A Sky New Zealand anunciou nesta segunda-feira (21) a aquisição da operação de canais da Warner Bros. Discovery no país por apenas NZ$ 1 (o equivalente a US$ 0,60), em um movimento que consolida a empresa como a principal potência da mídia televisiva na Nova Zelândia.
Segundo o Deadline, o acordo surpreendente inclui o canal aberto Three, a plataforma de streaming gratuita ThreeNow, o canal HGTV e outras emissoras lineares e FAST (Free Ad-Supported Streaming Television). Com a transação, a Sky passará a deter cerca de 35% da receita publicitária da TV linear e 24% do mercado digital de TV, segundo dados apresentados aos acionistas.
A operação será concluída em 1º de agosto e representa um passo estratégico para a Sky, que também assinou um acordo de licenciamento de conteúdo com a WBD para continuar exibindo produções premium nos canais adquiridos. A plataforma de vídeo sob demanda ThreeNow, em especial, é vista como um trunfo importante para acelerar a transformação digital da Sky e ampliar sua atuação em publicidade.
“O negócio nos posiciona para crescer mais rápido, diversificar receitas e acelerar nossa estratégia de se tornar a empresa de mídia mais envolvente e essencial de Aotearoa (Nova Zelândia)”, afirmou Sophie Moloney, CEO da Sky NZ.
A vice-presidente de canais da Discovery NZ, Juliet Peterson, continuará liderando a equipe após a transição, que será estruturada nos próximos meses. O custo estimado para a integração é de NZ$ 6,5 milhões.
A venda acontece em meio a uma reestruturação da Warner Bros. Discovery na região Ásia-Pacífico, marcada por cortes de custos e redirecionamento de foco para o streaming global. Em 2023, a empresa registrou a maior queda anual em receita publicitária da TV neozelandesa desde a crise financeira de 2009, com uma retração de 14,3%, equivalente a NZ$ 74 milhões, segundo o executivo James Gibbons, presidente da WBD APAC.
No ano passado, a companhia já havia encerrado o serviço de notícias Newshub, em mais um sinal da pressão crescente sobre veículos de mídia tradicionais na Nova Zelândia.
“O negócio não era mais viável como ativo independente para a WBD”, afirmou Michael Brooks, diretor-geral da WBD na Austrália e Nova Zelândia. “Mas vemos valor no portfólio da Sky, especialmente na integração de Three e ThreeNow como peças complementares.”
Segundo projeções da Sky, a aquisição resultará em um aumento imediato de NZ$ 95 milhões em receita, com expectativa de alcançar um EBITDA de pelo menos NZ$ 10 milhões até 2028. O fluxo de caixa positivo da nova operação deve ser atingido já no próximo ano fiscal.
Embora a HBO Max e a divisão de produção internacional da Warner Bros. não estejam incluídas no acordo e sigam sob controle da WBD, a parceria de conteúdo garante que títulos populares do estúdio continuem presentes na televisão local.
Com a bênção da Comissão de Comércio da Nova Zelândia, que não apresentou objeções, o acordo avança como um dos movimentos mais simbólicos da reconfiguração do ecossistema televisivo global — cada vez mais voltado para o digital e pressionado pela queda na publicidade tradicional.
