Westworld: Confira nossa crítica do episódio final da 2ª temporada - Nota 10

Westworld: Confira nossa crítica do episódio final da 2ª temporada - Nota 10

Nota:

“(...) porque tudo que é real é insubstituível.”

Eis que chegamos ao Vale (ou ao final da segunda temporada). E é difícil encontrar as palavras certas para descrever a magnitude desta season finale. A primeira temporada fez algo incrível e até deixou a possibilidade de um fim definitivo, enquanto que esta segunda etapa abriu as portas para o que será do futuro. Além de, claro, deixar os espectadores com muitas perguntas não respondidas turbilhando na mente.

Pelo andar da carruagem no anterior, era óbvio que todos estavam se encaminhando para o Além do Vale, cada um com seus objetivos. Aquilo a que chamamos de presente, pois marcava a continuação dos acontecimentos da finale da primeira parte, seria uma espécie de passado. As confusões temporais de Bernard (Jeffrey Wright) era o fator determinante da temporalidade que o telespectador vivenciou durante toda esta etapa.



Como peças de um quebra-cabeça se juntando, ‘The Passenger’ monta a odisseia da segunda temporada. Dolores (Evan Rachel Wood) mostra novamente ter uma consciência geral dos acontecimentos do parque, é como se Ford (Anthony Hopkins) continuasse o trabalho de Arnold (Wright) ao distribuir o conhecimento e permitir, de certa forma, que ela chegasse ao ponto de despertar finalmente. Sendo a anfitriã mais antiga, não é de se admirar a vasta consciência da mesma. O que Dolores quer, Dolores está cada vez mais perto de conseguir.

É de uma genialidade os diálogos da personagem tanto com Bernard quanto com William (Ed Harris). A forma como categorizam os seres humanos, em espécies simples, de decisões previsíveis é algo a se refletir. Ford, inclusive, deixa claro que nós (humanos) somos moldados por aquilo em que acreditamos, e raramente mudamos quem somos, a matriz, a essência. Enquanto que os anfitriões teriam a habilidade de se moldarem, adaptarem, mudarem conforme a necessidade. Até mesmo ser algo melhor?

Maeve (Thandie Newton) foi protagonista de cenas épicas durante o episódio final. Primeiro que a personagem em si já é um ícone que merece aplausos de pé. O momento em que escapa das mãos de um dos funcionários da Delos é incrível. Os búfalos sendo orquestrados por ela é de arrepiar a epiderme. E, claro, a cereja do bolo é o momento em que diz que demoraram demais, portanto, ela precisou salvar a si mesma. É da necessidade humana ter contato, pessoas ao redor e quem amar, óbvio que tendo em sua matriz as questões humanas, os androides também possuem tais necessidades, mas é indiscutível que a personagem de Newton tem a capacidade de sobreviver e muito bem sozinha. Outro momento é a cena em que controla todos os anfitriões para que a filha consiga escapar pela porta. Parecia até cena de quadro renascentista.

Inclusive, é interessante destacar esta ode a bíblia realizada durante esta segunda temporada e, em especial, neste capítulo final. Inclusive, o despertar do Ghost Nation é toda a ideia de rumo ao paraíso. A construção de Bernard é o exemplo de todo o pensamento do corpo material que fica para trás e a alma que se eleva ao paraíso. Por outro lado, Dolores, chamada de ceifadora pelos mesmos, seria a pessoa que poderia ‘destruir’ este modo de sobrevivência, como mostra o próprio episódio. Contudo, o ideal da camponesa é viver o que é real e não esta espécie de “ilusão”.

O grande plot twist é a forma como a personagem de Wood volta à vida, no corpo androide de Charlotte Hale (Tessa Thompson), o que permite a mesma escapar de vez de Westworld. Sendo tudo isso ideia de Bernard, que retoma a consciência e temporalidade ao final desta jornada. E aqui entramos no que seria o futuro, mas na verdade é o presente (tá vendo a loucura?), com Dolores já fora do parque, em uma casa construída por Ford, onde ela pode replicar a forma humanoide de si (o que me leva acreditar que a consciência de Hale agora é outra) e o próprio Lowe.

É preciso relembrar que a camponesa levou consigo mais “bolinhas”, ou consciências androides, o que já pode se imaginar quais personagens, “mortos”, retornarão. Estaria ela com a de Maeve? Ou quem reviverá a meretriz serão os rapazes humanos que estavam com ela antes? E os caminhos, como a própria loura diz, serão diferentes para os dois (Dolores e Bernard), entretanto, ambos são necessários neste domínio do mundo real (ou humano?) por eles que são a chamada nova espécie. Cada um com seus ideais e suas maneiras de acreditar no funcionamento disso. Quase uma espécie de Adão e Eva, não?

Por fim, o público é deixado com uma cena pós-crédito que evidencia um futuro, como se a jornada do Homem de Preto fosse uma simulação baseada em algo que de fato aconteceu. Afinal, a cena com Emily (Katja Herbers) dá a entender que conseguiram extrair sua consciência para um corpo em androide e agora estão realizando os testes. Contudo, aquilo pode indicar um futuro no qual os androides conseguiram o resultado que desejavam e aquela seria a espécie de resistência humana, talvez? Quem sabe estão tentando adquirir algum conhecimento dele sobre o ocorrido para tentar vencer neste novo mundo? Não sei. O que resta agora é aguardar pela terceira temporada (em 2020?).





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