Crítica | Sexto capítulo da franquia ‘Todo Mundo em Pânico 6’ é uma TRESLOUCADA aventura que não deixa ninguém a salvo

Crítica livre de spoilers.

A franquia Todo Mundo em Pânico é uma das mais populares do gênero e se tornou um dos emblemas dos filmes-paródia, resgatando as comédias escrachadas dos anos 1980 e 1990 para uma insana e metalinguística jornada pelo terror. Tomando como mote o clássico ‘Pânico’, lançado em 1996 por Wes Craven, a saga encabeçada pelos Irmãos Wayans teve início nos anos 2000 e, apesar das críticas mistas para negativas, arrecadou quase US$900 milhões ao redor do mundo e se consagrou uma das mais adoradas pelo público.

É notável como a qualidade dos filmes, que obviamente nunca se levaram a sério, decaíram iteração a iteração, principalmente quando os Wayans se afastaram do projeto após divergências criativas com os produtores executivos. Não é surpresa que o quinto capítulo, lançado em 2013, tenha se tornado um fracasso colossal de crítica e de público, sendo caracterizado como uma das piores produções cinematográficas do século em uma pífia tentativa de reboot. Agora, mais de uma década mais tarde, os Wayans retomam parceria com a Miramax e com a Paramount Pictures para o lançamento do sexto Todo Mundo em Pânico, que chega ao Brasil hoje, 4 de junho.

Close-up of a man screaming at the camera, surrounded by friends laughing indoors; a Ghostface-costumed figure stands in the background.

Considerando que o primeiro capítulo se baseou em ‘Pânico’, não é nenhuma surpresa que a história se inspire no icônico universo slasher de Craven para nos reintroduzir a icônicos personagens que aprendemos a amar – construindo uma cena dupla de abertura que conta com a presença da indicada ao Oscar Teyana Taylor interpretando a si mesma e a Waldinha Campbell (Savannah Lee Nassif), um rip-off de Jenna Ortega e de ‘Wandinha’ que já nos entrega o mote do longa: o perigoso Ghostface está de volta para mais uma onda de ataques, trazendo o core four da franquia de comédia para mais uma batalha recheada de comentários ácidos, comédia física e uma amálgama explosiva de diversas referências diretas e indiretas.

O longa segue de perto a fórmula reboot-sequência que Tyler Gillett e Matt Bettinelli-Olpin e não só nos apresenta a rostos inéditos da franquia, como Nassif e Olivia Rose Keegan como Waldinha e Sara Campbell, respectivamente, como não perderia a oportunidade de resgatar os personagens-legado. Além dos quatro protagonistas, Cindy (Anna Faris), Brenda (Regina Hall), Shorty (Marlon Wayans) e Ray (Shawn Wayans), o projeto dá as boas-vindas de volta a Dave Sheridan como o agora aposentado delegado Doofy Gilmore; a lenda da comédia Cheri Oteri como a repórter Gail Hailstorm; e Lochlyn Munro, frequente colaborador dos Wayans, como Greg Phillippe. Cada um tem seu momento de brilhar e, por mais que a quantidade de referências e de piadas seja ainda maior que o esperado, tudo faz sentido dentro da caótica ambientação que o carregado roteiro constrói.

As sátiras não apenas são infundidas com a conhecida acidez da franquia, mas não pensa duas vezes antes de zombar dos recentes filmes de terror que dominaram o cenário da sétima arte nesse longo hiato entre o quinto e o sexto capítulos. Além de ‘Pânico’, temos a presença de ‘A Hora do Mal’, ‘Sorria’, ‘Halloween’, ‘Ma’ e até mesmo ‘A Substância’ em uma das sequências mais engraçadas e inesperadas do projeto – e tudo graças ao roteiro indesculpável e propositalmente profuso que Marlon e Shawn assinam ao lado de Keenen Ivory Wayans, Craig Wayans e Rick Alvarez.

Um dos pontos de maior sucesso da obra é, sem sombra de dúvida, a permanente e nostálgica química do elenco, em especial do core four – que mostra estar se divertindo como nunca ao reprisar papéis que carregam um impacto considerável na cultura pop. Os novos atores também fazem um bom trabalho ao se jogarem de cabeça nessa hilária narrativa, com destaque a Keegan pegando emprestado alguns trejeitos de Farris para construir a personalidade de Sara. E, enquanto algumas piadas não funcionam – e aqui me refiro às cenas mais escatológicas e que soam muito datadas, mesmo dentro desse universo -, outras acertam a marca em cheio e nos tiram boas gargalhadas ao longo de breve 96 minutos de duração.

A sexta entrada de Todo Mundo em Pânico é exatamente o que esperamos de um dos emblemas do cinema satírico, não deixando ninguém e nenhum assunto a salvo à medida que aposta numa acidez tão sardônica que é impossível não nos divertimos com esse bem-vindo convite para retornar à tresloucada mente dos Irmãos Wayans e companhia.

Atenção: o filme conta com duas cenas pós-créditos.

author avatar
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

Notícias

10 NOVAS SÉRIES que você precisa dar uma olhada

As produções seriadas chegam com força neste ano, com...

‘Devil May Cry’ é RENOVADA para a 3ª e ÚLTIMA temporada

A Netflix renovou oficialmente a série animada 'Devil May...

‘Backrooms’ ultrapassa US$ 100 milhões nos EUA e quebra RECORDE da A24

Sucesso! O terror 'Backrooms: Um Não-Lugar' conseguiu ultrapassar a marca...

Crítica | ‘Mestres do Universo’ é um dos MELHORES live-actions já feitos…

'Mestres do Universo' passou anos em estágio de desenvolvimento,...