A diferença entre Seth Rogen e Adam Sandler

Comédias escrachadas todos fazem. Escatológicas então parecem ter virado um subgênero. O humor, assim como todos os outros elementos em uma sociedade, segue uma tendência e evolui para não ficar datado. Então, é natural que a maioria das pessoas confunda o fato, colocando qualquer tipo de comédia americana que faça uso de um humor mais ácido no mesmo pacote. Porém, se olharmos mais de perto, poderemos ver grandes diferenças em tais obras.

Nem irei entrar no mérito de se o humor funciona ou não, porque isso é absolutamente relativo. O que pode ser hilário para você, pode não ser para mim, e vice-versa. O que vale a pena ser mencionado é toda a estrutura montada para esta comédia, que consiste na premissa, cenas (situações), diálogos e personagens. A história é simples, mas funciona por ser extremamente identificável. Um jovem casal na faixa dos trinta, e com um bebê recém-nascido, recebe na casa ao lado seus novos vizinhos: rapazes de uma fraternidade.

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No Brasil não temos este conceito, mas seria algo como se diversos estudantes universitários alugassem uma casa, como uma república. Ao se apresentarem para os novos moradores da vizinhança, Mac (Seth Rogen) e Kelly (Rose Byrne) tentam ao máximo parecerem descolados e não os chatos que se tornaram (que antes mesmo de terminarem de se arrumar para sair, já estão cansados demais e acabam desistindo). O que o casal vê nos garotos, em especial no líder da turma, Teddy (Zac Efron), é a chance de recobrar sua juventude perdida.

Mac e Teddy se entrosam logo de cara, porém, por um descuido de uma promessa não cumprida do casal “quadradão”, logo a guerra estará declarada. Assim, os dois times entram em colisão, tentando derrotar os rivais com os golpes mais baixos possíveis, o que rende um festival de cenas muito engraçadas. De um lado, o casal protagonista tenta sabotar os garotos com planos que vão desde desestruturar a amizade dos “cabeças” da fraternidade, por um rabo de saia, até fazer com que os jovens sejam expulsos do campus. Por outro lado, a turma continua azucrinando a paz dos vizinhos, tentando agir “dentro das regras”.

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Se fosse apenas por suas cenas de humor explícito, Vizinhos não teria o mesmo impacto. Mas o que conta muito é a honestidade com que apresenta seus personagens. O líder da fraternidade interpretado por Efron, por exemplo, poderia ser o típico vilãozinho irritante, no entanto, o roteiro de Andrew J. Cohen e Brendan O´Brien (produtores de O Virgem de 40 Anos e Tá Rindo de Que?), o cria como o sujeito mais adorável possível, simpático e amigo, que não hesita em pegar leve e oferecer seu quarto para um calouro torturado descansar. Também vemos outro aspecto do rapaz, que deu preferência para festas e popularidade, e acabou retardando os estudos, ao contrário do melhor amigo.

A situação extrema não nasce do descabido somente para arrancar risadas, mas sim do mundano. E isso é o elemento que a torna crível. Por incrível que pareça, é possível achar doçura e alma em Vizinhos (em especial na última cena entre os então rivais Efron e Rogen, baixada a poeira meses depois). Grande parte disso se deve ao diretor da obra, o especialista Nicholas Stoller. Seu novo trabalho remete diretamente a seu primeiro, Ressaca de Amor (2008), um filme que ia até o limite com suas piadas (basta lembrar do nu frontal de Jason Segel numa das primeiras cenas), mas ao mesmo tempo apresentava momentos como o do musical do Drácula, que realmente despia a alma de seu personagem principal.

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Depois de uma boa escorregada com seu último trabalho, o muito insosso Cinco Anos de Noivado (2012), lançado direto em vídeo no Brasil, Stoller recupera a boa forma, com provavelmente a melhor comédia mainstream do ano. Obviamente, o humor tentará penetrar de todas as formas. Este é o objetivo principal aqui. Caso contrário, seria o mesmo que ter um filme de super-herói tentando deixar a ação de fora. O que se pode argumentar é que talvez Vizinhos seja incorreto demais para você. Se sua preferência for por algo mais ameno.

De qualquer forma, o humor incorreto pode funcionar bem, e se mostrou eficiente ao longo da história, com clássicos como Animal House – Clube dos Cafajestes (1978) – filme ao qual este Vizinhos remete muito – e Os Safados (1988). Ah, e quanto a diferença citada no título deste texto, é que o comediante Seth Rogen se importa com seu público e tenta entregar algo que desperte o interesse, mesmo que nem sempre tudo funcione. Já Sandler, desistiu há tempos…

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