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‘Superman: O Filme’ (1978) – Revisitando o PRIMEIRO super-herói do cinema e (para muitos) ainda o melhor!


Superman, o maior super-herói de todos os tempos, ganhará um novo filme nas telonas este ano. É claro que você já deve estar cansado de saber. O filme, aliás, estreia agora em julho, no segundo fim de semana do mês – dia 10 no Brasil. Esse, no entanto, não é apenas mais um filme do Homem de Aço, e sim o reinício de todo um universo nos cinemas – o universo dos personagens da DC na Warner, agora debaixo do selo de qualidade do diretor e produtor James Gunn (o homem que entregou a emocionante trilogia dos ‘Guardiões da Galáxia’).

Como forma de irmos aquecendo os motores para este que é o filme mais aguardado do ano para muitos, resolvemos revisitar o primeiro longa para o cinema do Super-Homem, a obra mais importante para o gênero (que domina atualmente) na história da sétima arte.



A ideia para o filme ‘Superman (1978) surgiu do desejo de criar uma produção que trouxesse à tela grande o icônico herói da DC Comics de forma grandiosa e respeitosa. O personagem, é claro, foi criado ainda na década de 1930 por Jerry Siegel e Joe Shuster, e recebeu diversas encarnações em seriados exibidos nos cinemas, filmes nos primórdios da sétima arte e animações. Mas nada que pudesse ser considerado uma superprodução.

Nos anos 1970, os estúdios começaram a perceber o potencial dos quadrinhos como fonte para filmes de grande apelo popular. A Warner Bros., detentora dos direitos do personagem, queria aproveitar esse momento para lançar um filme que combinasse ação, aventura e uma forte carga emocional, além de um tom leve e acessível ao público familiar. A escolha de Richard Donner como diretor veio da sua reputação por trabalhar com gêneros diferentes e conseguir equilibrar efeitos especiais com narrativa sólida. O projeto ganhou força com o roteiro de Mario Puzo (‘O Poderoso Chefão‘), mostrando que deixava de ser “coisa de criança” para ser “coisa de adulto”. Fora isso, existia a ambição de trazer efeitos visuais inovadores para a época.

O sucesso de filmes de super-heróis animados e especiais para TV durante os anos 60 e 70 mostraram que o Superman tinha um apelo que transcendia gerações. Os produtores também queriam evitar que o personagem fosse visto apenas como uma figura de quadrinhos e, para isso, investiram em um roteiro que explorasse a origem, os dilemas e a humanidade do herói. A contratação de Christopher Reeve, um ator carismático e pouco conhecido, foi crucial para dar vida a Clark Kent e Superman de forma convincente. O desenvolvimento do filme foi marcado por desafios técnicos e criativos, mas a visão pioneira de Donner e sua equipe tornou o longa um marco, abrindo caminho para toda a era dos blockbusters de super-heróis.

Superman: O Filme (1978) conta a origem do icônico herói, desde seu nascimento no planeta Krypton até sua chegada à Terra, onde é criado como Clark Kent. Ao descobrir seus poderes extraordinários, ele decide usar suas habilidades para proteger a humanidade. Enfrentando o vilão Lex Luthor, que planeja destruir Los Angeles, Superman luta para impedir uma catástrofe e provar que é um símbolo de esperança. O filme mistura ação, romance e drama, explorando a dualidade entre Clark Kent e Superman. Essa história clássica estabeleceu as bases para as adaptações futuras do personagem no cinema.

Antes de ser definido o roteiro final de ‘Superman: O Filme (1978), várias versões alternativas da história foram consideradas e desenvolvidas, mas não chegaram à produção. Uma delas explorava um tom muito mais sombrio e adulto, com uma abordagem mais pesada sobre a origem de Superman, focando na destruição de Krypton e na solidão do herói de forma mais trágica e melancólica, algo que foi deixado de lado para manter o filme mais leve e acessível ao grande público. Outra versão inicial incluía um roteiro em que Lex Luthor tinha um plano mais grandioso envolvendo a manipulação da política mundial e biotecnologia, tornando o vilão mais complexo, mas essa ideia foi simplificada para um esquema de destruição de Los Angeles, mais visual e direto.

Também foram estudadas narrativas que dariam maior destaque à personagem de Lois Lane como protagonista ativa, mas a versão final optou por equilibrar seu papel com o de Clark Kent/Superman para manter o foco na jornada do herói. Por fim, existiam propostas que incluíam sequências mais longas no planeta Krypton, com uma mitologia mais detalhada, que foram cortadas para não alongar demais o filme e preservar seu ritmo.

A escolha de Richard Donner para dirigir ‘Superman: O Filme (1978) aconteceu por sua reputação em lidar bem com filmes de ação e aventura, além de sua capacidade de equilibrar efeitos especiais com narrativa emocional. Donner já havia trabalhado com sucesso em diversas produções para a TV, em episódios de séries como ‘O Fugitivo‘, ‘O Agente da UNCLE‘, ‘Agente 86‘ e ‘Além da Imaginação‘ e mostrava sensibilidade para guiar personagens cativantes, o que agradou os produtores.

Ele também demonstrou entusiasmo pelo projeto e vontade de elevar o gênero de super-herói a um novo patamar. Antes da confirmação de Donner, outros diretores foram cogitados, incluindo Guy Hamilton, conhecido por filmes de James Bond, e John Guillermin, que dirigiu ‘King Kong (1976). Também houve interesse em nomes como Steven Spielberg, que estava muito ocupado com seus próprios projetos, e Sam Peckinpah, que acabou não se encaixando no tom desejado. No fim, a combinação do talento de Donner com a visão do produtor Ilya Salkind foi decisiva para o sucesso do filme.

A escolha de Christopher Reeve para interpretar Superman/Clark Kent foi resultado de um criterioso processo de seleção, no qual o ator se destacou por seu charme, carisma e aparência clássica que remetia ao herói dos quadrinhos. Apesar de ser relativamente desconhecido na época, Reeve convenceu os produtores e Richard Donner com sua combinação de ingenuidade e presença marcante, essenciais para mostrar tanto o lado humano quanto o superpoderoso do personagem. Outros atores famosos foram considerados para o papel, incluindo John Travolta, que chegou a fazer testes, e Jeff Bridges, que estava entre os favoritos por sua versatilidade. Além deles, nomes como Burt Reynolds e Robert Redford foram mencionados em fases iniciais da produção, mas por diferentes razões – como agenda ou interesse – não seguiram adiante. A aposta em Reeve, um ator jovem e com menos experiência, acabou sendo decisiva para dar ao Superman uma identidade fresca e cativante.

O veterano vencedor do Oscar Marlon Brando teve um papel crucial em ‘Superman: O Filme (1978), interpretando Jor-El, o pai biológico de Superman. Seu envolvimento trouxe prestígio e gravidade ao projeto, já que Brando era uma das maiores estrelas de Hollywood na época. Ele foi contratado não apenas por seu talento, mas também para ajudar a legitimar o filme como uma produção séria, elevando o status da obra de super-herói. Brando teve liberdade para colaborar no roteiro de suas falas, o que adicionou uma profundidade maior ao personagem. Além dele, outros atores foram cogitados para o papel de Jor-El, incluindo Laurence Olivier e Trevor Howard, mas nenhum possuía a mesma combinação de prestígio e presença que Brando oferecia. A participação do ator foi curta, mas marcante, e sua imagem como um mentor sábio ficou icônica para o universo do Superman no cinema.

A escolha de Gene Hackman para viver Lex Luthor em ‘Superman (1978) foi bastante estratégica, já que ele trazia um carisma único que combinava com o tom irônico e cômico que o personagem teria no filme. Hackman já era um ator consagrado e sua presença ajudaria a equilibrar a seriedade do Superman com um vilão que tinha uma veia de humor e inteligência, evitando que o antagonista fosse apenas um vilão sombrio. Durante a pré-produção, outros atores foram considerados para o papel, como Jack Nicholson, que poderia ter dado um tom mais excêntrico e ameaçador, e Christopher Walken, conhecido por seus personagens intensos e imprevisíveis. Michael Caine também foi cogitado, e caso tivesse sido contratado traria um estilo mais sofisticado ao vilão. No entanto, a combinação do prestígio de Hackman com seu talento para personagens multifacetados acabou convencendo os produtores e Richard Donner a fecharem com ele, o que resultou em um Lex Luthor memorável e carismático.

Para o papel principal feminino, o da repórter Lois Lane, foi contratada a atriz Margot Kidder. Sua escolha foi resultado de um processo seletivo focado em encontrar uma atriz que conseguisse equilibrar inteligência, charme e uma presença marcante, características essenciais para a repórter destemida e independente. Kidder trouxe uma energia vibrante e um humor sutil que conquistaram os produtores e Richard Donner, ajudando a criar uma dinâmica forte entre Lois e Clark Kent/Superman.

Outras atrizes foram cogitadas para o papel, incluindo Sissy Spacek, que tinha um perfil mais suave, e Diane Keaton, que ofereceria uma abordagem diferente, mais sofisticada e menos convencional. Também houve interesse em nomes como Susan Sarandon e Kathleen Turner, mas questões de agenda ou visão criativa fizeram com que não avançassem na disputa. No fim, Margot Kidder se destacou por seu carisma natural e pela química que desenvolveu com Christopher Reeve, consolidando-se como uma das Lois Lane mais lembradas do cinema.

A recepção da crítica ao filme ‘Superman (1978) foi amplamente positiva na época de seu lançamento, com elogios especialmente direcionados à ambição do projeto e à qualidade técnica inédita para filmes de super-herói. Críticos destacaram a direção de Richard Donner, que conseguiu equilibrar ação, drama e humor, além da performance carismática de Christopher Reeve, que trouxe humanidade ao personagem. Os efeitos visuais, revolucionários para a época, também foram muito elogiados, ajudando a criar a sensação de que um herói realmente voava na tela. Alguns críticos apontaram que o roteiro poderia ser simplista em certos momentos, mas isso não diminuiu o impacto geral do filme. No geral, ‘Superman foi visto como um marco do cinema de aventura e um grande avanço para adaptações de quadrinhos no cinema.

Superman (1978) teve uma estreia de grande sucesso nas bilheterias, rapidamente se tornando um dos filmes mais lucrativos daquele ano. Durante seu fim de semana de estreia nos Estados Unidos, o filme liderou as bilheterias, superando concorrentes e atraindo um público amplo, desde fãs dos quadrinhos até famílias e amantes do cinema de aventura. Ao longo de sua exibição nos cinemas, o filme arrecadou aproximadamente US$300 milhões mundialmente, um valor impressionante para a época e que consolidou ‘Superman como um dos maiores sucessos comerciais dos anos 70. Esse desempenho ajudou a abrir caminho para futuras produções de super-heróis, mostrando o potencial financeiro desse tipo de filme. Além disso, o sucesso garantiu rapidamente a produção das sequências que viriam a seguir.

Sim, ‘Superman (1978) foi indicado ao Oscar em três categorias técnicas importantes: Melhor Trilha Sonora Original, pelo compositor John Williams (o hoje icônico tema do herói); Melhores Efeitos Visuais; e Melhor Edição de Som. Embora não tenha vencido em nenhuma dessas categorias, as indicações reforçaram o reconhecimento da indústria pelo pioneirismo técnico e artístico do filme, especialmente nos efeitos especiais e na música, que até hoje são celebrados como marcos na história do cinema. Essas indicações ajudaram a legitimar ‘Superman como uma produção de alto nível, além do simples entretenimento de super-herói.

Superman: O Filme (1978) deixou um legado profundo ao estabelecer um novo padrão para adaptações de quadrinhos no cinema, provando que filmes de super-heróis podiam ser produzidos com qualidade, respeito à história original e apelo para todas as idades. A combinação de efeitos visuais inovadores, narrativa emocional e personagens bem desenvolvidos abriu caminho para o gênero, que até então era visto como pouco sério. O sucesso comercial e crítico do filme incentivou estúdios a investir em produções similares, impulsionando a popularização dos heróis nas telas grandes. Além disso, o carisma de Christopher Reeve como Superman se tornou um símbolo atemporal, influenciando futuras interpretações do personagem.

No âmbito técnico, ‘Superman também foi pioneiro no uso de efeitos especiais para representar superpoderes de forma convincente, inspirando avanços em tecnologia cinematográfica. A trilha sonora de John Williams tornou-se icônica, ajudando a criar a identidade sonora dos filmes de super-herói. O filme também consolidou a fórmula de combinar ação, romance e humor, que se tornou padrão no gênero. Seu sucesso gerou uma série de continuações e influenciou diretores e roteiristas a tratar os personagens de quadrinhos com maior profundidade e complexidade, marcando o início da era moderna dos blockbusters de super-heróis.

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