quinta-feira, fevereiro 12, 2026

Só no Brasil! Os títulos de clássicos adaptados para encaixar com os protagonistas



Nem todo título em nosso idioma é exatamente igual ao original em inglês. Pelo contrário, muitas vezes o título escolhido pelas distribuidoras de um determinado filme aqui no Brasil não tem nada a ver com o original. Tem de tudo: os que ficam melhores que os originais (acredite), mas também os que ficam muito, muito ruins. É claro que mesmo estes ruins, por uma questão afetiva, ainda mais se falarmos daqueles que fizeram parte de nossas infâncias, acabamos passando pano e curtindo por esse valor nostálgico. E sim, essa nova matéria será exatamente isso, mas um texto contendo clássicos dos anos 80 e 90.

Um Príncipe em Nova York’, ‘Tudo por uma Esmeralda’, ‘Curtindo a Vida Adoidado’ e ‘Uma Cilada para Roger Rabbit’ são filmes inesquecíveis de tal década, mas a verdade é que nenhum deles tem nada a ver com seu título original em inglês. O que acontece em muitos casos assim também é que tais títulos precisam ser adaptados para a língua portuguesa, porque caso contrário ocorreria a famosa “perda na tradução”. O termo em inglês “lost in translation” quer dizer justamente isso, algo que não pode ser traduzido cem por cento de um idioma para o outro, terminando com o sentido da coisa perdido. Assim é necessário adaptar. Aliás, por falar nisso, existe o filme de Sofia CoppolaLost in Translation’, que por aqui ficou ‘Encontros e Desencontros’.

Mas e quando a presença de um astro bastante famoso termina influenciando a tradução do filme? Isso ocorria de forma muito desavergonhada por aqui no Brasil no anos 80 – onde pegávamos a presença de determinado astro, e traduzíamos o filme em cima disso. Podemos inclusive dizer que essa é uma categoria à parte da já muito conhecida onda que reinou na época com traduções para ‘A Hora…” (de alguma coisa) para os filmes de terror, e “do barulho” ou “da pesada” para filmes de comédia. Sim, e é por isso que continuamos amando os anos 80. Abaixo veremos casos dos filmes que ganharam traduções baseadas em seus protagonistas aqui no Brasil. Confira.

O Garoto do Futuro

Começamos com o item mais famoso e curioso do lote. Para quem não conhece, ‘O Garoto do Futuro’ é uma comédia de fantasia de 1985, estrelada por Michael J. Fox, na qual ele interpreta um estudante colegial com uma maldição hereditária de sua família, onde começa a se transformar em um lobisomem adolescente. Hoje, esse clássico não é muito mencionado, mas na época até fez certo sucesso cult nas locadoras – o suficiente para render um desenho animado no ano seguinte, e uma continuação nas telonas dois anos depois.



Aliás, o título do filme por aqui no Brasil muito bem poderia ter sido “Lobisomem Adolescente”, que seria uma tradução mais literal. E décadas depois, em 2011, uma série baseada no filme, um drama não uma comédia, ganhou realmente o título de ‘Lobo Adolescente’. No entanto, é preciso entender que 1985 foi o mesmo ano de lançamento do maior sucesso da carreira de Michael J. Fox no cinema: ‘De Volta para o Futuro’. Assim, sem perder tempo, e entendendo o sucesso que o filme icônico de viagem no tempo havia feito nos EUA, os tradutores da distribuidora rival aqui no Brasil trataram de lascar um “do futuro” no título, para criar associação. É como se dissessem: “esse é o novo filme daquele ‘garoto do futuro’”.

E foi bem nesse clima que uma comédia sobre um lobisomem adolescente se tornou um filme com um garoto do futuro – título em português que nada tem a ver com a trama do longa, apenas a sacada de fazer todos lembrarem do filme de sucesso do ator.

O Vingador do Futuro

Não é só Michael J. Fox que carrega o futuro guiando a sua carreira. Outro astro da época também tem na palavra futuro uma forte associação com sua persona. Falamos é claro do grandalhão fisiculturista Arnold Schwarzenegger, um dos raros casos de um atleta que se tornou um dos mais badalados astros de Hollywood nos anos 80 e 90. Logo no início de sua carreira, Arnold fez sucesso com o cult ‘O Exterminador do Futuro’, um enorme sucesso nas videolocadoras (mais do que nos cinemas) e nas exibições da TV aberta. Aliás, até esse título está modificado aqui no Brasil, já que no original é só ‘The Terminator’, ou “O Terminador” – abreviação de “Exterminador”. Fomos nós que incluímos o “do futuro”, mas até aí valeu, já que tinha a ver com a trama.

Nenhum filme de Arnold nos anos 80 faria mais sucesso do que o citado, no qual ele interpreta um robô, mas na década seguinte seria diferente. A começar logo de cara com a grande produção ‘Total Recall’, dirigido por Paul Verhoeven, de ‘Robocop’, escolhido a dedo pelo ator. Uma produção de alto nível, caríssima e com efeitos especiais de primeira. Mas como traduzir ‘Total Recall’ – que seria algo como “lembrança total” – e que tipo de título seria esse para um filme de ação? Não tem o mesmo impacto certo? Assim, os tradutores resolveram apelar para o que havia dado certo, e batizaram o longa sobre revolucionários de Marte como ‘O Vingador do Futuro’ por aqui. Pelo menos a trama se passa no futuro. E no ano seguinte sairia ‘O Exterminador do Futuro 2’.

Stallone Cobra

Essa chega a ser hilária. O título deste filme de ação policial estrelado pelo eterno Rocky e Rambo, Sylvester Stallone, já não é muito inspirado por si só. Tudo bem que o título ‘Cobra’ é o original do longa, e até possui certo impacto para mostrar a qualidade letal do protagonista, um dos policiais mais incorretos dos anos 80. O que acontece é que nos EUA, cobra é um tipo específico de serpente, que aqui no Brasil seria traduzida como naja. As demais cobras por lá se chamam snake. Ou seja, cobra é a mais letal das snake. Sendo assim, a tradução do filme deveria ser “Naja”, ou “cobra naja”. Já começa por aí.

Porém, existe ainda uma outra explicação para o título. O apelido do policial é Cobra, já que seu nome é Marion Cobretti – um nome italiano – o que justifica o apelido com a abreviação de ‘Cobra’. Mas aqui no Brasil, os tradutores acharam que apenas ‘Cobra’ seria pouco, sendo assim precisavam adicionar mais alguma coisa no título. Que tal o nome do ator que estrela o filme? Nunca na história das traduções (ao menos que eu tenha conhecimento) ocorreu algo do tipo: o nome do ator ser incorporado ao título. Sim, ‘Stallone Cobra’ é como ficou conhecido o filme por aqui. É demais pensar, no entanto, que os responsáveis tenham confundido ao ver o nome do ator tão perto do título no original, e tenham achado que mesmo nos EUA o filme se chamava ‘Stallone Cobra’.

Embalos a Dois

Agora temos o filme mais desconhecido da lista, que muitos sequer têm conhecimento da existência. A dupla John Travolta e a belíssima Olivia Newton-John pararam o mundo com o sucesso musical de ‘Grease: Nos Tempos da Brilhantina’. É claro que no ano anterior, John Travolta já havia se tornado um astro com outro filme dançante, que falava sobre a febre as discotecas pelo mundo na década de 1970, propriamente intitulado ‘Saturday Night Fever’, algo como “A Febre do Sábado à Noite” – no Brasil ‘Os Embalos de Sábado à Noite’. Poucos atores conseguem emplacar dois verdadeiros fenômenos de forma consecutiva. E era assim que John Travolta adentrava os anos 80.

Com dois sucessos na conta, alguns produtores de Hollywood visando replicar o sucesso de ‘Grease’, decidiram reunir a dupla formada por Travolta e Newton-John nas telas em uma nova comédia – essa de proporções bíblicas. ‘Two of a Kind’ traz Travolta como um fracassado, que resolve assaltar um banco, e Newton-John como a caixa do local, que termina sequestrada por ele. Acontece que enquanto isso acontece aqui na Terra, no Céu uma aposta ocorre pelo destino de nosso planeta. Deus quer destruir a Terra, mas quatro anjos o convencem que existe salvação – tudo depende dessas duas pessoas tão improváveis começarem a se amar. Sem noção é pouco.

Sobre o título, ‘Two of a Kind’ quer dizer algo como “Almas Gêmeas”, ou “Dois iguais”, “um par”.  Claro que nada disso surtiria o mesmo efeito que ‘Embalos a Dois’, fazendo referência ao sucesso anterior da carreira de Travolta.

Os Fantasmas Contra-Atacam

Finalizando, temos agora na lista um clássico sobrenatural da carreira de Bill Murray, um dos comediantes mais famosos dos anos 80 e 90. Essa comédia fantástica natalina é uma adaptação livre do clássico ‘A Christmas Carol’ (Um Conto de Natal – aqui no Brasil), obra literária de Charles Dickens. No conto, o avarento Ebenezer Scrooge é visitado na noite de Natal por três fantasmas, do espírito do Natal passado, presente e futuro, que irão lhe mostrar como foi sua vida, como está sendo e como será se ele continuar a agir desta forma. No fim, o homem odioso aprende uma lição e muda seu coração. Esse conto já foi adaptado muitas vezes para as telas.

A versão de Bill Murray do conto clássico recebe uma modernizada (bem, para os anos 80), colocando o protagonista como um frio diretor de uma grande rede de TV, que só pensa em sua audiência e menospreza todos ao redor, até mesmo seus familiares. Como o nome do protagonista no conto de Dickens é Scrooge, no título original da versão de Murray ocorreu um trocadilho, chamando o filme de ‘Scrooged’, uma brincadeira com a sonoridade da palavra ‘Screwed’, ou “Ferrado”, “F*dido”, demonstrando que chegou a hora do acerto de contas para o protagonista desumano.

Porém, como Murray àquela altura era muito conhecido por seu papel como Peter Venkman no clássico ‘Os Caça-Fantasmas’, os responsáveis pelo título de seu novo filme aqui no Brasil resolveram incluir “os fantasmas” no nome do longa, que não está muito afastado da trama, afinal existem fantasmas aqui. Além da piada interna onde diziam que era a vez dos fantasmas se vingarem dele, contra-atacando.

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