Um dos filmes mais aguardados pelas crianças durante o Bonito CineSur 2025 foi a pré-estreia mundial da animação brasileira Tainá e os Guardiões da Amazônia – Em Busca da Flecha Azul. Na tarde do último sábado (02), em uma sala de cinema completamente lotada, diversas famílias puderam conferir em primeira mão esse encantador longa-metragem, que estreia oficialmente nos cinemas no dia 20 de novembro. Repleto de personagens carismáticos e mensagens importantes sobre a preservação da natureza, apresentadas de forma lúdica e divertida, o filme encantou o público do começo ao fim com sua energia vibrante.

Durante o encerramento do evento, tivemos a oportunidade de conversar com um dos diretores da animação, Jordan Nugem. Ele compartilhou detalhes importantes sobre o processo de criação do projeto e refletiu sobre os desafios e as perspectivas do mercado de animação no Brasil.

Sobre o intenso processo de transformar a série em filme, Jordan comentou: “A série foi lançada em 2019 e teve uma repercussão muito boa, tanto no Brasil quanto no exterior. A partir disso, decidimos tirar da gaveta o projeto do longa, que já existia há bastante tempo. Sempre houve a dúvida se valeria a pena levar essa história para o cinema, especialmente considerando as dificuldades de captação de recursos — ainda mais sendo animação, que é um processo caro e demorado. Mas a série serviu como um grande validador para o filme.”

Ao falar sobre o mercado de animação no Brasil, Jordan compartilhou sua visão com entusiasmo e realismo: “Sinto que o mercado vem crescendo a cada ano e está muito mais presente hoje. Acho que finalmente saiu do nicho dos festivais e passou a ocupar espaço na TV aberta, na TV por assinatura e nas plataformas de streaming, como a Netflix. Estamos conseguindo mostrar ao público o talento dos artistas brasileiros da animação. É um mercado em expansão, mas que ainda enfrenta muitos desafios, principalmente por ser uma área que exige investimentos altos. Ainda não temos, por exemplo, filmes e séries com orçamentos grandiosos como os da Pixar, que possibilitam explorar ao máximo o potencial criativo. Mas, aos poucos, estamos conquistando nosso espaço.”

Como toda pessoa que mergulha em uma profissão onde a criatividade é essencial, perguntamos a Jordan sobre suas referências no mundo da animação. Ele contou: “Sempre fui apaixonado por games, cinema e anime. Minha mãe é super cinéfila e, desde pequeno, ela me mostrava making ofs de filmes de animação. Meu pai, é fã de anime. Cresci imerso nesse universo e, com o tempo, percebi que era esse o caminho que queria seguir. Claro que não foi fácil — estudar animação no Brasil é muito caro — então fui aprendendo por conta própria, com livros, vídeos no YouTube, e aos poucos fui encontrando meu espaço na área.”

Sobre o legado que espera deixar com o filme, Jordan comentou: “Quero muito levar a temática da proteção das florestas e da natureza não só para as crianças, mas para toda a família. É um tema fundamental, um dos mais importantes do planeta — precisamos cuidar do nosso meio ambiente. A proposta é mostrar isso de forma leve e divertida, por meio de uma aventura envolvente, na qual as crianças possam aprender enquanto se divertem.”
