33º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo



 

Começou no dia 23 de Outubro a 33ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que segue atenta à diversidade cultural e à liberdade de expressão em sua seleção. 424 filmes foram apresentados, incluindo a Competição de Novos Diretores, a Perspectiva Internacional, a Mostra Brasil, Retrospectivas e a Mostra Suécia.

A cobertura foi feita por Georgenor de S. Franco Neto para o portal CinePOP. Confira abaixo os filmes assistidos por dia e os vencedores.

Vencedores

PRÊMIO FICÇÃO – COMPETIÇÃO NOVOS DIRETORES

Melhor Ator
Andrè Hennicke, por Os Dispensáveis (Alemanha)

Aproveite para assistir:


Melhor diretor
Andreas Arnstedt, por Os Dispensáveis (Alemanha)

Melhor filme
Voluntária Sexual, de Kyeong-duk Cho (Coréia do Sul)

PRÊMIO DA CRÍTICA

Melhor longa internacional
Ninguém Sabe dos Gatos Persas, de Bahman Ghobadi

Melhor longa brasileiro
O Sol do Meio-Dia, Eliane Caffé

PRÊMIO AQUISIÇÃO CANAL BRASIL

O Príncipe Encantado, de Sérgio Machado e Fátima Toledo

PRÊMIO QUANTA (em serviços de iluminação)

Melhor longa-metragem de documentário
Dzi Croquettes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez

Melhor longa de ficção
Antes Que o Mundo Acabe, de Ana Luiza Azevedo

PRÊMIO TELEIMAGE (em serviços de iluminação)

Melhor curta brasileiro
Insone, de Marília Scharlach e Marina Magalhães

Melhor longa-metragem de documentário
Dzi Croquettes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez

Melhor longa de ficção
Antes Que o Mundo Acabe, de Ana Luiza Azevedo

PRÊMIO ITAMARATY

Prêmio Especial – Homenagem pelo Conjunto da Obra
Paulo César Saraceni

Melhor curta-metragem
Insone, de Marília Scharlach e Marina Magalhães

Mehor longa-metragem documentário
Dzi Croquettes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez

Menção honrosa – documentário
Pixo, de João Wainer e Roberto T. Oliveira

Melhor longa-metragem de ficção
Antes Que o Mundo Acabe, de Ana Luiza Azevedo

PRÊMIO DOCUMENTÁRIO – COMPETIÇÃO NOVOS DIRETORES

Melhor filme
O Inferno de Clouzot, de Serge Bromberg e Ruxandra Medrea

Menção honrosa
Abraço Corporativo, de Ricardo Kauffman

04 de Novembro de 2009

Macabro
Elenco: Arifin Putra, Ario Bayu, Daniel Mananta, Dendy Subangil
Direção: The Mo Brothers (Timo Tjahjanto e Kimo Stamboel)
País: Cingapura e Indonésia
Ano: 2009
Sinopse: Os recém-casados Adjie e Astride junto com quatro amigos partem em uma viajem de estrada rumo a Jacarta. Logo na partida são interrompidos por uma moça misteriosa chamada Maya, para quem dão carona. Como forma de agradecimento, a mãe dela oferece um jantar. Deste ponto em diante, inicia-se o terror.
Primeira Impressão: Este é o primeiro trabalho dos diretores Timo Tjahjanto e Kimo Stamboel, auto denominados The Mo Brothers – mesmo sem parentescos de sangue. O filme tem um início muito eficiente; a dúvida sobre as intenções da família de Maya, a aparência jovial da mãe são alguns dos elementos que constroem um clima de mistério. Logo o filme dá uma guinada e torna-se terror gore (violência extrema). Ainda são mantidos elementos de misticismos, típicos dos filmes de terror asiáticos. O trabalho não chega a ser uma obra-prima do gênero, mas revela o potencial dos diretores. E para os apreciadores do estilo vale conferir.
Classificação:

Preste Atenção:
De forma geral, é interessante como eles misturam o suspense e o místico, comuns em muitas produções asiáticas atuais, e a violência do gore. Também há algumas cenas que revelam a potencialidade dos diretores. Das melhores está primeira cena de esquartejamento: o carrasco esquarteja uma pessoa com uma moto-serra; os amigos, trancados na sala ao lado, escutam tudo. Em contraponto, ouvimos uma música alegre. Aqui, esses irmãos revelam a capacidade de misturar os estilos. Os diretores também não são didáticos na forma de explicar as razões dessa família de assassinos.
Próximas Sessões:
05/11 – 17:00 h – Cine Olido

02 de Novembro de 2009

Selvagens
Elenco: Neve McIntosh, Shaun Dooley, Dean Andrews, Linzey Cocker.
Direção: Lawrence Gough
País: Inglaterra
Ano: 2009
Sinopse: Filha vai passar o natal com a mãe. Ao encontrá-la com outro homem, foge para casada de uma vizinha. Antes de mãe e filha se reconciliarem, militares invadem e impõe uma quarentena no bairro. O noticiário informa o surgimento de uma misteriosa caixa em uma praia próxima ao bairro. Um clima de terror, violência e paranoia se instala.
Primeira Impressão: O diretor Lawrence Gough não inventa a pólvora neste filme. Mas consegue levar muita coisa para os ares! Do momento que surgem os militares, os fatos se sucedem como avalanche. Ficamos desorientados. Hipóteses surgem, mas tudo parece muito falso. Já sabemos que há algo a mais. Resta saber o que é. Até revelar o seu segredo, o filme é pautado pelo suspense. Depois, a ação ganha mais espaço.
Classificação:

Preste Atenção:
Prestem atenção tanto no desfecho, sem concessões e coerente com a história, e em como o diretor consegue guardar o segredo do filme até sua revelação, sem, no entanto, apelar para uma saída mirabolante, descolada do enredo.
Próximas Sessões:
05/11 – 14:00 h – HSBC Belas Artes 2

01 de Novembro de 2009

Metropia
Elenco: Vozes de Vincent Gallo, Juliette Lewis, Udo Kier, Stellan Skarsgård.
Direção: Tarik Saleh
País: Suécia
Ano: 2009
Sinopse: Em um futuro apocalíptico, a Europa é conectada por uma enorme rede de metro. Quando entra nela, Roger ouve uma voz em sua mente. Em seguida começa a perseguir uma mulher que lhe revelará uma verdade.
Primeira Impressão: A animação sueca impressiona! A qualidade gráfica é excelente, a textura da pele quase nos engana. O tom prateado das imagens transmite a sensação de depressão e fim dos tempos que passa o filme. A história de um mundo totalitário não é nova, mas consegue ser envolvente, em parte por ser uma animação e de outro lado por pequenos detalhes, como xampu e a perseguição da mulher misteriosa feita pelo protagonista .
Classificação:

Preste Atenção:
Em tudo! A animação é excelente! Sacadas como uma Europa interligada por uma rede de metro causam impacto!
Próximas Sessões:
Não haverá mais sessões.

 

Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo
Elenco: Irandhir Santos.
Direção: Marcelo Gomes e Karim Aïnouz
País: Brasil
Ano: 2009
Sinopse: O geólogo José Renato é enviado para o sertão nordestino para fazer pesquisa de campo para o projeto de transposição de um rio. Nesta viagem, conhece pessoas e se lembra da mulher amada.
Primeira Impressão: Esqueça a sinopse! O filme é um poema visual. São um conjunto de imagem do sertão nordestino onde a fala em off de José Renato é o fio condutor. Os fatos são menos importantes. O interesse dos diretores é transmitirem sensações, seja de abandono econômico, com imagens da seca, seja o espiritual, quando ouvimos as lamentações do narrador. O filme é de um lirismo raro, porém não é dos mais fáceis de assistir. Por ter muitos instantes de silêncio e não ter uma história com inicio, meio e fim, o leitor deve assisti-lo com a consciência de um registro lírico-sentimental de um homem e de uma terra.
Classificação:

Preste Atenção:
Como um poema, José Renato – que não aparece no filme – não é uma personagem como em um romance, mas um eu-lírico. Quando ele fala das prostitutas com quem andou, o mais importante não são os fatos, mas formamos o perfil dessa voz poética; a Feira de Caruaru é o labirinto emocional onde se encontra a personagem.
Próximas Sessões:
02/11 – 15:30 h – Cine Bombril Sala 1
Rock Brasileiro – História em Imagens
Elenco:
Direção: Bernardo Palmeiro
País: Brasil
Ano: 2009
Sinopse: Documentário faz breve panorama do rock brasileiro, do surgimento aos dias de hoje.
Primeira Impressão: O documentário é curioso, ou melhor, informativo. Tem um ritmo legal, faz nos lembrarmos de boas músicas. Porém, falta-lhe força. O filme é muito bom para uma tevê de plasma, não para a tela grande. Não há nenhum grande depoimento, nem imagem incrivelmente impactante. Não há confronto de opiniões e alguns nomes ou fatos foram esquecidos, como o “Aborto Elétrico”, primeira banda de Renato Russo, ou “Stress”, primeira banda de havy metal brasileira. Os depoimentos são intercalados por imagens de bandas. O filme também é mal dividido, fazendo um monstro sagrado como o Raulzito ter menos espaço que roqueiros contemporâneos. Lembrando que a proposta era fazer um panorama.
Classificação:

Preste Atenção:
Considerando que o filme seria mais apropriado em um canal a cabo, o que vale é imaginar-se no sofá da sala e aproveitar as músicas e imagens.
Próximas Sessões:
03/11 – 12:00 h – Reserva Cultural Sala 1

31 de Outubro de 2009

A Família Wolberg
Elenco: François Damiens, Valérie Benguigu, Valentin Vigourt, Léopoldine Serre, Jean-Luc Bideau.
Direção: Axelle Ropert
País: França
Ano: 2009
Sinopse: Simon Wolberg é o prefeito de uma cidade do interior da França. Apesar de bem posicionado socialmente, ele não deixa de ter problemas familiares. Um retrato da família como a muito não se via
Primeira Impressão: Duas razões este ser um retrato familiar que há muito não se via: trata-se de uma família tradicional, com problemas tradicionais; segundo, sem grandes inovações, a diretora consegue extrair nuances profundas desse núcleo humano. Uma filha que deseja independência, um caso extra-conjugal, um problema de saúde. Um prosaísmo que podemos encontrar na mais banal das famílias. No entanto, Ropert consegue profundidade e identificação da plateia. Em boa parte, isso decorre de a narração ser intercalada por belas sínteses visuais e ótimos diálogos (como não pode faltar no bom e no mau cinema Frances). No entanto, o registro é naturalista, nada de delírios.
Classificação:

Preste Atenção:
As belas imagens fornecem um encantamento e merecem ser apreciadas. Uma das melhores é a do tio explicando ao sobrinho que ele não precisa ser nem certinho nem louco na vida, mas que pode transitar entre diversas formas de viver. O discurso que o pai faz para a filha é outro bom momento do filme. E pensar que tudo é em sintéticas uma hora e quinze.
Próximas Sessões:
01/11 – 19:50 h – Unibanco Arteplex 1
Kenny Begins
Elenco: Johan Rheborg, Bill Skarsgård, Carla Abrahamsen.
Direção: Carl Astrand e Mats Lindberg
País: Suécia
Ano: 2009
Sinopse: Kenny é de outro planeta e treina para se tornar um Herói Galáctico. Acaba caindo na terra e conhecendo Pontus, um garoto excluído pelo colegas de escola. Por conta de uma pedra alienígena, alguns vilões irão perseguir esses dois anti-heróis.
Primeira Impressão: O filme é uma aventura que deve agradar à crianças e pré-adolescentes. Os mais velhos não ficam desassistidos. Há boas piadas que farão rir os mais velhos, além de um certo humor nonsense ao retratar aspectos dos costumes. A história é leve, no melhor estilo sessão da tarde, com um ritmo bem construído. As cenas de não são grandiosas como nos filmes americanos. Mas em sua modéstia, conseguem ser eficientes, como nas sequências onde surgem os mercenários. O filme é baseado em uma série da TV sueca.
Classificação:

Preste Atenção:
Em como os diretores formulam boas representações desse outro mundo. Além disso, é sempre bom ver como não-americanos tratam o tema da ficção científica e da aventura.
Próximas Sessões:
02/11 – 14:10 h – Unibanco Arteplex 1
05/11 – 17:40 h – Espaço Unibanco Augusta 3

30 de Outubro de 2009

Mother
Elenco:
Direção: Bong Joon-Ho
País: Coréia do Sul
Ano: 2009
Sinopse: Hye-ja é uma mãe solteira e vive com seu filho Do-joon. Tudo muda quando ele é acusado do assassinato de uma garota. Sem apoio da polícia, sua mãe iniciará uma investigação e fará de tudo para salvar seu filho.
Primeira Impressão: O filme é um dos melhores da Mostra. A primeira sequência, ainda nos créditos, já causa um misto de encantamento e estranheza. No momento seguinte, vemos a mãe cortando um ramo de folhas enquanto observa seu filho na rua. A câmera volta e meia foca a mão dela, indicando que será cortada. E de fato ele fere a mão. Porém, no mesmo instante um carro quase atropela Do-joon. Ficamos desorientados. E assim ficaremos ao longo do filme. Pode ser o ângulo da câmera ou um travelling inusitado, podem ser as reviravoltas do roteiro, tudo surpreende e encanta.
Assim como em seus filmes anteriores, Bong Joon-Ho mistura os gêneros. Neste alcança a perfeição, busca da mãe pela assassino (gênero policial) tem razão porque deseja salvar o filho (um gênero mais intimista).
Classificação:

Preste Atenção:
O filme traz muitos ângulos de câmera diferentes, uma olhar novo sob algo que estamos acostumados (relação mãe e filho, uma investigação de um crime). Primeiro, a fusão desses dois gêneros já causa um estranhamento. Também notem como a busca por uma inovação nos aspectos mais técnicos (como o enquadramento) se integram perfeitamente à ação. Não há cenas criadas para possibilitarem tal inovação. É como se as novidades fossem provocadas pelas necessidades da história.
Próximas Sessões:
Não haverá mais exibições na mostra. Porém, ele tem previsão de entrar em cartaz no circuito em 2010.

29 de Outubro de 2009

Formosa Traída
Elenco: James Van Der Beek, Wendy Crewson, John Heard, Will Tiao, Tzi Ma.
Direção: Adam Kane
País: EUA e Tailândia
Ano: 2009
Sinopse: Na década de 1980, Jake Kelly é agente do FBI enviado para Taiwan para acompanhar as investigações sobre o assassinato de um professor asiático em um colégio norte-americano. Ele enfrentará resistência do governo local e descobrirá uma conspiração envolvendo a máfia, o governo de Taiwan e o Departamento de Estado dos EUA e o governo chinês.
Primeira Impressão: O filme promete muito, mas não entrega o esperado. O diretor vem da TV, onde fez trabalhos como Heroes. Nesse filmes, as cenas de ação não inovam, nem encantam ou empolgam. Tudo fica meio num clima sessão da tarde, de “já vi isso antes”. Algumas vezes isso ocorre pela forma como a câmera de movimentou, com ângulos que já estamos acostumados, ou porque não se consegui produzir o climax, como na sequência do protesto; não há envolvimento com as personagens, e a forma como o exercito reprime os manifestantes é pálida: o cerco ao manifestantes é rápido, seguido de gás lacrimogêneo para, sem grandes reações, usarem as armas. E nem vemos muita correria por causa disso.
Classificação:

Preste Atenção:
As atuações não são ruins, simplesmente seguem o figurino. E o caso é baseado em fatos reais. Reparem na tentativa de dar uma dimensão crítica a atuação dos EUA na política de Taiwan. A abertura do filmes promete uma critica feroz. O momento mais ácido, é no fim, quando as legendas explicam a situação de Taiwan hoje.
Próximas Sessões:
04/11 – 14:00 h – Multiplex Marabá 2

27 de Outubro de 2009

Quase Elvis
Elenco: Kjell Wilhelmsen, Mia Skäringer, Lars Andersson, Ingvar Örner, Inger Hayman.
Direção: Petra Revenue
País: Suécia
Ano: 2009
Sinopse: O filme acompanha a vida de Pirko, um sujeito sem amigos que, ao retornar para sua terra natal, envolve-se em um concurso de karaokê. O sucesso faz com que muitas pessoas se (re)aproximem dele.
Primeira Impressão: O filme tem um bom argumento: a vida de um “loser” que faz cover de Elvis e se torna famoso. Entretanto, ele não é muito mais do que regular. Ou melher dizendo, é irregular! A diretora tenta fundir cômico e dramático, patético e profundidade existencial. Não é algo impossível. Mas, neste trabalho de estréia, não obteve sucesso. Os instantes cômicos são bem interessante, mas são maus distribuídos pelo filme, concentrando no começo. Há muitos instantes de delírios, que acabam interrompendo o ritmo da narrativa sem acrescentar muito. Uma pena que não consiga se transmitir aquele sentimento de solidão acompanhada que a fama traz.
Classificação:

Preste Atenção:
O filme não é um desastre. O ponto alto são as cenas até o velório da avó de Pirko. São tiradas cômicas que rendem boas risadas, como a dança de tango. Os delírios dessa parte integram-se bem a narrativa. Infelizmente, que o filme já tenha se perdido quando ele se torna Elvis! Mesmo assim, vale a pena prestar atenção nos próximos passos de Petra Revenue.
Próximas Sessões:
28/10 – 17:20 h – Cine Bombril Sala 1
29/10 – 20:40 h – CineSesc
30/10 – 17:30 h – Cine Bombril Sala 1
Eu, Ela e Minha Alma
Elenco: Paul Giamatti, Dina Korzun, Emily Watson, Katheryn Winnick, David Strathairn, Lauren Ambrose.
Direção: Sophie Barthes
País: EUA
Ano: 2009
Sinopse: Paul Giamatti interpreta a si próprio em uma crise criativa durante os ensaios da peça “Tio Vânia” de Thecov. Ao ler uma revista New Yorker ele conhece um sistema de extração de alma, com a finalidade de aliviar os sofrimentos. Ele retira sua alma. Porém, as coisas se complicam quando uma traficante de almas leva a de Giamatti para a Rússia!
Primeira Impressão: Partindo de uma situação delirante, esta comédia surreal consegue tocar em assuntos profundos sem ser afetada ou cair no didatismo. Questões como o que é a alma, a dimensão religiosa do homem e até ambição e a frieza da ciência são tocados no filme quando, por exemplo, Giamatti se assusta com o tamanho de sua alma (como um grão-de-bico) ou quando uma atriz russa deseja a alma de um famoso ator americano para estrelar em uma novela. O tom com que o médico fala do procedimento de extração expõe a indiferença que a ciência pode chegar. O filme é antes de tudo uma delícia! Exceto pelas sequências finais, o humor é predominante. Uma jóia rara!
Classificação:

Preste Atenção:
Principalmente em como a diretora consegue manter o humor nonsense e abortar questões profundas, como o ser e não ser de Guiamatti ao incorporar a alma de um suposto poeta russa.
A atuação de Paul Guiamatti é um show a parte. No começo, é o próprio ator angustiado. Depois, torna-se um verdadeiro desalmado; nesta parte, o rosto dele diz muito.
Próximas Sessões:
04/11 – 18:30 h – Unibanco Arteplex 2 Shopping Frei Caneca
Voluntária Sexual
Elenco: Han Yeo-rum, Kyeong-ho Cho, Sung-ki Hong.
Direção: Kyong-duk Cho
País: Coréia do Sul
Ano: 2009
Sinopse: A jovem Ye-ri, o deficiente físico Chunkil e um padre são presos em um motel por suspeita de prostituição. Logo sabemos que Ye-ri manteve relações com Chunkil por ser uma voluntária sexual. Desse ponto em diante, o filme se forja como um documentário, que seguirá a vida desses três, incluindo os bastidores do filme que Ye-ri fará para contar sua experiência. Apesar de ser ficção, o diretor de baseou em casos reais de grupos de voluntários sexuais.
Primeira Impressão: O filme é forte, porém jamais sensacionalista. O direito consegue isso, em parte, porque as cenas mais fortes, como as de sexo, aparecem na parte final do filme, depois de observamos o drama dos deficientes. Nessa hora, estamos suficientemente sensibilizados.
O impacto do filme também decorre de um fator alheio: o tema é delicado e, acima de tudo, com certeza não passa pelas nossas cabeças. Essa alienação é exposta ao longo do filme, seja no inicio, quando a população rejeita a ideia de voluntários sexuais, ou no meio, quando a mãe de Chunkil recusa aceitar que o filho tem vídeos pornôs no computador.
O único “excesso” foi no uso da trilha sonora. É recorrente aquela música melodiosa, reforçando o drama da cena. Fica a dúvida: foi para sensibilizar mais ou foi uma ironia do diretor para aqueles documentários mundo-cão que fazem sensacionalismo com a desgraça alheia? Se foi a primeira opção, poderia ter reduzido, sem prejuízos. Agora, se foi a segunda, que sacada sutil!
Classificação:

Preste Atenção:
Não bastasse o drama, o diretor faz um jogo de espelhos: o filme é ficção, filmado como se fosse um documentário, que no fim registra a produção de um curta-metragem que recriará os acontecimentos do início o filme. Ufa!
Próximas Sessões:
Última sessão foi neste dia 27. É possível assisti-lo via internet. Maiores detalhes no site da Mostra. E uma curiosidade: o filme só estreará ano que vem na Coréia do Sul. Ficar atento, pois pode voltar em cartaz.

26 de Outubro de 2009

Cortejando Condi
Elenco: Devin Ratray, Condoleezza Rice, Carol Connors, Adrian Grenier.
Direção: Sebastian Doggart
País: EUA e Reino Unido
Ano: 2009
Sinopse: O cruzamento entre documentário e ficção (“docudrama”) traça um retrata da Secretária de Estado Norte-Amarica Condoleezza Rice. O fio condutor é um homem que deseja se casar com o braço direito de W. Bush!
Primeira Impressão: O catálogo da Mostra coloca o filme na linha de Borat e Fahrenheit 11/9. Porém, apenas no misto entre ficção e documentário e a crítica política. O filme alterna momentos de humor com outros mais sérios, tudo de forma equilibrada. Com depoimentos que tanto criticam quanto elogiam Condoleezza Rice, formamos não uma caricatura, mas uma imagem complexa de uma das mais controvertidas figuras da política norte-americana recente. Outra diferença em relação à Borat é o humor bem menos rasgado. É ácido, mas sutil.
Classificação:

Preste Atenção:
Dois pontos altos:
A cara de apaixonado do ator Devin Ratray. O auge é quando fica com ciúmes de um ex de Condi!
O segundo ponto alto são as músicas e os clipes que Devin quer entregar para sua amada!
Próximas Sessões:
28/10 – 22:00 h – Espaço Unibanco Pompéia 2

25 de Outubro de 2009

Colin
Elenco: Alastair Kirton, Leanne Pammen, Kate Alderman.
Direção: Marc Price
País: Reino Unido
Ano: 2009
Sinopse: Um filme de menos de R$ 200,00 que narra a história de Colin, um zumbi!
Primeira Impressão: O filme inova ao narrar os fatos pelo ângulo do zumbi. O diretor (e roteirista, diretor de fotografia, editor e produtor) Marc Price abre várias possibilidades diante desse ideia inovadora: mostra a agonia e o medo de Colin tornar-se um monstro, o desespero dos familiares para salvá-lo, o surgimento de grupos de extermínio de zumbis. Esta última sacada é responsável por um dos instantes mais políticos do filme, além de expor que os monstros, somos nós!
Classificação:

Preste Atenção: Colin consegue muito com recursos escassos. Se não pode filmar o exército, usa sonoplastia. Se não se pode reproduzir um rosto esmagado, cobre-o com o cabelo. Reparem o quanto o enquadramento é fundamental. Genial é momento em que a mãe de Colin tampa uma janela com jornais. As manchetes traduzem o pânico na cidade!
Próximas Sessões:
28/10 – 22:20 h – Cinema da Vila
29/10 – 20:30 h – Espaço Unibanco Pompéia 2

24 de Outubro de 2009

Alexandre, O Último
Elenco: Jess Weixler, Justin Rice, Barlow Jacos, Amy Seimetz.
Direção: Joe Swanberg
País: EUA
Ano: 2009
Sinopse: Retrato da intimidade de um casal recém-casados. Os dois são artistas. Os problemas surgem quando a mulher começa a se sentir atraído pelo colega de teatro.
Primeira Impressão: O filme é do jovem diretor Joe Swanberg. Seguindo a tendência do cinema moderninho, encontramos os rocks indies e o figurino universitário a lá Juno. O diretor também revela boa noção da cena, com sequências muito interessantes, como a do beijo no provador de roupa ou a do barco no fim do filmes ou o prólogo. Cenas que transpassam um pouco do espírito das personagens além de gerar encanto ora estranhamento. Swanberg é uma promessa que vale ficar de olho.
Classificação:

Preste Atenção: Vale notar primeiro que o diretor não apela para cenas trágicas de brigas conjugais. Tudo acontece em meio tom. Mas pelas atuações e certas cenas, percebemos o clima entre as personagens.
Excelente a sequência na qual a protagonista ensaia no teatro uma cena de sexo com o colega por quem está a fim ao mesmo tempo em que flashes de uma transa real entre o mesmo rapaz e outra mulher aparecem. Tudo expõe um clima de jovial tensão.
Próximas Sessões:
25/10 – 19:40 h – Cinemateca – Sala BNDES
30/10 – 21:10 h – Cine TAM

Tudo que nos Cerca
Elenco: Kimura Tae, Lily Franky, Baisyo Mitsuko, Terajima Susumu, Ando Tamae.
Direção: Hashiguchi Ryosuke
País: Japão
Ano: 2008
Sinopse: Kanao tem pouco tempo de casado quando aceita trabalhar fazendo retratos dos julgamentos. O filme cobre de 1993 à 2001 expondo os altos e baixo da vida desse casal.
Primeira Impressão: O enredo tem várias camadas de leitura: os julgamentos são representações da decadência moral da sociedade japonesa; por outro lado, observamos a decadência psicológica da esposa de Kanao. Sua dedicação para a esposa é sutil; ela não faz atos que derramam paixão. De sua parte, tudo fica em meio tom, fazer um desenho da esposa enquanto ela dorme, ou, quando discutem sobre a morte do filho, ele busca usar palavras leves, não bem compreendidas pela esposa.
O filme pode ser visto por esse ângulo: uma silenciosa e incomensurável dedicação amorosa de um homem para reerguer sua esposa. A arte também surge como um elemento na recomposição da psique de uma mulher destroçada. Nada de mero tratamento clínico. Mas uma sincera busca por completude espiritual.
Classificação:

Preste Atenção: Além das excelentes atuações dos protagonistas, o espectador deve perceber as sutilezas: a sintonia do casal expressa nos pés sincronizados no caminhar; a angústia da esposa traduzida por uma janela por onde só se observa prédios e das cinzas do incenso no altar, pouco antes de mudarem de casa; as tristes expressões de Kanao no tribunal, uma tradução da tristeza do diretor pela decadência moral de um povo. Um filme imperdível!
Próximas Sessões:
27/10 – 12:00 h – Reserva Cultural Sala 1
31/10 – 14:30 h – Espaço Unibanco Pompéia 10
05/11 – 22:00 h – Cinemark – Shopping Eldorado

23 de Outubro de 2009

Síndrome de Pinocchio – Refluxo
Elenco: Raphael Farias, Andrade Júnior, Clara Camarano, Hugo Rodas, Bruno Resende, Michele Soares, Thaís Strieder.
Direção: Thiago Moyses
País: Brasil
Ano: 2009
Sinopse: Um homem freqüenta uma psicóloga aparentemente para resolver uma crise com a morte da irmã. Logo, surge uma paranóia sobre ele ser comandado por um programa de computador.
Primeira Impressão: Não deixe o tom MATRIX enganar! O excesso de “filosofices”, a fragmentação constante, a fotografia escura e granulada e o enredo fraco criam um história cheia de falatórios, de difícil compreensão e sem pé nem cabeça. O diretor tem em seu currículo o razoavelmente comentado “Filme-Fobia”. Em “Síndrome”, sua tentativa de fazer ficção-científica ficou devendo. Para tentar dar um clima de “universo alternativo”, boa parte do filme é falado em inglês rasteiro. Completando o cardápio, as atuações são sofríveis, independente do idioma.
Classificação:

Preste Atenção: Um dos poucos momentos interessante é a denominada 6 sequência do filme e o início da 7, quando a câmera gira em torno dos atores. Mas, isso é apenas um respiração perto de uma obra fraca
Próximas Sessões:
01/11 – 14:40 h – Unibanco Arteplex 3
03/11 – 13:40 h – Unibanco Arteplex 1
A Fita Branca
Elenco: Christian Friedel, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Ursina Lardi, Burghart Klaussner, Rainer Bock.
Direção: Michael Haneke
País: Áustria, Alemanha, França, Itália
Ano: 2009
Sinopse: Em um vilarejo no interior da Alemanha às vésperas da I Guerra Mundial, vivencia estranhos acontecimentos. Casos inicialmente isolados, constroem uma teia de mistério
Primeira Impressão: Um dos melhores trabalhos de Haneke. Com um começo estranho, com vários acontecimentos isolados se revelam interligados. Surge um clima de suspensa. Porém, saber o responsável é apenas mais um detalhe. O direitor usa esses acontecimentos como matáfora da violência que viria com a Guerra Mundial.
Haneke criam um belo quadro da sociedade arcaica do inicio do século. Pais autoritários, regras morais rígidas. Tudo forma um ambiente opressor e de decadência moral, alusão direta ao espírito de uma sociedade prestes a entrar em um conflito bélico de proporções mundiais. Assim como em “Caché”, o suspense serve para refletir o espírito de uma sociedade em decadência.
Classificação:

Preste Atenção: Muitas coisas! Uma bela fotografia em preto e branco, excelentes atuações, enredo bem construído. Vale destacar dois elementos:
Primeiro, como o diretor começa de forma sutil, apenas sugerindo a violência; quanto mais se aproxima a guerra, mais explicito torna-se o filme.
Segundo, na relação entre a parteira e o médico; impressionante a sequência na qual o médico termina o relacionamento.
Próximas Sessões:
25/10 – 16:40 h – Reserva Cultural Sala 1
31/10 – 18:20 h – HSBC Belas Artes 2
01/11 – 20:30 h – Cine Bombril Sala 1
Sede de Sangue
Elenco: Song Kang-Ho, Kim Ok-Vin, Kim Hae-Sook, Shin Ha-Kyun.
Direção: Park Chan-wook
País: Coréia do Sul
Ano: 2009
Sinopse: Um padre serve de cobaia para testes de um novo tratamento médico. Após receber uma transfusão sanguínea ressuscita e torna-se vampiro.
Primeira Impressão: O sulcoreano Park Chan-wook consegue, novamente, equilibrar humor nonsense e violência a uma dimensão existencial das suas personagens. Na história, o padre-vampiro entre em conflito entre sua fé e matar para obter sangue. Porém, o diretor logo ultrapassa a linha do maniqueísmo. O conflito torna-se entre ser e não ser vampiro, entre se entregar ou não ao amor. As questões éticas são levadas ao extremo quando outro vampiro surge e obriga o protagonista ao limite. Chan-wook trabalha de forma inovadora com as contenções do gênero, como permitindo que os sugadores tenham no espelho.
Classificação:

Preste Atenção: Entre outras coisas, notem que para tornar alguém vampiro, é necessário que a vítima beba o sangue do padre. Com uma mordida inócua, as possibilidades do enredo se tornam mais verossímeis e potencializa o suspense. Muito interessante é a primeira cena de sexo no hospital como o diretor revigora a sensualidade da mordida do vampiro.
Cartaz:

Próximas Sessões:
24/10 – 23:00 h – Cine Bombril sala 1
25/10 – 20:50 h – Espaço Unibanco Pompéia 2
30/10 – 21:30 h – Cinemark Cidade Jardim
03/11 – 21:00 h – Espaço Unibanco Augusta 3

Continue ligado no CinePOP para conferir a cobertura dos próximos dias da Mostra!

 

Materia por: Georgenor de S. Franco Neto

 

 



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