O sucesso estrondoso de ‘Rambo: Programado para Matar‘ (1982) catapultou Sylvester Stallone ao estrelato como um dos maiores ícones do cinema de ação dos anos 80. O filme original, baseado no romance First Blood, apresentou ao público o personagem John Rambo, um veterano traumatizado da Guerra do Vietnã que luta contra as autoridades locais em uma pequena cidade. Com uma combinação de ação, drama psicológico e um protagonista complexo, First Blood conquistou tanto o público quanto a crítica, tornando-se um clássico instantâneo e abrindo caminho para uma franquia que marcaria uma geração. Esse sucesso criou grande expectativa para a sequência, que viria a ser ‘Rambo 2 – A Missão‘, filme que completa 40 anos de sua estreia em 2025.
Após o sucesso do primeiro filme, a equipe criativa, liderada por Sylvester Stallone, decidiu expandir o universo de Rambo, transformando-o de um drama psicológico em uma ação explosiva e cheia de adrenalina. ‘Rambo 2 – A Missão‘ foi concebido para mostrar o herói em uma missão de resgate no Vietnã, destacando a guerra, o patriotismo e o combate direto contra as forças inimigas. Stallone assumiu novamente o papel principal e também contribuiu como roteirista, ao lado de James Cameron, buscando criar uma narrativa que, além de manter o carisma do personagem, elevasse o nível das cenas de ação e efeitos especiais, apostando num tom mais épico e de grande espetáculo. O filme prometia trazer mais intensidade, tiroteios e sequências memoráveis, ampliando a mitologia de John Rambo para um público global.

‘Rambo 2 – A Missão‘ foi dirigido por George P. Cosmatos, um cineasta conhecido por sua habilidade em comandar grandes produções de ação e aventura. Cosmatos, no ano seguinte, voltaria a comandar Stallone no cult máximo do cinema policial ‘Cobra‘ (1986) – no Brasil conhecido pela alcunha infame ‘Stallone Cobra‘, infelizmente não repetindo o sucesso. Sua direção em ‘Rambo 2‘ trouxe uma pegada ainda mais apoteótica e visualmente impactante, realçando as cenas de combate e o clima tenso das missões de guerra. Sob sua batuta, o filme conseguiu ampliar a grandiosidade da franquia, entregando um espetáculo que combinava ação ininterrupta e emoção, característica fundamental para o sucesso do longa.
O elenco de ‘Rambo 2 – A Missão‘ contou com Sylvester Stallone no papel icônico de John Rambo, o veterano endurecido e habilidoso em combates que retorna ao Vietnã para uma missão de resgate crucial. Ao seu lado, Richard Crenna reprisou o papel do coronel Trautman, mentor e figura paternal de Rambo, oferecendo equilíbrio e contexto emocional à trama. O filme também apresentou Charles Napier como o burocrata Murdock, que comete o maior erro de sua vida: trair Rambo (como é dito em um dos diálogos). E ainda, Steven Berkoff, um dos atores-personagens preferidos para vilões dos anos 80 (tendo sido o antagonista de ‘Um Tira da Pesada‘ também), aqui como um cruel militar russo. Finalizando o elenco, Martin Kove (o Kreese de ‘Karatê Kid‘) como o soldado Ericson; e a asiática Julia Nickson no papel de Co, o contato de Rambo no Vietnã, e interesse amoroso do herói.

Por mais que tenha sido muito vendido como retrato de propaganda era Ronald Reagan, do patriotismo exacerbado americano, do herói infalível que faz tudo por seu país, ‘Rambo 2‘ é também uma crítica a esse sistema. Por mais que não pareça. Acontece que, assim como em ‘Nascido em 4 de Julho‘ (1989), o patriotismo do protagonista se torna decepção, neste caso quando o herói é traído e abandonado por seus compatriotas. No final, Rambo vira as costas para o país que o renegou pela segunda vez (após o filme original).
Em ‘Rambo 2‘, John Rambo recebe a tarefa de retornar ao Vietnã para uma missão de reconhecimento com o objetivo de localizar e fotografar prisioneiros de guerra americanos ainda desaparecidos. O que parecia ser uma operação simples logo se complica quando Rambo descobre que os militares subestimaram a resistência inimiga e que a situação é muito mais perigosa do que o esperado. Preso em território hostil, ele precisa usar toda sua habilidade, força e inteligência para sobreviver às emboscadas e aos ataques das tropas vietnamitas enquanto tenta cumprir sua missão e resgatar os prisioneiros.

Uma das mudanças mais marcantes entre ‘Rambo: Programado para Matar‘ e ‘Rambo 2 – A Missão‘ está na abordagem do personagem principal. No primeiro filme, John Rambo é retratado como uma figura trágica e vulnerável, um veterano traumatizado pela guerra e rejeitado pela própria nação, cuja violência surge como resposta ao abuso e à marginalização. Já na sequência, Rambo assume uma postura muito mais heroica e implacável — quase um super-soldado —, transformando-se num símbolo de força, redenção e poder militar americano. Essa mudança de tom reflete não só o desejo de transformar a franquia em um blockbuster de ação, mas também o clima político e cultural dos anos 80, com Hollywood adotando uma visão mais idealizada do soldado americano.
Além da transformação do personagem, ‘Rambo 2 – A Missão‘ também apresentou uma mudança significativa no estilo e no tom em comparação ao primeiro filme. Enquanto ‘Programado para Matar‘ é um drama de ação com forte carga emocional e crítica social — centrado na solidão, no trauma de guerra e no desprezo pelos veteranos —, a sequência aposta em um espetáculo visual de guerra, com cenas grandiosas de explosões, batalhas e combates corpo a corpo. O tom mais contido e introspectivo do original dá lugar a uma narrativa mais direta, voltada para o entretenimento e para a ação desenfreada, aproximando o longa dos moldes clássicos do cinema de ação dos anos 80. A mudança agradou ao grande público, mas dividiu parte da crítica, que viu na sequência uma simplificação do drama complexo do primeiro filme.

Com o lançamento de ‘Rambo 2 – A Missão‘, em 1985, o personagem vivido por Sylvester Stallone transcendeu o cinema e se transformou em um verdadeiro ícone da cultura pop mundial. O sucesso estrondoso do filme gerou um fenômeno conhecido como Rambomania, que se espalhou rapidamente por diversos países. Rambo virou sinônimo de força, coragem e patriotismo exagerado, sendo estampado em camisetas, desenhos animados, brinquedos, cartazes, lancheiras, jogos de videogame e programas de TV. Crianças imitavam o herói, amarrando faixas vermelhas na cabeça e empunhando armas de brinquedo, enquanto adultos viam nele uma figura de resistência e poder, especialmente em um contexto ainda marcado pela Guerra Fria. A estética do filme e o visual de Rambo — com músculos à mostra, cicatrizes e armamento pesado — se tornaram referência obrigatória para a ação dos anos 80.
No Brasil, a Rambomania também chegou com força total. O filme foi exibido com enorme sucesso nos cinemas e, posteriormente, na televisão, onde alcançou audiências impressionantes. Produtos licenciados invadiram bancas, lojas e programas infantis, com revistinhas, bonecos genéricos e até paródias em programas humorísticos. E quem poderia esquecer o infame concurso do “Rambo brasileiro”, no programa do SBT Viva a Noite, apresentado pelo saudoso Gugu Liberato. O nome “Rambo” virou parte do vocabulário popular, sendo usado para descrever qualquer pessoa vista como durona ou valente. Nas brincadeiras de rua, crianças disputavam quem seria o “Rambo” da vez. O impacto cultural foi tão grande que, mesmo décadas depois, o personagem ainda é lembrado com nostalgia por toda uma geração que cresceu sob a influência desse herói explosivo e invencível.

A recepção crítica a ‘Rambo 2 – A Missão‘ foi bastante dividida. Muitos críticos viram o filme como um retrocesso em relação ao original, apontando a falta de nuance emocional e a transformação do personagem em uma figura quase caricatural. A violência excessiva, o roteiro simplificado e o tom propagandista também foram alvos de críticas, especialmente por analistas que esperavam uma continuação mais densa e crítica, como o primeiro filme. No entanto, outros reconheceram a competência técnica do longa e elogiaram sua direção enérgica, a produção grandiosa e o carisma de Sylvester Stallone, que se consolidava ali como uma das maiores estrelas de ação do cinema.
Já entre o público, ‘Rambo 2‘ foi um enorme sucesso. O filme arrecadou mais de US$300 milhões mundialmente e se tornou uma das maiores bilheteiras de 1985, transformando Stallone em um símbolo global do cinema de ação. Em muitos países, o longa foi visto como uma catarse patriótica — especialmente nos Estados Unidos —, enquanto em outros serviu como puro entretenimento escapista. Com sua força comercial e cultural, ‘Rambo 2 – A Missão‘ ajudou a redefinir os padrões do gênero de ação e deixou uma marca duradoura na cultura pop.

‘Rambo 2 – A Missão‘ não apenas consolidou John Rambo como um dos maiores ícones da história do cinema de ação, como também moldou toda uma geração de filmes que viriam a seguir. Transformando um ex-soldado traumatizado em um herói quase mitológico, o longa definiu o estilo visual, o tom e o apelo popular que marcariam a era de ouro do gênero nos anos 80. Mesmo com as críticas à sua abordagem mais simplista e explosiva, o filme se tornou um marco cultural, eternizando frases, imagens e atitudes que ainda hoje ecoam no imaginário coletivo. Mais do que uma sequência, ‘Rambo 2‘ foi o nascimento de um mito — e a prova de que, às vezes, um herói de ação pode dizer muito com poucas palavras e muitos tiros. Ah sim, e caso você não saiba, ‘Rambo 2‘ foi indicado ao Oscar… ao menos o de melhor edição de efeitos sonoros.
