Ao longo da história da música, diversos álbuns eventualmente foram esquecidos e ofuscados por peças mercadológicas que ganharam maior apreço do público e da crítica – e boa parte dessas produções acabou sendo redescoberta anos depois por construções avant-garde e futuristas demais para a época em que foram lançados.

Dessa forma, separamos uma breve com lista com dez álbuns que foram subestimados no ano de sua estreia e que se tornaram um fracasso crítico e/ou comercial, ou que até mesmo passaram longe do radar mainstream – sendo revisitados com paixão indiscutível tempos mais tarde.

Confira abaixo nossas escolhas:

IMPOSSIBLE PRINCESS, Kylie Minogue (1997)



Quando lançado, o sexto álbum de estúdio de Kylie Minogue dividiu os críticos por sua produção um tanto quanto oscilante – mas extremamente importante para o amadurecimento de uma artista que vinha experimentando coisas novas e encontrando uma nova identidade musical. Afastando-se de seus trabalhos anteriores, Minogue incorporou os revolucionários elementos do britpop dos anos 1990 a incursões celtas e orientais em uma explosão criativa sem igual.

ASHANTI, Ashanti (2001)

O álbum de estreia homônimo de Ashanti foi encarado com indiferença extrema quando lançado, criticado duramente pela superficialidade de seu conteúdo lírico. Entretanto, ao completas quinze anos, a obra foi revisitada com afinco passional e foi colocado no topo dos melhores álbuns do R&B do começo do século, principalmente por fazer ode ao classicismo dos anos 1990 e por utilizar um pop extremamente chiclete e dançante.

UNDER MY SKIN, Avril Lavigne (2004)



Seguindo o sucesso sem precedentes de ‘Let Go’Avril Lavigne apostou em uma atmosfera mais agressiva e obscura com Under My Skin – e, apesar de ter tido uma recepção relativamente favorável pela crítica e ter vendido mais de 8 milhões de cópias, não tem a atenção que merece. O álbum foi um dos principais responsáveis por definir o pop punk dos anos 2000 e um dos primeiros trabalhos a antecipar a intensidade emocional e as estéticas teatrais do pop emo no cenário mainstream.

BLACKOUT, Britney Spears (2007)

Depois de um conturbado período de exposição pública e de um comportamento errático resultado do esgotamento emocional da princesa do pop, Britney Spears lançou retornou em 2007 com Blackout. Inegavelmente sua melhor produção, a artista se reinventou através de ácidas, envolventes e sensuais canções que misturaram dance-popelectropop e certas influências do europop e do dubstep. Com um liricismo crítico chocante, a obra teve recepção mista por parte dos especialistas – mas isso não impediu que ganhasse um status quase dêitico com o passar dos anos, influenciando diversos outros nomes.

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TEENAGE DREAM, Katy Perry (2010)

Katy Perry pode ter sido a segunda pessoa na história a ter levado o Spotlight Award para casa (precedida apenas por Michael Jackson) por Teenage Dream, mas a crítica não teve o mesmo apreço pelo álbum quanto os fãs, condenando a vulgaridade desesperada das canções e a produção fragmentada da obra. Demorou quase uma década para que ela fosse redescoberta como um presente para a música pop, construindo iterações borbulhantes e dançantes ao extremo.

BIONIC, Christina Aguilera (2010)

Em 2010, Christina Aguilera ousou sair de sua zona de conforto e deu vida a Bionic, uma brilhante joia musical que, conforme os anos passam, ganha mais aclame. Criticada negativamente pela produção exagerada e pela falta de coesão entre as canções, Aguilera rendeu-se ao electropop com fervor incontrolável – e serviu de base para diversas outras tantas produções irreverentes e controversas que seriam lançadas anos mais tarde. Mais do que isso, revisitar esta obra é quase mandatório para aqueles que desejam conhecer a estética sonora dos anos 2010.



ELECTRA HEART, Marina (2012)

Marina Diamandis, conhecida artisticamente como Marina, trouxe temas de extrema importância para discussão com o quase impecável Electra Heart. De longe a melhor entrada de sua carreira, a produção teve recepção mista por parte da crítica – e, nos dias de hoje, é relembrado como uma das grandes peças fonográficas do pop. A obra conceitual é acompanhada de vários alter-egos da artista e merece reconhecimento por sua proposital ambivalência e por sua infecciosa atmosfera.

ARTPOP, Lady Gaga (2013)

Lady Gaga experimentou o agridoce gosto da fama pouco depois de lançar ARTPOP, sua quarta produção musical e terceiro EP de estúdio. Considerado por vários especialistas como um álbum à frente de seu tempo, Gaga foi massacrada pela mídia ao falar abertamente de drogas, sexo, empoderamento feminino e expressão artística – quando, na verdade, apresentava ao mundo uma versatilidade incrível e uma premeditação do synth-pop contemporâneo. Não é surpresa que, até hoje, o CD é relembrado como uma obra-prima subestimada que merece justiça.

REVIVAL, Selena Gomez (2014)


Selena Gomez atingiu um surpreendente amadurecimento artístico em 2014, com o lançamento de Revival. A sólida recepção crítica, entretanto, não impediu que vários fãs criticassem o teor “estranho” das músicas, que se afastavam do costumeiro pop apresentado pela artista em seus trabalhos anteriores. E é justamente isso que transforma o álbum em uma investida audaciosa, melódica e sensível, através de letras que representam os medos e as paixões de uma mulher que finalmente enxerga o mundo como ele é.

MADAME X, Madonna (2019)

Depois de ‘Confessions on a Dance Floor’Madonna permaneceria quase quinze anos sem ousar na indústria fonográfica. Com produções esquecíveis de ‘MDNA’‘Rebel Heart’ (com breves exceções), a rainha do pop teria um surto criativo com Madame X, seu 14º álbum de estúdio. O experimentalismo on point e a introdução de elementos do fado e das culturas africanas transformou o CD em uma poética e conceitual epopeia que inclusive seria base para as incursões saudosistas de 2020.

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