Crítica | O Sono da Morte

Crítica | O Sono da Morte

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O misterioso mundo dos sonhos e o dos filmes de terror sempre andaram de mãos dadas. Uma das maiores franquias do gênero, por exemplo, ‘A Hora do Pesadelo‘, utiliza justamente este tema para desenvolver sua história – o que acabou imortalizando um dos vilões mais icônicos do gênero, Freddy Krueger. Usar os sonhos como um “portal” para algo ameaçador é uma ideia muito assustadora, afinal de contas, sonhos não podem ser controlados e, muito menos, evitados. É por isso que este é um conceito tão interessante para ser explorado em filmes de terror. Há todo um fascínio pelo desconhecido, além da oportunidade de entrar em um mundo onde literalmente qualquer coisa pode acontecer. Qualquer coisa.

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Na trama, depois de um acidente trágico envolvendo seu filho, Jessie e Mark decidem adotar um adorável garoto de 8 anos, Cody. Apesar de carismático, o garoto já havia passado por diversas outras famílias, sem sucesso. Não demora muito para eles descobrirem que Cody morre de medo de adormecer. No início, o casal imagina que os lares instáveis pelos quais ele passou possam ter causado sua aversão ao sono, mas logo descobrem o motivo: os sonhos de Cody se manifestam na realidade enquanto ele dorme. No entanto, enquanto os seus sonhos trazem a incrível experiência de sua imaginação, os seus pesadelos revelam a natureza horrenda dos seus terrores noturnos. Agora, para salvar sua nova família, Jessie e Mark embarcam em uma caçada para descobrir a verdade por trás pesadelos de Cody, porque seu dom não só é perigoso, como também mortal.




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Não se deixem levar pelo título ou o material de divulgação que querem te fazer acreditar que este é um filme de terror; está bem longe disso. Apesar de apresentar alguns elementos mais sombrios – com alguns sustos fáceis –, estes não são o foco do enredo. De fato, ‘O Sono da Morte‘ é muito parecido com ‘Mama‘, lançado há alguns anos; não é o seu típico filme do gênero. Há carga dramática maior e uma forte mensagem emocional no desenvolvimento da trama. Dito isso, acredito que o filme consegue entregar algo original e é competente naquilo que se propõe.

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Eu vi muitas pessoas reclamando das reviravoltas do roteiro, mas é preciso destacar que a trama é basicamente desenvolvida através do ponto de vista de uma criança. Como toda criança normal, Cody não tem o mesmo nível de compreensão que nós, além de ser facilmente influenciado por terceiros. Um exemplo disso são as borboletas que aparecem em seus sonhos. Em um primeiro momento, elas não têm antenas. Mas, depois que uma personagem aponta a falta desta característica em seus desenhos, as borboletas dos seus sonhos passam a ter as antenas. A trama gira em torno de sua visão de mundo, e como ela é moldada pelos fatos que acontecem em sua vida. Por isso fiquei satisfeito com a explicação em torno do mistério dos seus pesadelos. Fez sentido com o que o filme havia apresentado até então.




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Os personagens também são muito carismáticos e os atores estão muito bem em seus papéis, especialmente o garotinho. A construção do relacionamento entre os três personagens principais é um dos pontos mais interessantes do filme. Enquanto o pai e o menino logo constroem uma ligação forte, a mãe passa por um processo que demora um pouco mais. No começo da trama ela está quebrada, devastada pela morte do seu filho. Mas, por trás de toda a fantasia, há uma batalha interna da personagem, que precisa se desprender do seu passado para salvar o futuro deste novo menino que agora depende dela. Aliás, a figura da borboleta, recorrente em todas as sequências de sonho, não é gratuita. No simbolismo, a borboleta significa mudança, transição; algo que está ligado intimamente com a mensagem pessoal do filme.

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É claro que, quando falamos sobre filmes envolvendo sonhos, é natural dizer que eles poderiam feito algo mais – não importa o quanto eles já tenham feito. Isso se deve justamente por causa desse inacabável mundo de possibilidades. O enredo poderia sim ter introduzido vários outros elementos, mas preferiu focar em algo mais contido e pessoal – o que, mais uma vez, faz sentido com a sua proposta. O desfecho, apesar de satisfatório, ainda deixa uma pequena janela para interpretações pessoais. Nem tudo é mastigado para os espectadores, e não espere que eles revelem a origem a respeito do dom do personagem. Não precisamos saber tudo com detalhes. Faça como o personagem principal, use sua imaginação. Mas cuidado com os pesadelos.

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