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Você Sabia? Eddie Murphy e Wes Craven fizeram um filme de vampiro – que completa 30 anos


O que comediante Eddie Murphy e o saudoso mestre do terror Wes Craven possuem em comum? Bem, a grande maioria pode se apressar para dizer: “nada”. E por um lado isso é verdade, afinal você consegue achar semelhança em filmes como ‘Um Tira da Pesada’ e ‘A Hora do Pesadelo’, ou ‘Um Príncipe em Nova York’ e ‘Pânico’? Mas e se eu disser que, não apenas existe um filme de interseção entre os dois artistas, mas essa obra está completando nada menos que três décadas de sua estreia. Confira abaixo mais detalhes sobre o cult ‘Um Vampiro no Brooklyn’.

Na década de 1990, Eddie Murphy já era uma das maiores estrelas do cinema de comédia, acumulando uma carreira marcada por grandes sucessos. Depois de se destacar no Saturday Night Live, ele brilhou em filmes como ‘Um Tira da Pesada (1984), que impulsionou sua carreira nas telonas, e ‘Um Príncipe em Nova York (1988), consolidando seu status de astro internacional. Murphy mantinha seu carisma e capacidade de reinventar personagens, preparando-se para explorar novos gêneros e estilos.



Em contrapartida, Wes Craven também já era um nome consagrado no cinema de horror, conhecido por revolucionar o gênero com obras icônicas. Ele ganhou notoriedade especialmente com ‘A Hora do Pesadelo (1984), que introduziu o inesquecível Freddy Krueger e se tornou um marco do terror sobrenatural. Ao longo dos anos 80 e início dos 90, Craven seguiu reinando e sendo reconhecido como um dos expoentes do terror americano – em especial ao encontrar ouro novamente com a criação de ‘Pânico‘ (1996). Um ano antes disso, no entanto, ele aceitava comandar um dos maiores astros cômicos de Hollywood, em um projeto que o próprio havia escrito.

Ao assumir a direção de ‘Um Vampiro no Brooklyn, Craven buscava inovar, combinando horror e comédia com um dos astros mais populares da época, em uma tentativa de ampliar ainda mais seu repertório e alcançar novos públicos. Ou seja, o longa serviria de experimento para ambos. Enquanto Murphy se enveredava pelo primeiro (e único) filme de terror de sua carreira – Craven resolvia apostar na primeira comédia de seu repertório.

É dito que na época, Murphy havia se cansado do tipo de papel que lhe era oferecido e queria mergulhar em algo mais sério. ‘Um Vampiro no Brooklyn proporcionou a oportunidade para mostrar seu lado mais sério e dramático com o papel do vampiro Maximillian. A promessa também era de incluir um pouco do seu estilo habitual por meio de alguns personagens secundários que ele interpretaria com a ajuda de maquiagem e estereótipos escancarados.

Um Vampiro no Brooklyn começou a ganhar forma a partir da colaboração no roteiro entre Eddie Murphy, seu irmão Charlie Murphy e Vernon Lynch, e inicialmente seguiria um caminho semelhante ao de Drácula, de Bram Stoker — com um barco sem tripulação atracando (aqui, de forma cômica) e revelando uma enorme criatura parecida com um lobo como seu único passageiro sobrevivente. Essa criatura então se transformaria em Maximillian, o vampiro caribenho interpretado por Murphy, que está em busca de uma noiva para dar continuidade à sua linhagem. Essa foi a primeira (e única) vez que Eddie Murphy interpretou um vilão.

Uma das testemunhas das primeiras atrocidades cometidas por Maximillian no filme — que incluem arrancar o coração do bandido interpretado por Mitch Pileggi (colaborador anterior de Craven) — é Julius Jones (Kadeem Hardison), um sujeito azarado que pode ser visto como uma versão do personagem Renfield, de Stoker. Outro ator que já havia trabalhado com Craven é Zakes Mokae (‘A Maldição dos Mortos-Vivos), que aparece como uma figura sábia e experiente, podendo ser comparado a um Van Helsing nesse universo, embora com um papel bem menor.

À medida que a trama avança, Maximillian descobre que a noiva que procura é ninguém menos que a detetive Rita Veder (Angela Bassett), meio humana, meio vampira. Bassett, que havia ganhado destaque recentemente com sua interpretação da cantora Tina Turner em What’s Love Got To Do With It (1993) – saindo com sua primeira indicação ao Oscar – felizmente confere ao roteiro um peso muito necessário.

Entre outras coisas o longa seria marcado pela tragédia. Sonja Davis, dublê de Angela Bassett, morreu em um acidente no set. A família de Davis entrou com um processo por homicídio culposo contra a Paramount e a produtora de Eddie Murphy, alegando que os protocolos de segurança adequados não foram seguidos e que a própria Davis estava hesitante em realizar a cena.

Por outro lado, o filme teria sido perfeito para o diretor John Landis comandar. O cineasta já havia trabalhado três vezes com Murphy, nos filmes ‘Trocando as Bolas‘, ‘Um Príncipe em Nova York‘ e ‘Um Tira da Pesada 3‘. Além, é claro, de ser o responsável por obras de terror como ‘Um Lobisomem Americano em Londres‘ e o clipe ‘Thriller‘, de Michael Jackson. Três anos antes, Landis deu sua visão de um filme de vampiros, centrado em Nova York, com direito à máfia italiana – com ‘Inocente Mordida‘. Todos esses itens podem ser encontrados também em ‘Um Vampiro no Brooklyn‘.

Este foi o segundo filme em que Eddie Murphy interpreta mais de um personagem. O primeiro foi ‘Um Príncipe em Nova York (1988). O que demonstra que o ator realmente investiu de forma especial na produção do longa – se dedicando verdadeiramente ao projeto.

Um Vampiro no Brooklyn‘ foi lançado durante o ciclo de filmes de vampiro da metade dos anos 1990. Outros filmes desse período incluem ‘Buffy, a Caça-Vampiros (1992), ‘Inocente Mordida (1992), ‘Drácula de Bram Stoker (1992), ‘Entrevista com o Vampiro (1994), ‘Um Drink no Inferno (1996), ‘Blade: O Caçador de Vampiros (1998) e ‘Vampiros de John Carpenter (1998), respectivamente.

Até mesmo Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, que dirigiram ‘Pânico VI, prestaram homenagem a Wes Craven ao incluir vários easter eggs de sua filmografia em uma das cenas-chave do filme, incluindo pessoas fantasiadas como o Pastor Pauly e a Detetive Rita Veder, de ‘Um Vampiro no Brooklyn.

Um Vampiro no Brooklyn‘ foi lançado no dia 27 de outubro nos EUA, bem a tempo para o dia das bruxas. Apesar de certo hype inicial, as críticas não foram favoráveis, o que acabou minando os planos de sucesso. O filme abriu com apenas US$7 milhões em seu fim de semana de estreia, ficando em terceira posição do ranking. Aliás, nenhuma das três estreias renomadas conseguiu pegar a primeira posição, que permaneceu com a comédia ‘O Nome do Jogo‘, com John Travolta e o saudoso Gene Hackman – em sua segunda semana. Dentre as estreias, ‘Energia Pura‘, drama sobrenatural com Jeff Goldblum, foi o filme que se deu melhor, em segunda posição. ‘Um Vampiro no Brooklyn‘, ao menos se daria melhor que o bom thriller ‘Copycat – A Vida Imita a Morte‘, com Sigourney Weaver e Holly Hunter, que estreou em quarta posição, mas hoje faz sucesso na Netflix.

Com orçamento de US$20 milhões, ‘Um Vampiro no Brooklyn‘ sequer conseguiu se pagar, arrecadando apenas US$19.7 milhões em sua estadia nos cinemas. Porém, o filme está pronto para deixar qualquer ranço de fracasso para trás e se tornar uma pedida para o dia das bruxas trinta anos após sua estreia. Apesar de seu fracasso comercial inicial, o filme conquistou ao longo dos anos uma reputação de clássico cult. A atuação ousada de Eddie Murphy, a mistura inesperada de gêneros e a direção única de Wes Craven fizeram dele uma obra memorável no cânone das comédias de terror dos anos 1990. E hoje, existem diversas matérias de sites de cinema badalados, como o CBR, pedindo um reboot para o clássico – no estilo da série ‘Entrevista com o Vampiro‘. Quem sabe.

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