A histórica Praça Tiradentes, em Ouro Preto (MG), foi palco de uma noite marcada por cinema, memória e celebração. Na última quinta-feira (25), a 21ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto abriu oficialmente sua programação reunindo dezenas de espectadores em um evento que transformou o Centro Histórico em um grande espaço de celebração audiovisual.
Com o tema “Um País Existe nas Imagens que Preserva”, a cerimônia de abertura apostou em uma experiência que uniu música, artes cênicas e projeções para apresentar os pilares que definem o festival há mais de duas décadas: preservação, história e educação audiovisual.
A apresentação propôs uma reflexão sobre a importância das imagens como ferramenta de construção da memória coletiva e da identidade nacional — conceito que atravessa toda a programação deste ano.
Durante seu discurso, a coordenadora-geral da CineOP, Raquel Hallak, destacou a urgência da preservação do patrimônio audiovisual brasileiro em um momento em que arquivos, registros e memórias seguem enfrentando desafios para serem mantidos acessíveis.
“Quando uma imagem some, não é apenas um arquivo que desaparece. É uma memória que se apaga. É uma possibilidade de reconhecimento que se interrompe. É o próprio país que se torna menos visível para si mesmo”, afirmou.
Hallak também reforçou que preservar o cinema vai muito além de guardar obras do passado.
“Preservar é um gesto político, lembrar é um ato de resistência e projetar imagens é também projetar futuros.”
Um dos momentos mais emocionantes da noite ficou reservado para a homenagem à cineasta Helena Solberg, um dos nomes fundamentais da história do cinema brasileiro. Aos 88 anos, a diretora subiu ao palco para receber o tributo e participou da exibição especial de dois de seus primeiros trabalhos: ‘A Entrevista’ e ‘Meio-Dia’, produções realizadas nos anos 1960 e consideradas marcos do início de sua trajetória artística.

Emocionada, Solberg falou sobre o significado simbólico de revisitar essas obras décadas depois.
“Sinto um grande abraço de vocês nessa sessão com meus primeiros trabalhos, que começaram a minha carreira. Eles foram realizados há sessenta anos, no início da ditadura militar.”
A diretora também relembrou sua conexão com Minas Gerais ao recordar as filmagens de ‘Vida de Menina’ (2003), rodado em Diamantina.
Segundo ela, a participação dos moradores foi determinante para a experiência.
“Cerca de 300 ou 400 pessoas atuaram como figurantes e, às quatro horas da manhã, já estavam se vestindo e se preparando para participar do filme. Foi uma experiência muito forte.”
Além da homenagem à diretora, a abertura celebrou a presença feminina na construção do cinema nacional, destacando diferentes gerações de realizadoras que ajudaram a moldar a história audiovisual brasileira — do cinema silencioso até a produção contemporânea.
A programação da 21ª CineOP segue até 30 de junho com exibições de filmes, debates, encontros, oficinas e atividades artísticas que reforçam o compromisso do evento com a valorização da memória e do futuro do audiovisual brasileiro.
Sobre a CineOP
Reconhecida como o único evento brasileiro dedicado exclusivamente ao cinema como patrimônio cultural, a Mostra de Cinema de Ouro Preto consolidou-se ao longo de 21 anos como um dos encontros mais importantes do calendário audiovisual nacional.
Realizada anualmente em Ouro Preto (MG), a iniciativa reúne realizadores, pesquisadores, educadores, estudantes e profissionais do setor em uma programação gratuita voltada para reflexão, formação de público e fortalecimento das políticas de preservação audiovisual.
Toda a programação é gratuita.


