Thiago Lacerda, carioca de nascimento e dono de uma trajetória artística marcante, é um rosto amplamente reconhecido por seu talento na televisão, no teatro e no cinema. Desde o final dos anos 1990, quando iniciou sua carreira, ele vem construindo uma sólida trajetória repleta de personagens inesquecíveis. No cinema, já soma dez longas-metragens em seu currículo. Nos palcos, deu vida a figuras emblemáticas como Calígula, Hamlet e Macbeth. Na TV, ficou eternizado em papéis como o Lula de Malhação, Giuseppe Garibaldi em A Casa das Sete Mulheres, Aramel em Hilda Furacão e, claro, Matteo de Terra Nostra, que conquistou o país.

Durante o Bonito CineSur, o artista de 47 anos foi homenageado pela bela iniciativa do festival ‘As Pegadas da Memória do Cinema Sul-Americano’ — uma ação realizada em parceria com a Prefeitura de Bonito, que promove uma conexão simbólica entre arte, meio ambiente e preservação da memória cultural, celebrando grandes nomes do audiovisual sul-americano. Logo após a cerimônia, em uma conversa breve, mas repleta de pontos interessantes, ele compartilhou reflexões sobre a importância do evento e os caminhos atuais do nosso cinema.

Sobre a importância dos festivais para artistas e realizadores — especialmente como ponto de contato inicial entre a obra e o público — Thiago foi direto ao ponto:
“É de uma importância enorme. É fundamental esse encontro, essa troca, essa oportunidade de nos conectarmos com nossos pares — muitas vezes vindos de outras línguas e culturas, mas com quem, de alguma forma, nos identificamos. Está tudo ligado a esse lugar que a gente ocupa no mundo. Acho que Bonito é um espaço estratégico, central no continente, e pode muito bem se consolidar como um polo comprometido com o cinema e com as histórias que precisamos contar — histórias que nos dizem respeito. Esse lugar é maravilhoso. Qualquer reunião em torno da arte e da cultura é fundamental, importante e urgente. E inserir tudo isso num cenário mágico como esse é algo muito especial. Tenho certeza de que esse festival ainda terá muitas edições — e cada uma mais interessante que a anterior.”

Sobre o atual cenário audiovisual brasileiro, o ator compartilhou um depoimento marcante:
“Vivemos um momento especial — especialmente se considerarmos o que enfrentamos recentemente: um período tenebroso de ataques à arte, ao que é humano, ao afeto. Foi um tempo de violência, autoritarismo e ignorância. Mas esse tempo duro produziu um momento muito interessante e muito potente. Sinto que o brasileiro está cada vez mais interessado no cinema brasileiro. O mercado vive uma fase de ebulição e transformação, ainda com muitos ajustes a fazer. É bonito ver o cinema brasileiro nesse lugar de força, de reconhecimento, e perceber como o Bonito CineSur abraça isso. Nossa gente tem talento, tem voz, capazes de produzir um cinema que convoca e emociona pessoas ao redor do mundo. Viva o cinema brasileiro!”

O Bonito CineSur encerra essa interessante edição no dia 02 de agosto com a entrega do Troféu Kadiweu. Acompanhe toda nossa cobertura nas redes sociais e também pelo site.
