Billie Eilish causou um grande impacto depois de ter feito sua estreia oficial no mundo da música com o aclamado ‘When We All Fall Asleep, Where Do We Go?’, que lhe rendeu reconhecimento planetário e diversos prêmios – incluindo uma limpa total nas principais categorias do Grammy Awards, levando-a a se tornar a artista mais jovem da história a conquistar o prêmio de Álbum do Ano.
Produzido em colaboração entre a Interscope e a Darkroom, o compilado de originais se respaldou em um pesado electro-pop, misturando construções nostálgicas com pontuais baladas melódicas e uma pitada de perturbação intimista que transformou essa investida musical em uma rara joia – e que contou com clássicos imediatos como “all the good girls go to hell” e “bad guy”.
Pensando nisso, resolvemos revisitar essa grande obra e elencar suas cinco melhores músicas.
Veja abaixo as nossas escolhas:
5. “8”
O álbum em si mergulha em uma pessoalidade ainda mais interessante quando pensamos em sua estrutura artesanal. O conceito de quarta parede é quebrado diversas vezes, não só à medida que a cantora se dirige mais diretamente a seus fãs, mas quando admite a presença de uma plateia dentro do próprio cosmos que arquiteta. É isso o que acontece em “8”, onde o eu-lírico traça uma conversa metafórica consigo mesmo em um passado que já não pode mais voltar.
4. “XANNY”
Trazendo referências clássicas do hip-hop e do R&B do início dos anos 2000, cada faixa do álbum nos força a pensar para fora da nossa bolha, ousando dar passos corajosos em direção a um estilo único que, no final das contas, é uma fusão aplaudível de vários gêneros. E essa ideia subjetiva e simbólica ganha forte expressividade com “xanny”, um inebriante suplício de socorro sem cair nos gritos ou na agressividade lírico-instrumental. Através de sua sibilante voz, Eilish passeia através dos potentes sintetizadores e reflete uma angústia atemporal com profundos versos (“não preciso de Xanny [referência ao calmante Xanax] para me sentir melhor”).
3. “ALL THE GOOD GIRLS GO TO HELL”
Eilish não é apenas uma artista musical, mas uma poeta que faz o possível para colocar as mais ácidas críticas suas composições – e aqui faço menção à incrível rendição platônica “all the good girls go to hell”. É quase impossível não traçar diálogos com as conhecidas rebeldias de Lily Allen e sua completa e hilária falta de papas na língua; porém, a track em questão se aventura em um terreno perigoso que critica até mesmo a onisciência de Deus (aqui tratado como Deusa em uma belíssima e espetacular contradição).
2. “BURY A FRIEND”
“Bury a Friend” é uma das assinaturas mais diabólicas de Billie – e uma de suas mais inesperadas. Lançada como o terceiro single de seu primeiro álbum, a canção traz elementos do synth-pop, do pop industrial, da música eletrônica e do pop noir, todos amalgamadas em uma jornada sinestésica que reflete as artísticas predileções angustiantes da performer e que a ajudou a consolidar a própria carreira.
1. “BAD GUY”
Como mencionado no início desta matéria, Billie fez seu grande début com o single promocional “bad guy”, que alcançou o topo da Billboard e quebrou inúmeros recordes de vendas. Porém, não é apenas seu caráter mercadológico que chama a atenção, mas também a atmosfera neo-noir pulsada pelo baixo e pelas tendências do trap que se fundem com o synth e com uma epopeica prosódia que é revitalizada nas faixas seguintes de seu álbum.
