10 músicas recentes que nos levam de volta no tempo

De certa maneira, é possível entender o mundo da música como um espectro impalpável que não segue a cronologia como a conhecemos. Em outras palavras, é notável como, ano após ano, décadas diferentes e misturam em uma explosão saudosista e atual ao mesmo tempo – mesclando épocas distintas em um mesmo escopo.

Recentemente, por exemplo, nomes como Lady GagaBeyoncé apostaram fichas em um resgate do house dos anos 1990, cada uma à sua maneira, enquanto Dua LipaKylie Minogue mergulharam nas infusões do disco e do dance. Quando pensamos no início dos anos 2000, Emma BuntonChristina Aguilera também mergulharam nesse espectro ao nos arremessar para os anos 1960 e 1950 com pop-perfections, enquanto Amy Winehouse apostou numa celebração do jazz, do blues e do soul.

Pensando nisso, preparamos uma breve lista com dez canções contemporâneas que nos levam a uma viagem no tempo para você adicionar à sua playlist.

Confira abaixo:

“MAYBE”, Emma Bunton (2004)

Emma Bunton ganhou fama mundial ao integrar o icônico grupo feminino britânico ‘Spice Girls’ – e, apesar de ter atingido seu ápice de popularidade e reconhecimento com as colegas da girlband, lançou-se em uma carreira solo com músicas muito subestimadas. Esse é o caso de “Maybe”: o segundo single do álbum ‘Free Me’ é uma apaixonante aventura pelos anso 1950 e 1960, apostando fichas no clássico pop francês à medida que incorpora orquestrações magníficas de trompetes e instrumentos de corda e traços da bossa nova e do samba.

“BACK TO BLACK”, Amy Winehouse (2007)

Apesar de “Rehab” ter maior reconhecimento na cultura pop“Back to Black” (ao menos na opinião deste que vos escreve), configura-se como uma construção mais madura, narcótica e saudosista – que, de fato, reiterou as incríveis habilidades artísticas de Amy Winehouse. Novamente produzida por Ronson, que também aproveitou para assinar alguns dos versos, a canção volta-se para o down-tempo e para as raízes do soul clássico, discorrendo sobre um relacionamento que acabou e que lança o eu-lírico de volta para a escuridão. Dentre as múltiplas tracks de Amy, esta é uma das que mais faz referências aos girl groups dos anos 1960, além de alusões ao Motown.

“PHYSICAL”, Dua Lipa (2020)

O implacável sucesso crítico e comercial de ‘Future Nostalgia’, 2º álbum de Dua Lipa, não poderia existir sem levarmos em conta a iteração intitulada “Physical”, que exala uma mistura bastante equilibrada e enérgica das explorações de Olivia Newton-John décadas atrás e da idealização da performer em homenagear todos os nomes que a influenciaram como musicista.

“NIGHT CRAWLING”, Miley Cyrus feat. Billy Idol (2020)

 

Em ‘Plastic Hearts’, é notável como a icônica Miley Cyrus drena o possível de um período extremamente pessimista: ela até mesmo cultiva certas influências europeias que se destinam à faixa mais arrepiante e bem produzida do álbum, “Night Crawling”. A evocativa letra nutre de aliterações e assonâncias que nos arremessam de volta para os anos 1970 e trazem uma exuberante química dividida com Billy Idol – movido pela guitarra e pelo eco do synth-rock que viria a se tornar tão majestosamente reverenciada nos anos seguintes.

“NOBODY LIKE U”, 4*TOWN (2022)

Em 2022, a Pixar lançou a animação ‘Red – Crescer é uma Fera’, cuja história acompanha uma jovem garota apaixonada por uma boyband e com o poder de se transformar em panda quando passa por experiências estressantes. É claro que o filme contaria com uma trilha sonora memorável, incluindo a canção “Nobody Like U”, estruturada pelos múltiplos vencedores do Grammy Billie EilishFinneas O’Connell (e uma das cotadas para a próxima edição do Oscar). A faixa pega elementos do pop dos anos 1990 e faz referências nostálgicas a grupos como N*SYNCBackstreet Boys.

“SUMMER RENAISSANCE”, Beyoncé (2022)

No aclamado ‘Renaissance’, um dos álbuns mais poderosos de Beyoncé, nada poderia nos preparar para a estonteante conclusão intitulada “Summer Renaissance”, cujas conhecidas peculiaridades de Beyoncé são interpoladas pela clássica “I Feel Love”, honrando a parceria entre Summer e o imortal pai do disco Giorgio Moroder, em uma expressividade hi-NRG de tirar o fôlego.

“OUT OF TIME”, The Weeknd (2022)

‘Dawn FM’ veio acompanhado de uma aclamação crítica aplaudível e representou uma das melhores entradas da elogiada discografia de The Weeknd. E, nesse soberbo álbum, o cantor e compositor foi impulsionado a fazer o que bem entender e inclusive a lançar tendências (como provavelmente veremos nos meses seguintes, em que outros artistas farão um movimento exploratório e metadiegético promovido pelo artista). É nesse espectro que faixas como “Out of Time”, fazendo alusão a nomes como Marvin Gaye e a Michael Jackson, insurge como um belíssimo laço entre passado, presente e futuro.

“THAT! FEELS GOOD!”, Jessie Ware (2023)

A faixa de abertura de ‘That! Feels Good!’, que empresta seu nome ao título do álbum, é uma orgásmica exaltação dos anos 1970, imbuída em vibrantes mesclas de funk e R&B – com instrumentais que fundem o baixo e o trompete em um hino dançante a que não podemos ficar parados. Logo de cara, somos bombardeados com uma sensorialidade invejável, que nos carrega por uma experiência sublime alavancada por ninguém menos que a sempre incrível Jessie Ware.

“YA YA”, Beyoncé (2024)

Como bem sabemos, Beyoncé é um gênio no tocante a construir baladas que ficam marcadas como algumas de suas melhores canções – procurando uma atmosfera cândida para declamar e explorar angústias internas. Mas seu lado mais insano e indesculpável explode em avidez quando ela se apropria de arquiteturas uptempo e dançantes – como é o caso da vibrante “Ya Ya”. Seguindo uma menção à lendária Linda Martell, a track é uma amálgama dançante de country-popcountry-rock e go-go, cujas notas iniciais buscam referência na clássica “These Boots Are Made For Walkin’”, de Nancy Sinatra – e que nos carregam em uma aventura frenética e inescapável.

“VANISH INTO YOU”, Lady Gaga (2025)

O conceito de caos promovido por Lady Gaga em seu mais novo álbum de estúdio, ‘MAYHEM’, é diferente do que imaginávamos por colocá-la em controle de uma entidade intangível. Dessa maneira, a diferença estrutural das faixas faz todo o sentido – e “Vanish Into You”, dentro desse espectro, dá ares de uma balada melódica antes de se render às incursões dos anos 1970 e 1980, apostando em um envolvente baixo que traz funk e disco pincelando versos impecáveis como “uma vez em uma lua azul, eu me esqueço de você; e, uma vez na sua vida, você será meu”.

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Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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