Atenção! Contém spoilers do episódio 3×01 de ‘Westworld’!

Aquele em que Aaron Paul ouve vozes em sua cabeça.

Um grande hiato, novos figurinos, helicópteros e carros futuristas. Bem-vindos a 2058 — ou à 3ª temporada de Westworld. Esqueça aquele longo vestido azul de Dolores (Evan Rachel Wood), os cavalos e o cenário de Velho Oeste do parque. A briga agora é no mundo real, e o primeiro episódio da temporada, intitulado ‘Parce Domine’, já deixa muitas perguntas para o público tentar responder e apresenta novos personagens em ritmo semi-acelerado. Dessa vez, o jogo é consideravelmente mais simples, pelo menos a princípio. Bom ou ruim? Pergunta para outra hora mas, de cara, bem mais fácil.



O que não significa, é claro, que a realidade de Dolores no mundo real não tenha também seus mistérios. Enquanto, nas temporadas anteriores, podíamos perceber que nos episódios havia múltiplas linhas temporais, aqui parece que estamos sempre em um mesmo momento — em linhas gerais, três meses após a saída do parque. A exceção é a cena de abertura, que ocorre um pouco antes.

Com a linha temporal fora de questão, o episódio se dedica a reapresentar os personagens e introduzir os novatos. Passamos rapidamente com Charlotte (Tessa Thompson, esta assumindo o posto de CEO interina da Delos, sem levantar suspeitas de não ser a mesma Charlotte) e Bernard (Jeffrey Wright, foragido, uma vez que é buscado como responsável pelo massacre no parque), mas os holofotes ficam mesmo com Dolores e com o novato Caleb (Aaron Paul), já de cara um dos novos centros das atenções. 



É através de Caleb e sua rotina entre ruas e festas meio noir, meio burocrática, que conhecemos um pouco melhor a realidade de Los Angeles de 2058. Ele é um rapaz com um sub-emprego na Delos, lutando para pagar as contas enquanto faz serviços externos em um aplicativo que parece ser, basicamente, um Uber para criminosos. Carrega consigo o trauma de ter perdido um amigo, provavelmente em alguma guerra, e faz um tratamento que consiste em conversar com uma inteligência artificial que tenta reproduzir, por voz, os trejeitos do amigo, Francis. Nada é capaz de tirá-lo deste ciclo.

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Paralelamente a este submundo de Caleb — em que a tecnologia chega, mas é incapaz de ajudá-lo a superar um trauma ou a conseguir um emprego melhor –, existem os donos dos meios, e é exatamente onde Dolores estrategicamente está. Transitando por lugares luxuosos com a tranquilidade que só poderia ser vestida por pessoas muito ricas ou robôs, ela tem uma missão: descobrir informações sobre a Incite, uma empresa do ramo de tecnologia que utiliza dados para criar “facilidades” nas vidas das pessoas — descobrir com precisão qual é a sua carreira, quem é seu verdadeiro amor — e controlar meios de transporte, farmacológicos e comunicação. Ou seja, dominar a sua vida. Coisa simples. 

A razão de tanto conhecimento acumulado pela Incite é um robô chamado Rehoboam. Segundo o site oficial da companhia,  “o Rehoboam finalmente dá à humanidade uma forma de transitar entre as milhões de pequenas decisões tomadas ao longo de nossas vidas, e refletir e aprender a partir dos milhares de anos de história humana”. 



O objetivo inicial de Dolores é descobrir o que está por trás do Rehoboam, e para isso ela se aproxima do CEO da companhia, o jovem Liam Dempsey. Conversas ouvidas por um comunicador e armadilhas montadas por ela para investigá-lo dão ao episódio dinamismo e deslumbre cênicos, um frescor para olhos acostumados a ver essa série (e seus personagens) de chapéus, ensanguentados e montados em cavalos. Após tanto ouvirmos falar na tecnologia que existia fora do parque, o momento de conhecê-la deve ser divertido. E, quando a série põe Wood para habilmente migrar de um cenário para outro dando ordens ao próprio ouvido, consegue.

Entre mostrar ao público que a Incite será o grande alvo de investigação da temporada e as renovadas habilidades de Dolores com lutas e armas, ‘Parce Domine’ funciona praticamente como um novo piloto* para Westworld. Há algumas respostas para perguntas deixadas abertas nos episódios anteriores, mas a trama segue em frente e a grande questão caminha para girar em torno do mal-estar tecnológico. Não longe do que esta série sempre foi. Cabe a ela provar que tem um novo ângulo a de bater.  

(*O próprio Caleb, inclusive, é um personagem que aponta para uma grande jornada de transição moldes daquela vivida por Dolores — os paralelos estão até mesmo nos easter eggs. No episódio, o vimos acordando em sua cama três vezes, num plano superior. Temos a mesma cena de Dolores lá no piloto.)

OUTRAS REFLEXÕES



  • ‘Parce Domine’ é um termo em Latim e o título de um canto religioso gregoriano executado entre Salmos. Ao pé da letra, significa “Perdão, Senhor”. Ou seja: poupa a galera, Dolores. 
  • Em um dos momentos finais do episódio, descobrimos que o responsável pela construção de Rehoboam é Serac, personagem este de Vincent Cassel. Os trailers já mostraram que não apenas ele será inimigo de Dolores, como terá uma aliada: Maeve (Thandie Newton).
  • Falando em Maeve, você viu a cena pós-créditos? A anfitriã havia aparecido pela última vez morta no fim da 2ª temporada, e de algum jeito foi parar em outro canto do parque: uma Alemanha nazista da Segunda Guerra…
  • Eventualmente, vamos descobrir qual a relação entre a Incite e a Delos além de ambas fazerem mineração de dados e se envolverem com tecnologia. Será que a nova companhia tem alguma relação com o massacre de Westworld
  • Imagina ter uma moto que você chama e ela vai até você? Praticidade.

Veja o trailer dos episódios seguintes:

 

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