Crítica | A Bruxa

Crítica | A Bruxa

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De Pablo Bazarello, enviado especial a Toronto.

 

Se preparem garotada. Você que é fã de terror e vem ouvindo somente elogios de A Bruxa (The Witch), que o enaltecem como o melhor filme de terror dos últimos anos e mal pode esperar para assisti-lo, saiba que você provavelmente irá odiá-lo. E se conseguir ver tudo, estará no lucro. Você que adora terror, mas reclamou da lentidão de obras de prestígio do gênero, como Corrente do Mal e Babadook, saiba que você ainda não viu nada.




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A Bruxa é um terror de arte. E isso deve dizer tudo o que você precisa saber antes de adentrar uma sessão do filme. Se você tem gosto apenas por filmes de terror que passam nos grandes shoppings, com a narrativa formulaica e tradicional, passe bem longe desta produção. Já se você tem gosto pelo inusitado, pelo cinema novo e diferente, e idolatrou estas outras duas produções citadas acima, suas chances de adorar A Bruxa aumentam consideravelmente.

Aqui no Festival de Toronto, assistimos ao filme no cinema da Universidade Ryerson, próximo ao Entertainment District, que sedia o Festival. O curador da mostra Midnight Madness, especializada em filmes de terror e obscuros, anunciou esta como sendo uma das primeiras exibições públicas do filme, que estreia somente em 2016 nos EUA. Exibição que contou com a presença do diretor da obra, Robert Eggers.

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A Bruxa possui um ritmo deliberadamente lento e em sua maior parte se comporta mais como um drama de época do que propriamente como um terror. Muito pouco acontece, e já imagino a debandada do público casual. Eggers, no entanto, se mantém fiel à sua veia artística e recria até mesmo a linguagem arcaica inglesa do período – o que dificulta bastante para quem está assistindo sem legenda (são muitos “thou” e “thee” – algo como vós e seis).

O clima construído pelo diretor, porém, é impecável. A crueza e o realismo imperam. Como disse o orador ao apresentar o filme, “esta é uma aula de história barra-pesada”. Na trama, uma família vive na área rural de New England na década de 1630. O pesadelo começa quando o recém-nascido simplesmente some quando sob os cuidados de Thomasin (Anya Taylor-Joy – ótima em cena), irmã do bebê e filha mais velha da família. O patriarca William (Ralph Ineson) acredita que o menino possa ter sido levado por lobos, mas logo os irmãos caçulas da menina começam a suspeitar de sua conduta errática.

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Ao longo, o diretor e roteirista vai desenvolvendo seus personagens e movendo adiante a história. O clima vai se intensificando, e o cineasta brinca com as possibilidades das reviravoltas em sua trama. Seria Thomasin uma bruxa satanista, ou realmente a floresta que cerca a propriedade da família é assombrada por seres sobrenaturais – possivelmente uma verdadeira bruxa.

As atuações são ótimas, em especial dos atores mirins – destaque para a protagonista Taylor-Joy. Quem aguentar assistir até o final ganhará um presentão. O desfecho do filme, digamos os seus 15 – 20 minutos finais, reservam alguns dos momentos mais assustadores e perturbadores da história do cinema – se tornando algo digno de clássicos como O Bebê de Rosemary (1968), por exemplo. É simplesmente alucinante e impactante.

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