Na primeira temporada de ‘A Dona da Bola’ os assinantes da Netflix foram surpreendidos por uma série esportiva que misturava humor, basquete, romance e umas salpicadas de outros gêneros para contar uma história centrada em uma família que gerenciava o time de basquete fictício do Los Angeles Waves. Mas, o verdadeiro centro da história era Isla Gordon (Kate Hudson), que logo no primeiro episódio assumia a presidência do clube e, mais do que se mostrar competente ou não ao cargo, precisava se mostrar competente – apesar de ser mulher. E agora, com a segunda temporada disponível na plataforma de streaming, esse desafio só se intensificou.

Tendo já se firmado na presidência, Isla Gordon (Kate Hudson, de ‘Como Perder um Homem em Dez Dias’) agora precisa manter o controle da empresa enquanto investe em realizar a única coisa que lhe falta: a conquista de um título. Para isso, precisam de um novo técnico, Norm (Ray Romano, que dubla a voz do mamute Manny em ‘A Era do Gelo’), que Isla fora resgatar lá do seu passado. No meio disso tudo, seu irmão Cam (Justin Theroux, de ‘O Diabo Veste Prada 2’) se dá alta na clínica de reabilitação e furtivamente começa a traçar um plano para recuperar a presidência do time. Com tanta coisa rolando e a cabeça a mil, Isla acaba perdendo o foco da vida pessoal e seu noivado com Lev (Max Greenfield, de ‘The White Lotus‘) fica por um fio.
Duas coisas se mantêm como as mais legais na série: a primeira delas é evidenciar problemas enfrentados por mulheres em posições de poder e de liderança, o que faz com que o público muitas vezes enxergue esses problemas/situações pela primeira vez de uma maneira tão clara; a outra é mostrar a criatividade e as alternativas que uma mulher (no caso, a protagonista) acaba tendo que encontrar como solução para gerir situações de crise que muitas vezes não teriam o mesmo resultado se tivessem sido lidadas por homens. Ou seja, de uma maneira indireta a série demonstra a grande capacidade feminina de resiliência e engajamento quando ocupam posições de decisão. Por outro lado, a série também não deixa de demonstrar o quanto, apesar de tudo, tanta carga acaba exigindo demais da vida pessoal dessas mulheres, por justamente precisarem depreender tanta energia para ficarem se provando fortes o tempo todo (e sobrar nenhuma para a vida íntima a quatro paredes).

Uma vez mais a série volta com um bom ritmo de edição, de timing no humor e com um elenco entrosado que entrega a carga emocional na medida que a trama pede. Sem ter tanto que explicar o enredo principal e o núcleo familiar, sobrou mais espaço para os personagens coadjuvantes se desenvolverem melhor, com destaque para o humor de Brenda Song ( de ‘A Rede Social‘) como a melhor amiga Ali, que se sente escanteada na amizade com Isla, e Drew Tarver (de ‘A Batalha do Biscoito Pop-Tart‘) como o irmão gay Sandy, que enfrenta uma crise no relacionamento por divergências nos rumos que cada um deseja tomar na vida. Em se tratando de empregos que lidam com gente famosa, desejar coisas diferentes é realmente um peso.
‘A Dona da Bola’ ( The Running Point) se mantém como uma boa série esportiva, protagonizada por uma mulher e trazendo o feminino para dentro de um núcleo tão fechado no masculino. Mais que empoderamento, é o entretenimento ajudando a fazer as pessoas entenderem a importância de mais mulheres ocupando cargos de chefia.
Divertida, carismática, maratonável, com capítulos curtinhos e cheia de personagens adoráveis, ‘A Dona da Bola’ é dessas séries para ver numa tarde só, com as amigas, e sair inspirada depois da sessão.



