InícioDestaqueToy Story 3 | Os 15 anos de um dos melhores FILMES...

Toy Story 3 | Os 15 anos de um dos melhores FILMES da história do cinema


A franquia Toy Story possui um legado inegável e contínuo, desde sua revolucionária estreia em 1995 até um já confirmado quinto capítulo com estreia agendada para o próximo ano. E, filme a filme, os cineastas envolvidos em trazer essas apaixonantes histórias às telonas mostraram que o universo de Woody, Buzz e todos os outros brinquedos ainda tinha muito a mostrar. E, há uma década e meia, a Pixar nos agraciava com a terceira entrada dessa saga – vertendo um público multigeracional em lágrimas e nos convidando a uma jornada apaixonante marcada pelo melhor da comédia e do drama.

O longa dá um salto temporal em comparação ao capítulo predecessor – e nos apresenta a um Andy já crescido e pronto para sair de casa e viver sua vida, preparando-se para a faculdade. Clamando por mais uma ínfima centelha de atenção de seu dono, Woody (Tom Hanks), Buzz (Tim Allen) e o restante dos brinquedos tenta impedi-lo de ir embora, visto que foram feitos para entreter as crianças – e as coisas tomam um rumo ainda mais complicado quando Andy resolve levar Woody consigo para a faculdade e, acidentalmente, seus amigos são enviados em uma caixa de doações para uma creche local chamada Sunnyside. Com o relógio tiquetaqueando, o nosso adorado caubói vai até lá para resgatá-los, mas fica em choque ao perceber que eles foram bem recepcionados por um urso com cheiro de morangos chamado Lotso (Ned Beatty) e que eles sentem que reencontraram um propósito.

toy story 3 1



Porém, a alegria dura pouco – e Lotso logo mostra quem é de verdade: um tirano autocrata que subjuga os brinquedos recém-chegados – que incluem Jessie (Joan Cusack), Sr. e Sra. Cabeça de Batata (Don Rickles e Estelle Harris, respectivamente), Rex (Wallace Shawn), Hamm (John Ratzenberger), Barbie (Jodi Benson) e Slinky (Blake Clark) – a uma vida de “tortura” na mão das crianças mais novas e que ainda não têm discernimento para entender o que é certo e errado. Buzz, confrontando Lotso, cai em uma perigosa armadilha e é forçado a retornar às configurações de fábrica, tornando-se um lacaio do vilão e prendendo seus amigos ao se deixar levar pela ilusão de que é um patrulheiro espacial lutando contra forças intergalácticas sombrias. E, em uma tentativa de salvá-los de uma vez por todas, Woody parte para o resgate e arquiteta um elaborado plano de fuga.

Para essa mais nova empreitada, Lee Unkrich, que co-dirigiu Toy Story 2’, assume as rédeas desse ambicioso projeto e une-se ao roteirista Michael Arndt para não apenas entregar uma das melhores animações do século, mas um dos melhores filmes da história do cinema – navegando através de temas extremamente importantes e profundos que singram por análises sobre amadurecimento, solidão, letargia e o próprio sentido da vida (por mais que, aqui, estejamos nos referindo a objetos personificados). Em outras palavras, Unkrich e Arndt transformam esse filme de animação em uma obra-prima da sétima arte, carregando cada sequência com uma carga dramática de tirar o fôlego que nos impede de tirar os olhos da tela – e que, à medida que caminha para os créditos, reitera o impacto dessa irretocável franquia.

xr:d:dafihi1fzdk:263,j:37940455046,t:22101320

Falar do trabalho do elenco é redundante a esse ponto, considerando as impecáveis performances eternizadas por Hanks, Allen e Cusack, que retornam para mais uma incrível aventura, e a presença bem-vinda de Beatty como o vilanesco Lotso, bebendo de tropos dos antagonistas dos anos 1990 em um psicótico equilíbrio entre uma perturbadora calmaria que esconde sentimentos de vingança e ressentimento que nunca se curaram; e de Benson e Michael Keaton como Barbie e Ken, respectivamente, trazendo elementos cômicos em um dos melhores arcos do filme. Aqui, é notável como cada um dos atores acompanhou a evolução psíquica e emocional de seus personagens, acrescentando mais camadas a suas personalidades.

Unkrich faz questão de fornecer aos fãs a até então definitiva conclusão da saga – o que se provou falso, considerando que, nove anos mais tarde, um quarto capítulo chegou aos cinemas -, e alcança seu objetivo com “sangue nos olhos”, por assim dizer. Trazendo Jeremy Lasky e Kim White para comandar a belíssima fotografia do filme, percebemos um embate entre a crescente tensão que acompanha os personagens (através de meneios breves para clássicos expressionistas e um uso pungente de luz e sombra, que denota o caráter prisional e claustrofóbico de Sunnyside) e a efemeridade da vida como ela é (principalmente quando o foco é reduzido a ponto de criar um vínculo indestrutível com os protagonistas – e sim, estou me referindo à infame e dilacerante cena do incinerador).

toy story 3 3

Todavia, o ponto de maior encanto do projeto é a maneira como une passado e presente em um testamentário solilóquio de liberdade e de mudança, deixando claro que a única certeza da realidade como a conhecemos é sua metamórfica natureza: as coisas vêm e vão, e saber lidar com elas é um trabalho doloroso, mas necessário, eventualmente transformando-se em um melancólico e esperançoso prisma de compreensão – e trazer isso com a sinceridade e a honestidade vistas em Toy Story 3’ é, no final das contas, um acerto incomparável.

Lembrando que o filme está disponível no catálogo do Disney+.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
MATÉRIAS
CRÍTICAS

NOTÍCIAS