InícioDestaque10 músicas populares com DUPLO SENTIDO

10 músicas populares com DUPLO SENTIDO


O mundo da música é recheado de inúmeras incursões bastante inteligentes e sagazes, que fazem bom uso de metáforas e outras figuras de linguagem que as deixam com um sentido escondido pelas entrelinhas e pelas batidas.

Apenas para citar alguns exemplos, temos o icônico grupo Spice Girls com a clássica “2 Become 1”, que transforma o ato sexual em uma belíssima pintura romântica, e a titânica Lady Gaga, que falou sobre sexualidade com a conhecida “Poker Face”, um de seus maiores hits.

Pensando nisso, preparamos uma breve lista elencando dez canções com duplo sentido que você precisa conhecer.



Veja abaixo as nossas escolhas:

“BLACKBIRD”, The Beatles (1968)

Regravada recentemente pela lendária Beyoncé para seu álbum ‘Cowboy Carter’, ‘Blackbird’ foi eternizada pelo grupo The Beatles no final dos anos 1960 – e foi inspirada pelo momento em que Paul McCartney foi agraciado com a presença de um melro-preto durante seus estudos em Meditação Transcendental na Índia. Porém, a cândida narrativa, na verdade, é inspirada pelo movimento dos Direitos Civis que perdurou por mais de uma década nos Estados Unidos – servindo como plataforma para a defesa da comunidade afro-americana que sofria com a segregação racial no país.

“WALK THIS WAY”, Aerosmith (1975)

“Walk This Way” é uma das canções mais famosas da banda Aerosmith e não apenas se tornou um emblema de uma das décadas mais fervorosas do rock, como foi uma das responsáveis por colocá-los no cenário mainstream e a revitalizar a carreira do grupo nos anos 1980. E, diferente do que muitos pensam, a música, na verdade, foi inspirada no clássico terrir ‘O Jovem Frankenstein’, fazendo alusão à cena em que o Dr. Frederick Frankenstein (Gene Wilder) começa a imitar o jeito de andar manco de Igor (Marty Feldman), seu servo corcunda.

“EVERY BREATH YOU TAKE”, The Police (1983)

Considerada uma das assinaturas da icônica banda de rock inglesa The Police, “Every Breath You Take”, na verdade, não possui um duplo sentido em seu cerne, mas foi adotada de maneira “equivocada”, por assim dizer, pelos ouvintes. Ainda que inúmeros fãs encarem a canção como uma declaração de amor e proteção, o próprio vocalista do grupo, Sting, afirmou que a natureza do single é mais sombria do que aparenta e, na verdade, fala sobre um homem que está obcecado por uma mulher e observa cada passo que ela dá.

“WATERFALLS”, TLC (1995)

O icônico grupo de hip-hop TLC imortalizou diversas canções no cenário musical, incluindo a famosa e prestigiada “Waterfalls”. Enquanto o enredo é pautado na frase “não vá correr atrás de cachoeiras”, o que pode ser entendido como um aviso para não insistir em coisas que não valem a pena, o verdadeiro significado da música faz apologia à epidemia de HIV/AIDS que assolava os Estados Unidos desde os anos 1980, servindo como hino de uma comunidade marginalizada e que ainda desconhecida os perigos do vírus.

“2 BECOME 1”, Spice Girls (1996)

O grupo britânico conhecido como Spice Girls dominou os anos 1990 de maneira incontestável – gerando sucessos que são conhecidos mesmo décadas depois de seu lançamento. E, dentre uma discografia recheada de hits, elas aproveitaram para falar sobre sexo com a ótima balada pop “2 Become 1”: a faixa, que integrou o álbum ‘Spice’ e foi escrita pelos próprios membros do girl group, narra sobre a conexão carnal entre duas pessoas que se amam e que se fundem em uma única entidade quando na intimidade – além de abrir espaço para conversas sobre sexo seguro em meio a metáforas cândidas e muito bem escritas.

“GENIE IN A BOTTLE”, Christina Aguilera (1999)

No mesmo ano em que Britney Spears fazia sua gloriosa estreia no cenário fonográfico, Christina Aguilera também ganhava momento como um dos emblemas do teen pop. E já em seu single de estreia, Aguilera mostrou que estava pronta para mostrar um lado mais amadurecido de sua carreira, que se iniciou quando muito jovem: “Genie in a Bottle”, que integra seu primeiro álbum de estúdio, utiliza uma narrativa de autovalorização para com um interesse romântico, escondendo mensagens de abstinência e o conhecimento sobre o próprio corpo com referências sexuais muito bem empregadas.

“POKER FACE”, Lady Gaga (2008)

Lady Gaga é uma das cantoras e compositoras mais conhecidas da história – e, logo no começo de sua carreira, eternizou clássicos instantâneos como o single “Poker Face”. Aqui, ela discorre sobre um homem que não consegue decifrá-la, visto que ela é muito em seus blefes românticos e sexuais (que se refletem pelo título da canção). Todavia, a música também fala de maneira jocosa e inesperada sobre a sexualidade da performer, que é abertamente bissexual e que sempre utilizou sua plataforma artística para defender a comunidade LGBTQIA+.

“IF U SEEK AMY”, Britney Spears (2008)

Britney Spears permanece como uma das artistas mais famosas e prestigiadas de todos os tempos, nunca pensando duas vezes antes de utilizar sua plataforma para quebrar tabus sobre a sexualidade e o desejo femininos. E, em 2008, a princesa do pop voltou a causar polêmica com a canção “If U Seek Amy”, cuja história sobre uma misteriosa personagem chamada Amy é, na verdade, uma máscara para o jogo sonoro do título da música: quando cantado, ele parece soletrar a frase F-U-C-K  ME, que causou alvoroço considerável entre os mais conservadores.

“ROYALS”, Lorde (2013)

Lorde ganhou proeminência incomparável com seu single de estreia “Royals”, que lhe rendeu diversos prêmios e a colocou no centro dos holofotes. E, ao passo que muitos encaram a música como uma crítica à impalpabilidade de uma vida burguesa, de que apenas poucos desfrutam, a verdade é que os versos foram inspirados por um time de beisebol chamado Royals, cuja imagem a artista neozelandesa vira em uma revista da National Geographic.

“LOVE MYSELF”, Hailee Steinfeld (2015)

single de estreia de Hailee Steinfeld veio com grande impacto e inclusive conseguiu entrar para a parada da Billboard Hot 100. Intitulado “Love Myself”, a belíssima e evocativa letra fala sobre aceitar a si mesma, mas carrega uma ambiguidade bastante divertida que fala sobre masturbação, escondida em meio a uma produção sutil e à mensagem de empoderamento. A faixa é uma mistura dançante e envolvente entre dance-pop e electro-pop, contando com a produção de Mattman & Robin e de Oscar Holter.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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