Crítica | The Pretty Reckless encontra força na fragilidade com o visceral hard-rock de “Dear God”

Cinco anos depois de ter nos presenteado com um glorioso comeback que ganhou o título de ‘Death By Rock and Roll’, a popular banda The Pretty Reckless, encabeçada por Taylor Momsen (sim, o mesmo nome de produções como ‘O Grinch’ e ‘Gossip Girl’) está prestes a retornar ao mundo da música com o aguardado álbum ‘Dear God’. O quinto compilado de originais do grupo de hard rock vem sendo teve início em agosto do ano passado com o lançamento de “For I Am Death”, lead single que foi sucedido pela irretocável e despojada lírica de “When I Wake Up” e pela pungente balada “Love Me”.

Enquanto aguardamos o lançamento do disco por completo, agendado para o dia 26 de junho, o grupo continua a nos instigar com faixas inéditas – e a mais recente canção promocional a chegar às plataformas de streaming é o épico hino hard rock que empresta seu nome ao título do álbum. Estendendo-se por expressivos seis minutos, a música é uma potente exploração de todo o cru potencial da banda, desde os incríveis e guturais vocais de Momsen à produção em conjunto da cantora, de Bem Phillips e de Jonathan Wyman. Ao misturar diversos elementos que trazem referências estilísticas e técnicas de seus conhecidos sucessos, a track é uma declamação frenética e urgente que funciona do começo ao fim e que nos deixa ainda mais ansiosos para conferir o compilado na íntegra.

Não é apenas o hard rock que ganha espaço na canção: as primeiras notas da epopeica produção navegam pela sutileza do blues rock, contando com a equilibrada amálgama de bateria, piano, baixo e guitarra que logo dá espaço a uma sinestésica atmosfera sombria e taciturna – deixando a conhecida melancolia irônica do grupo para trás e trazendo uma inesperada introspecção a seu catálogo. Momsen, responsável não apenas pela potente e visceral entrega, como pelos versos e pela produção, sabe muito bem o que está fazendo e trabalha ao lado de Phillips e Wyman para oferecer a seus fãs uma celebração do post-grunge e do doom metal.

A banda se beneficia de uma tentativa sólida de trazer algo de diferente a uma estética que, nas últimas décadas, vem desaparecendo em meio à contínua dominância do pop, do R&B e do rap no cenário mainstream. Felizmente, as densas e impactantes pulsões que Momsen e seus colaboradores nos oferecem funcionam em sua completude, permitindo que a cantora e compositora mergulhe em súplicas a um ser superior intangível e incomunicável, singrando por uma vulnerabilidade que é muito bem-vinda e que os mostra dispostos a encontrar força na fragilidade.

Lembrando que “Dear God” já está disponível nas principais plataformas de streaming.

The Pretty Reckless fez sua estreia oficial no mundo da música em agosto de 2010, com o lançamento do disco ‘Light Me Up’, que contou com o popular lead single “Make Me Wanna Die”. Desde então, o grupo lançou outros três álbuns, incluindo o aclamado ‘Death By Rock and Roll’ (2021), que integrou nossa lista de Melhores Álbuns do AnoMelhores Álbuns de Rock do Século.

A banda é formada pela vocalista Taylor Momsen, que ganhou destaque após interpretar Cindy Lou Who em ‘O Grinch’ e Jenny Humphrey em ‘Gossip Girl’, pelo guitarrista Ben Phillips, pelo baixista Mark Damon e pelo baterista Jamie Perkins.

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Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.