Crítica | Sunny Sandler e Melanie Lynskey BRILHAM no tocante drama ‘Não Deseje Boa Sorte’

Adam Sandler tem uma longa história com a Netflix e, desde 2014, prova ser um dos principais atrativos do extenso catálogo da gigante do streaming. Afinal, suas incontáveis produções atraíram bilhões de visualizações para o serviço, ainda mais quando pensamos na gama infinita de longas-metragens cômicos que encabeçou. É claro que grande parte de suas incursões não fez sucesso entre a crítica especializada, mas os números não mentem: a popularidade do ator e produtor permanece em alta há décadas, reiterando seu rentável status no cenário do entretenimento. Porém, Sandler tem um tato considerável para projetos mais densos e que fogem de sua predileção por histórias escapistas e exageradas – e esse é o caso do drama adolescente ‘Não Deseje Boa Sorte’, que chegou à plataforma neste último dia 14 de agosto.

Ainda que não seja a estrela, Sandler supervisiona o filme através da Happy Madison Productions, abrindo espaço para que a filha, Sunny Sandler, brilhe em um comedido, funcional e tocante tour-de-force que usufrui da simplicidade e da honestidade para emocionar os espectadores. A trama traz a jovem como Sophie, uma garota que, navegando em meio às turbulências da adolescência, precisa lidar com sua chance de brilhar como a protagonista da próxima montagem musical de seu colégio, Waitress, e a notícia de que a mãe, Elizabeth (Melanie Lynskey), teve reincidência de câncer – e pode não ter forças o suficiente para lutar mais uma vez contra a doença.

Arremessada a uma espécie de “dupla vida”, em que é forçada a enfrentar uma dura e opressora realidade que se reflete nos ensaios da peça e que atua em sua performance, Sophie percebe que, assim como Jenna Hunterson, ela está presa em um amadurecimento compulsório que a fará encarar a vida com outros olhos. E, considerando a quantidade inenarrável de produções do gênero que exploram essa conhecida temática, o resultado do longa-metragem ultrapassa as nossas expectativas e se firma como uma bem-vinda adição ao catálogo da Netflix, utilizando as fórmulas a seu favor e sabendo exatamente como equilibrá-las.

‘Não Deseje Boa Sorte’ traz Julia Hart à cadeira de direção. Hart fez sua recente estreia no cenário cinematográfico com ‘Miss Stevens’, em 2016, chamando a atenção dos cinéfilos pela forma subversiva com que brincou com convencionalismos artísticos – algo que seria ainda mais visível no drama de super-heróis ‘Poderes Extraordinários’ (2018), no romance musical ‘A Extraordinária Garota Chamada Estrela’ (2020) e no ótimo thriller neo-noir ‘I’m Your Woman’ (2020). Logo, escalá-la para o drama foi uma escolha interessante e que, no geral, funcionou: Hart, também responsável pelo roteiro ao lado de Laura Hankin e Jordan Horowitz, promove um resgate aos anos 2010 e ao boom de obras como ‘A Culpa é das Estrelas’, ‘Como Eu Era Antes de Você’ e ‘Um Amor para Recordar’, mas sem se deixar levar por uma paixão desenfreada e imprimindo um certo frescor à história.

Por mais que nem todas as investidas funcionem, com menção especial a certos diálogos que soam mais prepotentes do que necessários, o objetivo do projeto parece ser encontrar esperança em meio ao desalento e fazer isso ao fisgar nossa atenção para o núcleo que se desenrola por pouco mais de noventa minutos. Sophie, obviamente, é o ponto de engate para essa “epopeia” de aceitação e superação, e materializa-se como um luto que ainda não foi concretizado e que desesperadamente tenta se agarrar a qualquer âncora emocional- e, nesse quesito, a jovem Sandler entrega uma sólida performance que delineia, como pode, as complexidades da vida como adolescente e que divide os holofotes com talentos inestimáveis e bastante conhecidos.

Sandler desfruta de uma química inenarrável com a imponente presença de Lynskey, facilmente uma das maiores atrizes das últimas décadas e que ganhou notoriedade por sua afeição por personagens femininas complexas e por sua camaleônica habilidade vernacular. Conhecida por produções como ‘Yellowjackets’ e ‘Almas Gêmeas’, a atriz volta a nos emocionar com uma honesta rendição que não ofusca os demais membros do elenco, mas os complementa em uma sinergia certeira e que, como mencionado acima, irrompe como uma âncora que luta para tranquilizar aqueles que ama mais do que deveria. E, acompanhando-os nessa emocionante jornada, temos a presença de nomes como Max Greenfield como Ted, pai de Sophie e marido de Elizabeth; Bebe Neuwirth e Steve Buscemi como Linda e Dale, avós de Sophie; e Stephanie Beatriz como a Srta. Parker, diretora do musical e espécie de “mentora” da protagonista.

A nova produção original da Netflix pode não deixar uma memória tão profunda quanto outros longas similares, mas mostra que o talento da família Sandler tem muito a ser explorado – e, se conseguirmos deixar os vários clichês de lado, ‘Não Deseje Boa Sorte’ cumpre com o prometido e merece nossa atenção por ter o coração no lugar certo.

Notícias

‘IT: Bem-Vindos a Derry’ é RENOVADA para a 2ª temporada!

A espera acabou!A HBO Max anunciou hoje (17) que a...

Confira o trailer do SPIN-OFF da clássica sitcom ‘Um Mundo Diferente’!

A Netflix divulgou o trailer oficial do spin-off da clássica sitcom 'Um Mundo...
Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.