáveis, pai e filha embarcam em uma fuga desesperada, marcada por perseguições, traições e descobertas emocionais.
O roteiro é assinado por Jordan Harper, ao lado de Ben Collins e Luke Piotrowski. O elenco ainda conta com Rob Yang (‘Succession‘) e John Carroll Lynch (‘Zodíaco‘, ‘Fargo‘). A trilha sonora original foi composta por Blanck Mass, músico experimental conhecido por atmosferas intensas e melancólicas.

