O panteão Walt Disney é uma máquina em constante expansão que, ao longo de sua história, entregou produções de grande calibre e que conquistaram a crítica e ao público – além de revolucionarem o modo de contar histórias de maneira certeira. E, em meio a tantos títulos, é natural que algumas gemas passem longe do nosso radar, como é o caso de ‘Sky High: Super Escola de Heróis’. Diferente das produções animadas da Casa Mouse, que definitivamente se tornaram marca registrada da companhia, esse honesto longa-metragem foi distribuído sob o selo da Buena Vista em 2005 e conquistou o público através de uma divertida e familiar história que se transformou em um clássico cult.
Vinte anos depois de seu lançamento nos cinemas, o longa-metragem entrou para a lista de subestimadas produções da Disney que inclui títulos como ‘Abracadabra’ e ‘Atlantis: O Reino Perdido’ – o que significa que o brilho dessa narrativa não foi compreendido como deveria à época. É claro que o título teve uma recepção considerável pela crítica e uma modesta bilheteria mundial, mas, quando o revisitamos, percebemos o comprometimento sólido de um time criativo, técnico e performático que se diverte em meio a papéis arquetípicos e bastante conhecidos do universo super-heroico e que, por consequência, nos encanta através de breves cem minutos.

A trama é centrada em Will Stronghold (Michael Angarano), um adolescente de catorze anos que é filho dos dois super-heróis mais populares e poderosos da Terra, o Comandante (Kurt Russell) e Jetstream (Kelly Preston). Às vésperas de entrar para a Sky High, uma escola para metahumanos que flutua no céu, Will se vê em um impasse, pois ainda não desenvolveu nenhum poder – sendo colocado junto a outros estudantes, incluindo sua melhor amiga, Layla (Danielle Panabaker), no grupo de ajudantes (ou seja, alunos que não cumprem os requisitos para serem qualificados como heróis). E, enfrentando mais um dilema, o jovem tenta descobrir a maneira certa de contar aos pais que não tem poderes.
Porém, as coisas mudam quando, durante uma briga contra o impetuoso pirocinético Warren (Steven Strait), Will finalmente descobre que tem superforça igual ao pai, sendo transferido para a sala dos heróis e iniciando uma jornada para descobrir quem realmente é e quem são seus amigos de verdade. Em meio às turbulências da adolescência, ele cruza caminho com a sedutora e simpática Gwen (Mary Elizabeth Winstead), uma poderosa tecnopata que se aproxima rapidamente do nosso protagonista com intenções malignas de colocar as mãos em uma arma de rejuvenescimento e concretizar um plano vingativo arquitetado meticulosamente.

A narrativa apresentada por ‘Sky High’ é pautada em uma gama infindável de produções similares e que, como tantos emblemas do gênero super-heroico, mergulha de cabeça em uma história de origem com ares monomíticos que nos engolfam em uma despojada aventura. Em outras palavras, Will é o nosso clássico “desajustado” que, como podemos ver, não sabe a que lugar pertence e é visto como um estranho em meio a seus colegas. Afinal, ele é o único da classe que não desenvolveu seus poderes, com chances de que nunca consiga fazer isso – mas mostra-se honesto quanto a quem realmente é revela estar orgulhoso de ser um ajudante. Ao cruzar o limiar para território desconhecido, seus valores são colocados em xeque e, cometendo erros até alcançar a glória, ele percebe que precisa ajudar aqueles que ama antes que seja tarde demais.
Angarano brilha como o protagonista dessa empreitada, prestando homenagem a tantos personagens que povoam o imaginário popular e construindo sua própria versão de um herói com qualidades e defeitos. E, em meio a esse coming-of-age construído com uma praticidade funcional e aprazível, ele é acompanhado da ótima presença de Panabaker e Trait, enquanto Winstead se rende a uma performance nostálgica que funciona como carta de amor aos icônicos vilões dos anos 1990 no cinema e na televisão. Ora, até mesmo Lynda Carter, que interpretou Mulher-Maravilha na clássica série da heroína, participa do elenco como a Diretora Powers e brinca com referências à personagem que eternizou.

Dirigido por Mike Mitchell, mesmo nome por trás de ‘Kung Fu Panda 4’ e ‘Shrek para Sempre’, o longa cumpre com a promessa de nos entreter ao não se levar a sério demais e ao conseguir se apoiar em uma apaixonante e inebriante nostalgia que funciona em quase todos os seus aspectos. É claro que, se procurarmos algo mais profundo do que a sinopse denota, iremos nos frustrar; porém, dentro de um escopo reduzido, ‘Sky High: Super Escola de Heróis’ é satisfatório e agradável como deveria ser.
