Se o debate sobre as inteligências artificiais está em alta hoje em dia, há pouco mais de dois anos, o diretor Gareth Edwards trouxe essa temática para os cinemas em um filme espetacular de ficção científica. No entanto, ele acabou passando meio despercebido pelos cinemas do mundo, não fazendo de Resistência um sucesso de público – apenas de crítica.

Mesmo com o baixo público nos cinemas, quem assistiu ficou encantado. Pensando nisso, o CinePOP reuniu 10 curiosidades que você talvez não conheça. Confira!
O mestre

O filme fala sobre o embate entre a humanidade e as inteligências artificiais. Por isso, a ideia original de Gareth Edwards era brincar com a proposta das IA’s para mexer com o público. Por isso, ele contratou uma empresa focada nas inteligências artificiais para compor uma trilha sonora “original” ao estilo Hans Zimmer. Apesar do resultado ter ficado bastante satisfatório, ele sentiu que faltava alguma coisa. Diante disso, ele acabou sendo afetado pela própria trama do filme e convidou o mestre Hans Zimmer para compor a trilha original.
Filme raiz

Enquanto fazia os preparos para o início das filmagens, Gareth Edwards visitou um estúdio de realidade virtual e ficou completamente surpreso ao se deparar com um pôster exposto na parede que trazia o processo básico de “fazer cinema”. Ele perguntou ao rapaz do estúdio o motivo de um cartaz tão besta, ensinando a fazer o básico, estava preso ali. A resposta mudou de vez os rumos de Resistência. Ele respondeu que aquele pôster tinha mais de 100 anos. Diante dessa percepção secular, Edwards colocou na cabeça que seguiria aquilo à risca. Não usaria telas verdes ou cenários artificiais para fazer o filme. Ele queria um processo “raiz” de filmagem em cenários reais, com câmeras menores e com uso mínimo de computação gráfica.
Câmera

Para as filmagens, o diretor apostou nas câmeras Sony FX3, que são um modelo profissional utilizado muito por diretores iniciantes, não apenas por serem mais leves e mais fáceis de transportar e utilizar, mas principalmente porque têm um custo mais acessível. É um “modelo de entrada”, por assim dizer. E ela foi escolhida justamente por ter um ISO potente, mas ser muito leve e de fácil manipulação, fazendo dela o modelo ideal para gravar as cenas em meio às areias e pântanos das locações.
Locações

Por incrível que pareça, a decisão de Gareth Edwards de apostar em locações reais acabou saindo mais barata do que a decisão original de alugar estúdios e gastar fortunas com equipes de computação gráfica. Isso permitiu que o time viajasse por oito países asiáticos de acordo com as paisagens que fossem necessárias para a trama. “Selecionamos a dedo: os vulcões da Indonésia, templos budistas no Himalaia, ruínas do Camboja e vilarejos flutuantes”, explicou o diretor nos bastidores.
Impressionou

Além de diretor, Edwards também atuou como roteirista do filme. Ele se inspirou em diversas franquias que despertaram sua paixão pelo cinema na infância para escrever essa história. Mas o ponto é que seu protagonista foi escrito pensando justamente no ator John David Washington, após assisti-lo no filme Monstros e Homens (2018), em que ele interpreta um policial negro em meio às tensões raciais que tomam conta dos Estados Unidos. Seu trabalho foi tão visceral que o diretor não via outra opção que não o próprio John para interpretar seu protagonista. Felizmente, eles conseguiram ajustar suas agendas para que o rapaz pudesse protagonizar Resistência.
Escolha certa

Uma das escolhas mais difíceis do elenco foi a da pequena Alphie. Por conta da pandemia, eles realizaram centenas de testes por meio de vídeo. Quando houve a primeira oportunidade de testes presenciais, eles se encantaram com Madeleine Yuna Voyles. A menina emocionou a todos de forma orgânica, a ponto de Gareth Edwards pensar que aquilo era um daqueles momentos “acidentais” e que ela não seria capaz de repeti-lo nas filmagens. Então, ele inventou uma cena nova na hora e pediu para a menina atuar. O resultado foi ainda mais emocionante, tendo arrancado lágrimas de todos na sala. Era ela.
Figurantes

Grande parte dos coadjuvantes e figurantes do longa eram apenas moradores do entorno da região das filmagens, incluindo as crianças. “Algumas das crianças concordaram em raspar a cabeça e brincar de alguns dos monges robôs”, explicou o diretor, que afirmou ainda que: “Foi meio surreal. Todos ficaram muito animados por participar de um filme de Hollywood.”
NOMAD

Parte fundamental da trama, a NOMAD, base militar americana em forma de espaçonave, foi um dos elementos mais desafiadores da produção. Mais do que chegar ao visual, que o próprio diretor definiu como uma “ave de rapina capaz de observar a tudo e todos do céu”, foi muito desafiador encontrar os efeitos sonoros ideais. Segundo Gareth Edwards, foi um processo que tomou sua mente durante todos os lockdown vividos durante a pandemia de Covid-19.
Filme único

Ao contrário de muitos projetos de grandes estúdios, Resistência não foi pensado para virar franquia. “Minha parte favorita de uma história é como ela termina. A melhor parte de uma piada é o gancho da própria piada, sabe? Então, quando tento criar uma história, sempre trabalho de trás para frente, partindo do final para tentar levá-la ao clímax o máximo possível. Tudo meio que leva a esse momento. Então essa história é autossuficiente”, disse.
Mas nunca se sabe

Porém, mesmo com essa ideia de um filme autossuficiente, antes do filme lançar, Edwards se mostrou aberto a fazer uma continuação, caso o longa fosse um sucesso e o estúdio viesse atrás dele por mais capítulos. “Seria um ‘problema’ excelente o estúdio vir até você, dar um tapinha no seu ombro e dizer: ‘Ei, Gareth, você tem que pensar em algo. Precisamos de uma continuação'”, disse. “Mesmo que isso não esteja na minha agenda, vamos torcer”, comentou. Infelizmente, o filme acabou ficando abaixo das projeções de bilheteria e de premiações. O custo estimado, sem incluir o orçamento do marketing, foi de US$ 80 milhões, enquanto a arrecadação ficou na casa dos US$ 100 milhões. Uma pena.

