10 títulos IMPERDÍVEIS para assistir na Mostra Amor ao Cinema

Entre os dias 9 e 26 de setembro, ocorre na capital paulista a 4ª edição da Mostra Amor ao Cinema, tanto em formato presencial no CineSesc, localizado na Rua Augusta, quanto online.

O novo ano reúne nada menos que 52 títulos que se dividem em duas seções: a primeira engloba os Filmes sobre Cinema, convidando o público a conhecer os bastidores da produção audiovisual e a celebrar a cultura cinematográfica. A segunda conta com os Filmes de Ruptura, reunindo títulos que desafiaram as convenções da época e tornaram-se emblemas da sétima arte.

Em uma declaração oficial, a equipe de curadores da Mostra afirmou: “desde a primeira edição em 2023, a curadoria investiga como os filmes refletem a própria linguagem cinematográfica, seja ao abordar o cinema como tema, seja ao romper as convenções narrativas e estéticas. Nesta edição, ampliamos esse olhar para obras que desafiam formatos e perspectivas, entendendo que, se há amor ao cinema, é porque os filmes atravessam pessoas. Transgredir também é uma forma de preserva”.

Dentre os vários projetos selecionados, estão ‘Ladrões de Cinema’, de Fernando Coni Campos, Na Teia da Aranha, de Kim Jee-woon, e ‘Amador’, de Krzysztof Kieslowski, que mergulham no campo da ficção metalinguística para discorrer sobre a arte de fazer de cinema de formas bastante diferentes e envolventes; e ‘Um Cão Andaluz’, de Luis Buñuel, Metrópolis, de Fritz Lang, e O Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein, que marcaram época por suas estéticas transgressoras e, décadas depois de terem se tornado estandartes do cinema, são usados como fonte de inspiração por diversos realizadores.

“Com essa realização, o Sesc busca promover experiências de reflexão e apreciação artística e ampliar o acesso a obras de relevância para a constituição de repertório de diversos públicos. […] Além disso, ao destacar a afetividade como fenômeno e prática cultural, incentiva-se a aproximação e interação entre as pessoas e a partir de suas relações com as artes, na perspectiva da convivência e do bem-estar social”, disse Luiz Deoclecio Massaro Galina, diretor regional do Sesc São Paulo.

Para comemorar o início da Mostra Amor ao Cinema, selecionamos dez títulos imperdíveis para você conferir nos próximos dias.

Veja abaixo:

O ENCOURAÇADO POTEMKIN (1925)

A década de 20 é marcada por diversos clássicos do cinema que, mesmo um século mais tarde, continuam a influenciar gerações de cineastas. E esse é o caso de O Encouraçado Potemkin, drama dirigido por Sergei Eisenstein que colocou o cinema soviético no centro dos holofotes. A trama nos leva aos meandros da Revolução Russa e acompanha a tripulação do Potemkin, que se rebela contra o regime brutal e tirânico dos oficiais da embarcação. Porém, a consequente manifestação se transforma em um sangrento massacre policial.

METRÓPOLIS (1927)

Dirigido por Fritz Lang, Metrópolis é um dos pináculos do expressionismo alemão e uma das primeiras incursões do sci-fi. Ambientada na cidade futurística de Metrópolis, a trama acompanha uma população que se divide em dois patamares. No primeiro, uma elite dominante aproveita os prazeres da vida, enquanto os trabalhadores que mantêm a cidade funcionando lutam para sobreviver no subterrâneo. Porém, quando um romance proibido floresce na cidade, uma revolta começa a tomar forma e a colocar em xeque uma realidade abismal e divisiva.

QUANDO FALA O CORAÇÃO (1945)

Em Quando Fala o Coração, comandado pelo lendário cineasta Alfred Hitchcock, acompanhamos a Dra. Constance Petersen, uma psicóloga que trabalha em uma clínica para pessoas com transtornos mentais. A instalação está prestes a mudar de ares com a chegada de um novo diretor geral, que surpreende todos os médicos locais por sua jovialidade – e por seu estranho comportamento. Não demora muito até Constance descobrir que, na verdade, ele é um impostor que perdeu a memória e não sabe quem é e o que aconteceu com o verdadeiro diretor.

PRIMAVERA PARA HITLER (1967)

Mel Brooks não é considerado um dos gênios da comédia por qualquer motivo e, em 1967, encabeçou um de seus filmes mais conhecidos – Primavera para Hitler, que, às vésperas de comemorar sessenta anos, integra a Mostra na seção Filmes sobre Cinema. A trama é centrada em um produtor decadente da Broadway que é obrigado a ser romântico com idosas para financiar suas peças. Porém, quando um tímido contador é contratado para organizar seu dinheiro, ele revela sem querer que um produtor pode ganhar mais dinheiro com um fracasso absoluto do que um sucesso.

UMA MULHER SOB INFLUÊNCIA (1974)

Encabeçado por John Cassavetes, Uma Mulher Sob Influência acompanha Mabel, uma mulher que é casada com Nick, um construtor civil sobrecarregado com o trabalho. Emocionalmente frágil, mas em busca da felicidade, seu comportamento instável faz com que Nick passe a considerá-la um risco iminente para a família – decidindo, então, interná-la em um hospital psiquiátrico.

UM SONHO MAIS LONGO QUE A NOITE (1976)

Conhecida por suas obras de arte de diferentes materiais e esculturas monumentais, Niki De Saint Phalle torna palpável o universo onírico de seu segundo filme, Um Sonho Mais Longo que a Noite. Lançado em 1976 e integrando o eixo dos Filmes de Ruptura da Mostra, o projeto aposta em formas coloridas de fibra de vidro, dragões que cospem fogo e falos de gesso que povoam esse conto surrealista sobre inocência e experiência.

POLYESTER (1981)

John Waters é um dos diretores mais infames da sétima arte e, ao longo de sua carreira, eternizou o que podemos encarar como o “cinema de mau gosto”, construindo uma identidade pautada na subversão cômica, no exagero estético e no trash. Em Polyester, o diretor nos convida a acompanhar uma dona de casa que vê seu cotidiano desmoronar pouco a pouco. Em meio a uma crise familiar, ela tenta se agarrar ao desejo de uma vida ideal ao se envolver com um homem aparentemente perfeito.

ELES VIVEM (1988)

Apesar de ter tido uma recepção bastante fraca à época de seu lançamento, Eles Vivem agora figura entre uma das melhores produções de John Carpenter – e causou um impacto significativo na cultura pop ao popularizar o conceito de arte urbana. O filme é baseado no conto “Eight O’Clock in the Morning”, de Ray Nelson, e nos leva a Los Angeles, acompanhando um andarilho da classe trabalhadora que descobre que a classe dominante é composta por alienígenas camuflados, o que o leva a uma missão para revelá-los ao mundo.

NA TEIA DA ARANHA (2023)

Em Na Teia da Aranha, após o prestígio de um filme de estreia bem-sucedido, um diretor enfrenta os ataques da crítica que o acusam de ser apenas um cineasta de dramas trash. Ao terminar seu mais novo longa, ele tem sonhos vividos de que deveria regravá-lo com um final alternativo, sentindo que as novas cenas vão transformar o filme em uma obra-prima. Focado nesse objetivo e com o roteiro reescrito, ele luta por mais dias para realizar as filmagens adicionais – mergulhando em uma situação cada vez mais caótica que quase o leva a enlouquecer.

MORTE E VIDA MADALENA (2025)

Dirigido por Guto Parente e exibido em diversos festivais ao redor do mundo, o longa-metragem acompanha Madalena, uma produtora de cinema, grávida de oito meses, prestes a rodar um filme de ficção científica B escrito por seu pai recém falecido. Quando Davi, o diretor do filme e seu ex-marido, desaparece misteriosamente do set, Madalena precisa fazer das tripas coração para conseguir terminar o filme antes do bebê nascer.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.