Crítica – Amigos Inseparáveis

Um dos maiores representantes do cinema subversivo que tomou Hollywood nos anos 1970, o ator Al Pacino é ainda considerado por muita gente o maior ator de todos os tempos. Pacino vem de uma época onde cinema ainda não era espetáculo, era arte. Ele data previamente aos blockbusters iniciados em meados para o fim da mesma década em que o ator se consolidou. Era o cinema autoral em sua melhor forma, fossem diretores ou até mesmo atores.

Pacino criou grandes personagens que o mundo adorou, e adora, estudar, em filmes como “Um Dia de Cão”, “Serpico”, “Espantalho”, “Justiça para Todos”, e é claro, “O Poderoso Chefão”. Imagine o que Ryan Gosling significa para os fãs de cinema atualmente, e teremos um pequeno vislumbre do que foi a fama do jovem Al Pacino nos anos 1970, a diferença é que o intérprete de Michael Corleone participou de filmes que entraram para a história como os melhores de todos os tempos.

Assim como o talentoso Gosling, e também Leonardo DiCaprio, Pacino foi um grande esnobado pela Academia durante toda a sua carreira. Ele até recebia indicações, mas para um ator que era unanimemente considerado como um dos mais, ou o mais, proeminente de sua geração, Pacino só recebeu seu tão almejado Oscar de melhor ator em 1993, mais de duas décadas depois de já ter demarcado muito o seu território, pelo filme “Perfume de Mulher”, fato que Pacino brinca em “Cada um Tem a Gêmea que Merece”.

O cinema atual não trata bem nossos ídolos, geralmente renegados a papéis secundários em filmes de baixa qualidade. Com o grande Al Pacino não foi diferente, ainda muito relevante na década de 1990, foi esquecido pelo cinema na última década. Agora, com “Amigos Inseparáveis” tem a chance ao menos de se divertir um pouco. Pacino interpreta Val, um ex-criminoso que sai da cadeia após quase 30 anos encarcerado. Na porta da prisão para buscá-lo está Doc (Christopher Walken, outro veterano oriundo da mesma década), ex-parceiro no crime, enfrentando os mesmos problemas com a terceira idade.

Como o filme não faz a mínima questão de esconder ou criar suspense, logo que chegam ao apartamento de Doc, fica claro que o personagem de Walken tem como missão eliminar o velho companheiro. Sem coragem imediata, Doc resolve passar um último dia ao lado do amigo, antes de cumprir o prometido para mafiosos que o pressionam durante toda a exibição.

Para completar a gangue entra em cena Hirsch, o ex-piloto de fuga interpretado pelo indicado ao Oscar desse ano, Alan Arkin, que é resgatado de um asilo para se divertir mais uma vez ao lado de sua velha turma. Embora todo levado num tom cômico, o filme escrito por Noah Haidle, e dirigido pelo também ator Fisher Stevens, entrega momentos emotivos quando os protagonistas reconhecem que seu tempo chegou ao fim, e desenvolve bem a amizade, principalmente de Walken e Pacino.

Ele bota os velhos cães de guerra para se divertir em variados momentos, seja num prostíbulo, num bar tirando garotas para dançar ou jogando sinuca. O filme brinca com o aspecto “amadurecido” dos veteranos atores, embora em variados momentos não o reconheça (Pacino tira meninas, com a idade de serem suas netas, para dançar, e devemos acreditar que o septuagenário ainda as consiga levar no papo sem abrir sua carteira).

Deixando as liberdades poéticas de lado, o filme consegue entreter sem nos ofender muito. Temos plena consciência de que esses sujeitos em seus dias de glória fizeram coisas que a maioria de nós nem sonharíamos, e “Amigos Inseparáveis” os homenageia dando mais uma chance, mesmo que por apenas mais uma noite, para que eles deem sua última volta triunfal pela cidade. Paralelamente o diretor Fisher Stevens entrega uma homenagem singela a esses reis do cinema, que como seus personagens, estão bem longe de sua época de ouro.

Crítica por: Pablo Bazarello (Blog)

 

 

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Renato Marafon
Renato Marafonhttps://cinepop.com.br/
Editor-chefe e criador do site CinePOP, apaixonado por cinema e filmes.