Cage, Nicolas Cage. O ator de 57 anos já foi motivo de tudo quanto é piada. Uma vez um jovem excêntrico, Nicolas Cage (cujo verdadeiro sobrenome é Coppola, sendo sobrinho do prestigiado diretor) ascendeu até se tornar um ator vencedor do Oscar (dono de uma segunda indicação inclusive) e eventualmente um dos maiores astros de Hollywood (no fim da década de 1990, início de 2000). Após consecutivas escorregadas, leia-se recepções bem negativas (de crítica e público) de suas produções, Cage iniciou a década de 2010 com filmes de estirpe B da sétima arte, o que culminou em seus mais recentes trabalhos realmente terem lançamento direto no mercado de vídeo aqui no Brasil – e isso bem antes da pandemia.

Boatos sobre dívidas financeiras começaram a surgir, mas o que podemos afirmar é que o sujeito trabalhou mais do que nunca nos últimos anos. Desde 2011 para cá foram nada menos que 38 longas lançados por ele, isso sem contar as dublagens em pelos menos outras quatro produções. Tudo isso num período de 10 anos. É claro também que desta filmoteca, pouca coisa se salva como produções memoráveis. Cage parecia arruinado artisticamente, e preso ao limbo cinematográfico que astros da ação como Jean-Claude Van Damme, Dolph Lundgren e Bruce Willis (mais recentemente) se encontram. Porém, quem foi rei jamais perde a majestade, e assim, num fenômeno incomum, Cage parece aos poucos estar recobrando sua conexão com o público.

No meio do anúncio de seu primeiro faroeste intitulado The Old Way, da revelação que não pretende se aposentar tão cedo (e o mundo precisa que não se aposente) e de ser expulso de um luxuoso bar em Las Vegas totalmente embriagado após ser confundido com um sem teto, alguns dos mais recentes filmes do astro renderam boas críticas se tornando peças cult em seu repertório. Isso pode significar para o ator um novo vislumbre de brilho em sua carreira. Enquanto seus novos projetos não estreiam, incluindo o filme em que interpreta a si mesmo, vamos conhecer abaixo cinco de seus filmes dos últimos três anos que deram o que falar entre os críticos. Confira e comente se já viu algum e qual espera mais ansiosamente.

Pig



O que você diria se eu contasse que Nicolas Cage fez um filme no qual procura por seu porco sequestrado, partindo numa rota de vingança contra os que o levaram? Na certa iria pensar se tratar de um John Wick suíno. Tudo, é claro, muda de figura quando surge também a informação de que Pig recebeu nada menos do que uma avaliação de 96% no agregador Rotten Tomatoes – cuja usual severidade na hora de abalizar alguns filmes já foi alvo até de boicote de muitos fãs revoltados pela esculhambação de longas queridos. Ou seja, Pig, com Nicolas Cage, viveu para se tornar uma das produções mais elogiadas pelos críticos em 2021. E isso elevou bastante o interesse pela obra, a tornando um cult imediato. Até quem costuma analisar somente produções extremamente comerciais (como os filmes de super-heróis) subitamente voltou sua atenção para o porco do Nicolas Cage (sem qualquer maldade implícita).

Prisoners of the Ghostland

Aproveite para assistir:

Cinema é uma das artes mais colaborativas de todas. E os melhores filmes são feitos justamente através do encontro de mentes criativas. Para um ator, uma das formas mais eficazes de alavancar sua carreira é se colando com profissionais tarimbados da área – em especial o comandante do navio, o diretor do projeto. Ou, em muitos casos, o produtor. E esse foi um dos artifícios usados por Nicolas Cage em 2021 para voltar ao radar dos cinéfilos. No mesmo ano em que entregou o elogiado drama Pig, sobre um homem e seu porco, Cage voltou ao território em que se sente confortável: aos filmes de gênero exalando plena insanidade. Esse é o “Fuga de Nova York” do cineasta japonês Sion Sono, responsável por um dos musicais mais criativos e alucinados dos últimos anos, Tokyo Tribe (2014). Aqui, Cage vive um sujeito numa realidade distópica e surreal – não necessariamente o futuro – que recebe a missão de resgatar uma jovem (papel de Sofia Boutella) de um local conhecido como Ghostland. E ele tem o prazo de alguns dias para concluir a missão antes que morra, assim como Snake Plissken, imortalizado por Kurt Russell. Saído do Festival de Sundance, o longa garantiu 64% de aprovação da imprensa e já nasceu cult.

Willy’s Wonderland – Parque Maldito



Depois de Willy Wonka e sua fantástica fábrica de chocolate, este ano nos trouxe também Nicolas Cage e seu fantástico parque de diversões maldito. De uma coisa não podemos acusar o astro, ele continua tentando de diversas formas construir uma carreira bem eclética, muitas vezes apostando em roteiros insanos e criativos. Aqui o gênero abordado por ele é o terror. Mas não pense você que será algo convencional. Muito semelhante a um famoso vídeo game chamado Five Nights at Freddy’s, a história aqui aborda um estabelecimento (troque o restaurante do game por um parque de diversões para crianças) mágico, que literalmente ganha vida ao final do expediente durante as madrugadas. E são justamente os funcionários noturnos que precisarão passar por uma prova de fogo ao vigiarem tais locais, somente para perceberem que não estão mais sozinhos. No caso de Willy’s Wonderland, é Cage quem vive o faxineiro / zelador. Para o azar das assombrações, no entanto, o personagem de Cage se revela tão assustador e perigoso quanto elas. O filme marca 62% de aprovação da crítica e também se tornou cult. Five Nights at Freddy’s será adaptado ao cinema, mas Nicolas Cage fez antes.

A Cor que Caiu do Espaço

Aqui saímos de 2021 e voltamos um pouco no tempo, dois anos atrás. Seguindo no gênero do terror, aqui a aposta é pelo body horror, o horror corpóreo no qual cineastas como David Cronenberg e mais recentemente a francesa Julia Docournau fizeram escola. A base do longa, porém, é um conto de ninguém menos do que H.P. Lovecraft, escritor celebrado pelos fãs do gênero, que aborda muito o terror interdimensional, de monstros e o que não se explica neste mundo. Na trama, uma família vivendo numa área rural dos EUA vê sua rotina virada do avesso com a chegada de uma presença extraterrestre: literalmente o que é descrito no título. Uma cor meio roseada, meio roxa e violeta brilhosa aparece em sua propriedade e ao entrar em contato com a pele humana dos membros da família, embora à primeira vista pareça algo benéfico, aos poucos vai se revelando como sua trágica ruína. Prato cheio para os que curtem gore, sanguinolência e muitas nojeiras. Apesar do nível explícito existem muitas questões a serem debatidas, e por isso o filme recebeu nada menos que 86% de aprovação da imprensa.

Mandy  – Sede de Vingança

Continuamos pelo terror, mas voltamos mais um ano no passado. Antes de A Cor que Caiu no Espaço, Nicolas Cage já havia angariado elogios com Mandy, seu retorno à boa forma e o que podemos chamar de um novo ponto de guinada em sua carreira. Não por menos, Mandy tem impressionantes 90% de aprovação da imprensa no Rotten Tomatoes, marcando assim o segundo filme mais elogiado pelos críticos nessa nova fase boa do ator. Aqui quem assina o roteiro e dirige é Panos Cosmatos, filho do diretor George P. Cosmatos, de clássicos da ação como Rambo II – A Missão (1985) e Stallone Cobra (1986). Talvez uma das formas de definir Mandy para maior compreensão seja: imagine um terror repleto de luzes de neon, estranho e dono de uma temática e trilha sonora assombrosas. Ou seja, essencialmente um filme de Nicolas Winding Refn. Na trama, Cage e Andrea Riseborough são um casal de roqueiros que vivem isolados em sua casa na floresta. Quando um culto hippie a sequestra, Cage armado com uma besta e um machado irá até o inferno se necessário for para reaver sua companheira. A história se passa na década de 1980, o que dá todo um sabor especial ao longa.

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