Mike White, criador e diretor de ‘The White Lotus’, levou a aclamada série da HBO a lugares ainda mais desafiadores em sua terceira temporada, incluindo uma chocante cena de incesto entre irmãos.
Contudo, conforme a Variety, apesar de sua propensão a explorar as falhas e sombras do comportamento humano, White revela que há uma linha que ele se recusa a cruzar: o assassinato-suicídio envolvendo toda uma família.
“Por mais sombrios que sejamos neste programa, isso seria sombrio demais”, afirma White.
Essa decisão fundamental explica por que Timothy Ratliff (Jason Isaacs), um dos personagens centrais da temporada, não concretiza seu plano de envenenar a esposa e os filhos após descobrir que está prestes a ser desmascarado em um escândalo financeiro. No final, ele opta por deixá-los viver, mesmo ciente de que, em breve, todos descobrirão que ele perdeu absolutamente tudo.
Para White, encontrar o equilíbrio é crucial. “Você mostra o pior do comportamento humano e as consequências trágicas disso. Mas, ao mesmo tempo, precisa haver algum tipo de empatia, um fio de humanidade que torne tudo isso suportável. É essa mistura que mantém a série palatável e, ao mesmo tempo, imprevisível”.
A inspiração para o complexo personagem de Timothy veio de uma figura real e perturbadora: Xavier Dupont de Ligonnès, o aristocrata francês que, em 2011, desapareceu após supostamente assassinar sua esposa, quatro filhos e dois cachorros.
A história foi sugerida a White por um produtor. Inicialmente, ele achou a ideia “deprimente demais”, mas o caso continuou a assombrá-lo.
“Fiquei obcecado com a ideia de alguém que ama tanto a própria família que acredita estar poupando-a da ruína. Como se o mundo fora da bolha de privilégios deles fosse tão hostil que a morte fosse preferível. E aí imaginei esse homem descobrindo tudo isso logo no início de umas férias em um paraíso distante, enquanto o escândalo estoura do outro lado do mundo. Isso me pareceu a essência de The White Lotus”, explicou.
Na trama, a família Ratliff tem os celulares confiscados ao chegar ao resort na Tailândia, mas Timothy consegue contornar a regra e logo descobre que o FBI está em seu encalço. Drogado com lorazepam, furtado da esposa, Victoria (Parker Posey), ele passa a temporada tendo visões de suicídio, que rapidamente se transformam em planos de assassinato-suicídio, à medida que percebe o quão despreparada sua família está para encarar uma vida fora da elite.
“Não é apenas uma fantasia. É um plano, ainda que turvado por drogas”, explica Jason Isaacs sobre o arco de Timothy. “Mesmo se ele não estivesse dopado, o terror que sente é real. É o medo do abismo”.
Para compor o personagem, Isaacs se inspirou em Robert Maxwell, magnata britânico envolvido em escândalos de fraude e desvio de dinheiro. Embora a morte de Maxwell por afogamento em 1991 tenha sido oficialmente considerada acidental, Isaacs vê de outra forma: “Ele pulou de seu iate para evitar enfrentar as consequências em terra firme. Pensei muito nisso para construir Timothy”.
“Ele está o tempo todo tentando encontrar uma saída”, explica Isaacs. “Sempre há alguém a quem culpar, algo que ele pode fazer. E quando não há mais nada, a ideia da morte como um retorno sereno se torna irresistível”.
Lembrando que as três primeiras temporadas estão disponíveis no catálogo da Max.

Ambientada na Tailândia, a temporada mais recente foca em um grupo multigeracional, incluindo um patriarca, uma executiva, uma atriz, duas mães, um desajustado e um praticante de ioga.
O elenco conta com Walton Goggins, Carrie Coon, Leslie Bibb, Michelle Monaghan, Parker Posey e Lisa, além do retorno de Natasha Rothwell.
