Um bom filme de terror sempre se torna marcante, e fica conosco muitas vezes até o fim da vida. E embora não seja uma regra para termos um bom filme de terror, em sua grande maioria os melhores filmes do gênero, em especial os mais recentes, encontraram nas aberturas chocantes uma boa fórmula para mostrar ao que vieram. É como se chegassem chutando a porta com os dois pés, dando o tom do que iremos encontrar durante a projeção.
Ou seja, muito provavelmente alguns dos seus filmes de terror preferidos, ou quem sabe todos, possuem uma abertura bastante assustadora, que servirá de guia para todo o restante. Pensando nisso e como forma de homenagear a boa safra de produções do gênero que andamos ganhando nos últimos anos, resolvemos separar as 10 aberturas mais assustadoras dos filmes de terror de todos os tempos. Confira abaixo.
10) Extermínio (2002)

Este ano, o terceiro capítulo da saga de zumbis que modificou a forma como tais criaturas eram retratadas no cinema será lançado. Acontece que ‘Extermínio’ criou os mortos-vivos mais velozes que já havíamos visto, destoando completamente do conceito dos zumbis vagarosos aos quais estávamos acostumados. Isso por si só era um feito fora da caixinha. O filme cult rapidamente se tornou popular e gerou uma continuação pouco falada em 2007.
Foi só agora, com a promessa de um novo capítulo, que o diretor Danny Boyle promete colocar a marca da franquia novamente no mapa. Mas nenhum certamente irá causar tanto impacto quanto o original e a sua cena de abertura. Afinal, já imaginou acordar em uma cama de hospital sem lembrança de nada, somente para perceber que não existe mais ninguém no mundo além de você. Bem, ou talvez fosse melhor estar assim.
09) Corrente do Mal (2015)

Um bom filme de terror precisa, entre outras coisas, firmar uma boa ameaça logo em sua primeira cena, para que já nos situemos sobre o que os personagens irão enfrentar em tal história. E poucos filmes fizeram isso tão bem quanto o espetacular longa de David Robert Mitchell. Para começar que a premissa em si é muito boa: uma maldição passada através do ato sexual, a perfeita analogia para as DSTs do mundo moderno – que resume bem o fim da era do amor livre, sem consequências.
Na cena de abertura do filme vemos muito bem que essa maldição não é brincadeira, mesmo que sequer consigamos ver o que persegue a personagem Annie (Bailey Spry). Apenas sentimos o seu desespero e a sensação de que é impossível escapar, mesmo fugindo para bem longe. A manhã seguinte vemos o resultado do que essa maldição é capaz. Simplesmente de arrepiar.
08) Premonição (2000)

Por falar em franquias de terror que irão retornar em 2025, não é apenas ‘Extermínio’ que irá soltar um novo exemplar este ano, ‘Premonição’ acaba de aportar nos cinemas com um novo filme. Este é o sexto ‘Premonição’ e segundo todos que já puderam conferir, está sendo considerado o melhor de todos. A franquia não lançava um filme há 14 anos. Porém, inesquecível mesmo sempre será o primeiro, que criou a fórmula. O resto, por bem ou por mal, é apenas repetição dela.
Ainda posso lembrar como se fosse hoje, sair da sala de cinema abalado, com medo até de atravessar a rua, impactado com cada pequena coisa que pode nos matar no dia a dia. Esse foi o impacto que o filme original causou na época. E quem poderia esquecer o terror da cena de abertura, com o desastre aéreo. Só para depois percebermos que era apenas uma premonição do protagonista. Uma premonição que se tornava bem real.
07) Navio Fantasma (2002)

No início do texto eu digo que um bom filme de terror não precisa ter necessariamente uma cena de abertura assustadora ou impactante. E o inverso também é verdade. Ou seja, nem todo filme que possui uma cena de abertura de arrepiar até o último fio de cabelo é necessariamente bom, ou possui um resultado satisfatório. Esse é o caso com este item da lista: ‘Navio Fantasma’. O início é para lá de promissor, com uma cena que certamente quem viu, jamais esquecerá.
O filme abre em uma festa em um luxuoso navio em 1962, na qual todos os convidados estão dançando ao ar livre. Uma tragédia ocorre quando cabos de aço arrebentam e simplesmente parte toda a tripulação ao meio. Apenas uma garotinha sobrevive a esta tragédia, somente para morrer depois, sozinha e incapaz de pedir ajuda ou ser resgatada, com sua alma ficando presa e assombrando a embarcação. Como dito, apesar desse “senhor início”, o longa cai na rotina e o que vem a seguir é pouco memorável.
06) Midsommar (2019)

O que chama atenção nos filmes de terror de Ari Aster (bem, ao menos os dois primeiros) é o realismo com que cria suas tragédias. É muito fácil considerar um filme de terror “bobo”, caso o que está sendo mostrado na tela não crie identificação ou qualquer traço de realismo. Mas o que assusta nos filmes de Aster é ver o que o ser humano é capaz de fazer, em especial no que diz respeito a tragédias familiares. Esse é o motor que conduz ‘Hereditário’ e também ‘Midsommar’. Nesse segundo, sofremos junto com a protagonista Dani (Florence Pugh), quando ela recebe a terrível notícia de que sua irmã, psicologicamente instável, não apenas tirou a própria vida, como também no surto matou os próprios pais, os pais de Dani também. Já imaginou? Isso é um terror da vida real, pois pode acontecer conosco ou com alguém próximo.
05) Um Lugar Silencioso (2018)

No ano de lançamento de ‘Hereditário’, outro filme de terror chamou bastante atenção, criando inclusive uma “rivalidade” involuntária da parte dos fãs, sobre qual seria melhor dos dois: ele ou ‘Um Lugar Silencioso’. São propostas bem diferentes, o primeiro é mais intimista e dramático, o segundo é criado com efeitos especiais, mais no clima de blockbusters. Ambos são muito eficientes em suas propostas.
Aqui somos levados a um mundo pós-apocalíptico dominado por criaturas monstruosas. A única forma de sobreviver é viver em absoluto silêncio, já que tais criaturas se guiam pelos sons, e pelo barulho. Assim, temos um filme quase mudo. Uma família segue essa regra à risca, mas o pequeno filho comete um vacilo com um brinquedo. Essa introdução serve para desenvolver o trauma dos pais e dos irmãos do pobre garotinho.
04) Pânico (1996)

‘Pânico’ redefiniu o subgênero slasher no fim dos anos 90, e foi tão influente que, além de gerar “imitadores” na época, continua até hoje tirando fruto do seu feito, ano que vem teremos ‘Pânico VII’’ por exemplo. Enquanto o sétimo exemplar não chega, lembraremos do primeirão, que modelou a franquia. Todas as cenas de abertura dos filmes da franquia são memoráveis, já fizemos até um ranking de todas elas aqui no CinePOP (é só procurar no nosso site).
Mas quem jamais poderá esquecer do original, com Drew Barrymore, a pessoa mais famosa do elenco, sendo a primeira a morrer na cena de abertura. Ninguém esperava. Ainda mais que Barrymore aparecia junto com o elenco em toda a divulgação do filme. Ou seja, esperava-se que ela fosse a protagonista. Era o indício de que ninguém estava a salvo.
03) It: A Coisa (1990 / 2017)

Antes do elogiadíssimo ‘It: A Coisa’ (2017), de Andy Muschietti, existiu a minissérie em dois episódios de 1990. Essa foi a primeira adaptação para o audiovisual do livro de Stephen King. Na época, a obra era alugada nas locadoras como uma fita dupla, mas como um filme. Foi só depois que as crianças e os adolescentes que viveram a época descobriram se tratar de uma minissérie que foi exibida em um canal americano, durante duas noites.
Seja como for, em ambas, e também no livro, somos apresentados a uma abertura assustadora, quando o pequeno Georgie, o irmão mais novo do protagonista Bill, sai para brincar com seu barquinho de papel em um dia de chuva. O objeto cai no bueiro e o menino se depara com um palhaço. E assim somos apresentados de forma desconcertante à ameaça de Pennywise, uma figura extremamente maligna que se alimenta dos medos de crianças.
02) Halloween (1978)

E se ‘It’ fica com a terceira colocação, tendo como criador da história ninguém menos que o mestre do terror Stephen King, temos outro mestre na segunda posição. Esse, um mestre do cinema de gênero, incluindo o terror. Falo de John Carpenter, que possui em seu repertório alguns dos filmes mais cultuados da década de 1980. E se ‘Pânico’ remodelou os slashers para os novos tempos, podemos dizer que ‘Halloween’ os criou. Já existiam filmes antes que podiam ser considerados slashers, mas o termo só vingou mesmo depois do primeiro ‘Halloween’.
E foi por causa deste filme que ‘Sexta-Feira 13’ foi criado, por exemplo. E tivemos uma verdadeira enxurrada de filmes criados no mesmo estilo. Mas o original será sempre o desbravador revolucionário. Aqui, Carpenter deixava audiências extremamente desconfortáveis e perturbadas, com a abertura de ‘Halloween’, no qual vemos o assassinato de uma jovem do ponto de vista do assassino. Somente para logo depois descobrirmos que o assassino é um menino de seis anos de idade. Se isso não é valor de choque.
01) Tubarão (1975)

E se nos dois itens acima tivemos dois mestres do terror (um da literatura e outro do cinema), agora temos um verdadeiro mestre, mas não do terror, e sim da sétima arte de forma geral. Steven Spielberg sem dúvida entrará para a história como o maior diretor de cinema de todos os tempos. É praticamente indiscutível se você gosta de cinema. Tudo bem, você pode até preferir outros diretores, que fazem mais o seu estilo – eu mesmo também prefiro. Porém, é inegável que nenhum outro diretor teve tantos sucessos em sua carreira.
Sucesso não é tudo, e Spielberg não se apoiou apenas neles. Seus filmes são relevantes, comentados até hoje, elogiados pela crítica e vencedores dos maiores prêmios do cinema. É o melhor dos dois mundos. E ‘Tubarão’, seu filme mais assustador, que nem de longe é apenas isso, abre com uma cena que já dá o tom do filme. Num paraíso, seguro e sem violência, de uma pequena cidade em uma ilha, uma jovem resolve nadar após ter passado a noite bebendo com amigos. No mar, ela enfrenta outro tipo de violência, a da natureza, quando encontra um grande tubarão branco, com resultado trágico.
