Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Depois de Hitchcock e Marilyn Monroe, Walt Disney volta à vida na produção de um sucesso da sétima arte

Neste fim de semana estreiam dois “quase filmes do Oscar”. O termo se refere ao fato de que tais filmes geravam grandes expectativas de indicações em diversas categorias no período que precedeu seu lançamento, principalmente na maior delas – melhor filme. Porém, terminaram renegados a indicações menores. O primeiro deles é justamente este Walt nos Bastidores de Mary Poppins, título nacional terrível para Saving Mr. Banks.

Considerado o O Artista do ano passado, o filme prometia arrasar, cativando os membros da Academia com seu teor agridoce e uma história diretamente ligada ao mundo do cinema. No roteiro escrito por Kelly Marcel e Sue Smith, conhecemos a fundo a verdadeira batalha travada por Walt Disney (interpretado de forma certeira por Tom Hanks) para conseguir os direitos cinematográficos sobre a obra Mary Poppins, da escritora P.L. Travers (papel de Emma Thompson).

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Este também prometia ser o ano do veterano Tom Hanks. O ator dono de dois Oscar na categoria principal esteve presente em dois grandes momentos no cinema em 2013, Capitão Phillips e neste Walt nos Bastidores… . Embora o primeiro tenha entrado na categoria principal, Hanks ficou duplamente de fora. No entanto, o Disney de Hanks é coadjuvante para a impactante e minuciosa atuação de Thompson como a escritora amargurada por um trauma de infância.

O filme também pode ser analisado do ponto de vista psicológico, estudando como um trauma em nossos primeiros anos de vida define quem seremos para sempre. A obra do diretor John Lee Hancock intercala sua narrativa com dois momentos no tempo: a infância da pequena Pamela e sua vida adulta, com o pseudônimo já adotado. No primeiro momento temos apenas drama e certa doçura, ao lidarmos com um pai sonhador (e alcoólatra), vivido de forma correta por Colin Farrell e o seu relacionamento especial com a filha.

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No segundo momento, quase todo levado num tom cômico, vemos como isto afetou a vida da mulher sisuda e nem um pouco agradável. O cineasta, que em 2010 fez sucesso no Oscar ao entregar o meloso e superestimado Um Sonho Possível, é um especialista nos gêneros, mas aqui não erra na mão com o açúcar. Hancock acerta ao deixars seus atores comandarem o show. É inegável também a qualidade superior do segmento passado no presente do filme. Afinal, uma família que sofre pelos devaneios do patriarca não é nenhuma novidade e aqui é realizada de uma forma no limite do aceitável.

Na década de 1960, Disney e Travers finalmente chegaram a um acordo que permitiria ao magnata adaptar o livro extremamente popular da britânica. Durante mais de uma década o poderoso empresário americano lutou para fazer do livro um filme. Essa era uma promessa feita a sua filha. Travers precisando de dinheiro resolve aceitar. Porém, tudo precisará acontecer nos termos específicos da irredutível mulher.

SAVING MR. BANKS

A britânica Thompson, que na década de 1990 era uma das artistas mais proeminentes do cinema (com direito a um Oscar de Melhor Atriz por Retorno a Howards End e outro de melhor roteiro por Razão e Sensibilidade – além de mais três outras indicações), volta ao topo e leva nas costas (basicamente) esta produção. Como resultado, a atriz recebeu diversas indicações, incluindo no Globo de Ouro. Já o filme, foi lembrado apenas por sua trilha sonora no Oscar. Para os cinéfilos, qualquer obra que retrate um fato histórico ligado diretamente à produção de um clássico do cinema é garantia de ingresso. O que tem acontecido repetidas vezes em filmes desse (novo) subgênero é a forma como a romantização, principalmente dos personagens, acaba por sobrepujar a grandiosidade do acontecimento principal.

 

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